Mille Petrozza, do Kreator
Foto via Wikimedia Commons
   

Parece óbvio defender os direitos humanos em pleno exercício, mas a cada vez mais temos visto que não é e o Metal, infelizmente, tem sido uma cena onde os preconceitos têm presença forte.

Felizmente, no que depender de Mille Petrozza, fundador e líder do lendário Kreator, a plataforma da música pesada sempre será utilizada para falar de questões sociopolíticas que são vistas por muitos como externas à música.

Em uma nova entrevista à Kerrang!, Mille foi questionado sobre como já fazia discursos antirracistas há algum tempo. O entrevistador cita o exemplo do Wacken de 2008, no qual Petrozza criticou as pessoas da cena do Metal que “achavam legal ser racista” e destacou que, além do Napalm Death, ele era basicamente o único a se pronunciar dessa forma na cena.

Falando sobre o tema, o ícone da música pesada explicou:

É simplesmente algo que eu digo às vezes quando sinto vontade de dizer. Eu às vezes acho que deveria ser senso comum e que você não deveria ter que dizer. Eu acho que é importante, no entanto, talvez se eu ouvir algo sobre alguma ação racista estúpida tendo acontecido naquele dia.

Eu acho que a cena do Metal, pelo que eu entendia quando eu comecei essa coisa toda, era parte dessa comunidade mundial com pessoas vindo de todos os lugares — pessoas que eram tão diferentes e com tantos panos de fundo diferentes. Nós éramos como uma comunidade que apoiava um ao outro, e de repente houve um tempo em que parte da cena achou que seria legal discriminar as pessoas, usar termos racistas ou sei lá o que, ou só aparecer com essa coisa de supremacia branca.

Eu só pensei, ‘Não, não é assim que eu entendo o Metal.’ Quando eu digo essas coisas no palco, eu só quero deixar claro que é assim que o Kreator se posiciona. Nós estamos vindo de uma cena que era muito politizada. Até o Metallica era politizado há um tempo. Sempre foi sobre direitos humanos, e o senso comum de não tolerar estupidez e merdas do governo. Eu acho que é daí que vem. Eu sei que às vezes deixa as pessoas putas porque elas são distraídas do entretenimento, mas eu às vezes acho que é necessário.

Mille Petrozza (Kreator) e sociopolítica no Metal

Ainda na mesma conversa, Mille falou sobre se considerar um “escritor político”:

Depende de como você define político. Para mim, eu sinto como se estivesse escrevendo em um nível humano. Eu estou escrevendo sobre injustiças. Se escrever sobre injustiças me torna político… eu não apoio nenhum partido, direita, esquerda, tanto faz, pra mim é tudo senso comum. Eu fico tipo, ‘Ok, quando você é um metaleiro você é rotulado como um estranhão sujo que está vivendo no porão e vai a shows e ouve música alta, você é sempre o estranhão.’ Então eu acho que se é político falar disso nas minhas letras, que eu não acho que isso esteja certo que você deveria julgar as pessoas com base em suas aparências ou crenças ou o que quer que seja, então ok, isso é político.

[‘Social seria uma palavra melhor?’, questiona o entrevistador]

Absolutamente. É um bom termo. Para mim político é tipo, Dead Kennedys, e as coisas lá do começo do Hardcore. Aquelas bandas eram políticas. Eu acho que o Kreator sempre esteve à beira de falar sobre questões políticas, mas ao mesmo tempo o escapismo, falar sobre mundos de fantasia e horror e tudo mais. Eu não nos chamaria de uma banda política, no entanto. Há bandas que são muito mais políticas do que nós. Eu escrevo em um nível mais humanizado.

Se quiser ver a entrevista completa (em inglês), é só clicar aqui.

   
 
Compartilhar