ALVA - Meu Bem
   

A nossa sociedade foi construída em cima de padrões e isso nos prejudicou enquanto indivíduos. A ideia é seguir determinadas orientações para o convívio ideal, desde questões comportamentais até crenças religiosas e ideologias políticas. Mas e quando não nos encaixamos no que nos é proposto?

Pode-se dizer que a fatia da nossa civilização que mais sofreu com isso foram as mulheres. Elas sentem com mais força a pressão social, desde a desvalorização no mercado de trabalho até questões estéticas. Durante muito tempo, perseguiu-se um padrão de beleza feminino, muito incentivado pelos próprios homens. Desde pequenas, meninas são coagidas a ter mais cuidados com seus corpos do que o gênero oposto. Isso as acompanha a vida toda.

Com esperança de fazer com que as futuras gerações não precisem passar por isso, a cantora Alva fez de sua nova música um verdadeiro manifesto feminista. “Meu Bem“, lançada recentemente, veio acompanhada por um impactante clipe que ilustra bem a agressiva pressão estética à qual a mulher está submetida desde sua infância.

 

“Eu tô aqui pra envelhecer também”

O TMDQA! participou de uma coletiva virtual em que Tais Alvarenga, a ALVA, falou sobre sua carreira e sobre seu posicionamento na nova faixa. Em seu novo projeto, a cantora, hoje aos 34 anos, busca um novo direcionamento artístico mais voltado ao som pop, mas trazendo questionamentos sobre os padrões deste universo musical.

De acordo com ela, a transição de “Tais Alvarenga” (nome sob o qual ela lançou o disco Coração Só em 2018) para “ALVA” foi um processo intenso. Após sair de sua gravadora, ela optou por abordar outros temas que condissessem mais com seus ideais. E vemos parte dessa liberdade artística na nova canção e, com ainda mais força, no vídeo. A mensagem do clipe, dirigido por Leo Ferraz, fica bem retratada através da participação da atriz mirim Isabela Barreto.

Quanto ao tema da canção, ALVA disse não ser crítica necessariamente aos procedimentos estéticos, mas, sim, à ideia de fazê-los uma obrigatoriedade com o único objetivo de atingir o famigerado padrão. Ela também trouxe números que comprovam o quanto essa “idealização do corpo perfeito” pode ser prejudicial. Uma recente pesquisa da marca Dove revelou que apenas 4% das mulheres se consideram bonitas. Isso sem falar no fato de que o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo.

 

“Espero que as nossas meninas não passem pelo o que nós passamos”

Em resposta ao TMDQA!, a cantora falou mais sobre inspirações e o seu objetivo com esse novo trabalho:

Eu sou filha de uma mãe consciente e feminista dos anos 80. Ela era vegetariana, não usava plástico, falava que Papai Noel não existia… Eu cresci me recusando a comprar qualquer ideia de forma fácil. Na verdade, a minha carreira está onde está porque eu disse muitos ‘nãos’, porque gastei muito tempo estudando e porque, até hoje, sempre opto pelos caminhos mais complexos. Nesse momento, da minha transição para ser uma artista pop, lembro de pessoas sugerirem que eu fizesse operações ou que eu emagrecesse. ‘Você precisa ser bonita!’, ‘Você precisa vender’… Essas pequenas frases tocam na minha criança interior que sabia que Papai Noel não existia. Isso me fez pensar muito.

(…) 

A consciência e a possibilidade modificam tudo. A gente vive em um mundo em que as mulheres, só para chegarem nas oportunidades, batalham muito. Esse lugar das mulheres cresceu muito na quarentena, porque a gente começou a se comunicar mais através da realidade do Instagram, que tenta criar a ‘realidade perfeita’. Aumentou muito a busca por plásticas durante a quarentena, e isso é muito doido. É um momento legal para repensarmos esse assunto. O que eu quero fazer aqui não é para mim, porque eu sei que vou ter que enfrentar essas críticas. Eu enfrento todos os dias uma sociedade que julga as pessoas pelo peso e pela idade. Estou construindo isso para quem está por vir ainda. Espero que as nossas meninas não passem pelo o que nós passamos.

 

O que está por vir

“Meu Bem” faz parte de um EP chamado De Onde Eu Vim O Amor Não Acaba, que será lançado ainda este ano. O trabalho conta com a produção do grupo Los Brasileiros, em parceria com nomes de peso no atual pop nacional, como Vitão, Day, Carol Biazin, Luccas Carlos e Dmax.

Estamos ansiosos e atentos pelas novidades!

 
 
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