Tom Morello no Samsung Best of Blues 2018
Foto: Stephanie Hahne
 

O músico Tom Morello falou sobre sua relação com a guitarra e sobre o que acha que vai ser do rock daqui para frente, em entrevista à edição americana da revista Rolling Stone.

O integrante do Rage Against The Machine afirmou que tem esperança de ver as gerações futuras se conectando com “o melhor instrumento já criado até hoje”:

Não há nada comparável com aquela sensação de plugar uma guitarra elétrica, apertar o pedal de distorção e tocar aquele acorde. Ele ressoa no DNA reptiliano de uma forma que nada jamais fez.

Morello falou também sobre o mundo pós pandemia:

Eu amo o rock de riffs e amos os solos de guitarra, mas eu também já gravei 19 discos e não gostaria de me repetir nesse sentido. Se a música de guitarras seguir o caminho do jazz e se tornar algo restrito a pequenos clubes, isso se houver shows novamente um dia – eu não tenho certeza, porém, porque antes da COVID, fosse o Rage ou o Foo Fighters ou o Chili Peppers ou o Nine Inch Nails, essas bandas ainda vendiam muitos ingressos. E eu tenho muita esperança de que as futuras gerações irão se conectar com o que eu acredito que é o melhor instrumento já criado.

Tom Morello

Na mesma entrevista, Tom Morello voltou a falar sobre como se surpreende dos fãs não entenderam que o Rage Against The Machine é uma banda com letras políticas e de esquerda.

E também sobre o fato de sempre ter alguém em suas redes sociais afirmando que ele não é negro, mesmo depois dele ter passado por situações racistas durante sua vida, como te contamos aqui.

Além disso, ainda relembrou como a história de que “o rock morreu” já é antiga:

No começo dos Anos 90 todo mundo estava convencido de que as músicas com guitarras estavam mortas.

Os DJs poderiam tocar qualquer parte de guitarra então você nunca mais precisaria de um guitarrista. Então eu pensei, bem, vamos ver o que acontece se eu tocar as merdas deles na minha guitarra com duas mãos e um amplificador Marshall. Vamos ver se conseguimos deixar os DJs ultrapassados. Eu não tive sucesso com isso! Mas foi uma maneira de dar combustível à luta. Com o disco do Atlas Underground [2018], foi outra forma de tipo, eu quero deixar a guitarra mais pesada do que nunca e mais contemporânea do que nunca. Eu continuo trabalhando em músicas com guitarras pesadas que estejam olhando para o futuro.

Por Felipe Tellis e Tony Aiex