Borges e Fernando Holiday
Fotos via Reprodução/YouTube e Reprodução/Twitter
 

O rapper carioca Borges lançou uma das canções mais importantes e poderosas de 2020 ao divulgar “Lei Áurea”, sua nova obra com enorme viés político e que cumpre a promessa que ele fez de “humilhar o governo” sem falar nenhum palavrão.

Com trechos como “Nossa pele faz nós já nascer suspeito/Agatha, Duda, Kauan, João Pedro/E dizem que só quem morre é traficante/Guerra licenciada pelo estado/Favela alimenta sua fome de sangue”, o artista provoca uma reflexão sobre o racismo estrutural que assola o Brasil e é intimamente relacionado à brutalidade policial, que é constantemente acusada de promover um genocídio das pessoas negras.

Como se não bastasse, a canção ainda tem um clipe poderoso estrelado pelo Negão da BL, sensação da internet, que mostra um grande talento para a atuação ao viver um dia “normal” até ser parado sem motivo algum pela polícia, em uma cena que certamente (e infelizmente) será identificável para muitos brasileiros.

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Borges – “Lei Áurea” e polêmicas com Fernando Holiday

Como conta o Rap Mais, no entanto, o discurso de Borges não é unanimidade e o vereador paulista Fernando Holiday disparou contra o músico no Twitter, inclusive chamando a faixa de “verdadeiro lixo”.

O ponto de vista de Holiday é em relação ao trecho “Explica que o herói é quem mata e que o vilão é quem te deu uma chuteira”. O político rebate o argumento de Borges dizendo que “o vilão é o traficante que mata inocentes, o vilão é você que faz apologia ao crime e alimenta o ódio pra ganhar dinheiro”.

Ele ainda afirmou que de Rap “até gosto”, mas “de bandido vagabundo não” ao ser questionado por um usuário da rede social, antes de finalizar acusando o rapper de ser um “oportunista vagabundo” que “fala em nome da favela, mas o cidadão de bem que mora lá não representa” e que ele “enche os bolsos de dinheiro estimulando o crime” enquanto “joga a comunidade contra a polícia, o pobre contra o rico e o negro contra o branco”.

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É claro que o artista não ficou quieto em meio a isso, e em sua própria conta na rede social citou o colega de profissão e “irmão” Emicida em sua participação no Roda Viva: “se você acha que narrar uma determinada situação que envolva o crime é apologia, o primeiro a ser preso deveria ser o [José Luiz] Datena”.

Borges ainda afirma que o objetivo de Holiday e da “turminha toda do MBL” é “arrumar motivo pra criticar preto, pobre e favelado” e afirma que “pode ir todo mundo pra casa do caralho que hoje eu to sem paciência pra preto que replica comportamentos racistas”.

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Ele finaliza dizendo que Holiday “envergonha a nossa luta” e manda o político tomar naquele lugar. Um último Tweet do rapper garante: “se o Fernando Holiday tá puto, eu to feliz”.

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