Eddie Vedder com o Pearl Jam
Foto de Eddie Vedder via Shutterstock

Recentemente, o Pearl Jam finalmente nos presenteou com Gigaton. Após sete anos de espera, a banda liderada por Eddie Vedder voltou à ativa com força total e lançou um dos melhores trabalhos da carreira, com destaque para faixas como “Who Ever Said” e “Quick Escape”.

Nós dissecamos o novo disco dos caras no podcast do TMDQA!, mas quem também falou sobre a obra foi o próprio Vedder. Participando do podcast de Bill Simmons (via Alternative Nation), o músico contou mais sobre a jornada criativa de sete anos para chegar em Gigaton:

Ele cresceu sozinho. Só começou diferente, e terminou diferente, e tudo que aconteceu no meio foi diferente, e isso é o que foi ótimo sobre ele. Em algum momento, nós tínhamos que finalizar. Em algum momento, nos juntamos e pensamos, ‘Ok, acho que vamos conseguir e agora vamos arrumar esses detalhezinhos.’ […] Neste último Outono nós mergulhamos de cabeça e finalmente nos demos uma espécie de prazo, o que foi legal. Eu acho que foi bem maduro e adulto da nossa parte dizer, ‘Ok, agora vamos realmente finalizar! Isso deve ser a parte mais difícil.’ […] Depois de toda essa diversão, nós temos que concretizar.

Outra questão bem interessante abordada por Eddie foi a estruturação do álbum. Mesmo sabendo que nos tempos de streaming é difícil que alguém ouça um disco completo do início ao fim, ele garante que a banda pensa na obra “como um setlist” e que eles ainda fazem seus trabalhos com essa sequência em mente:

Algumas coisas encontram seu lugar. É como um setlist. Eu acho que é por isso que talvez eles me deixem tentar essas coisas primeiro, por causa de toda essa questão do setlist. Nós ainda fazemos discos que devem ser ouvidos — não que todo mundo vá ouvir um disco da primeira à décima segunda faixa em sequência ou lado A ou lado B — mas ainda os fazemos assim caso alguém queira de fato ouvi-los assim. […] De certa forma, é como um show ao vivo, nós juntamos as músicas de uma forma que tenham um fluxo e uma energia, em que uma música passa a tocha para a próxima. […] Na verdade, eu acho que muito disso lembra quando eu era uma criança em jogos de baseball e ficava anotando a pontuação. […] Obviamente, eu não era bom em matemática e não fui à faculdade de contabilidade, mas o que eu fazia era ficar olhando ao placar no Wrigley Field [famoso estádio do esporte em Chicago, nos EUA] e acho que isso realmente me ajudava.

Vale lembrar que o músico irá fazer uma live pra lá de especial nos próximos dias.

Pearl Jam e o novo coronavírus

O Pearl Jam foi uma das bandas mais afetadas pelo novo coronavírus, já que o ciclo “normal” de um lançamento de álbum teve que ser adiado. A banda chegou até a publicar um texto forte sobre o assunto quando se viu obrigado a cancelar sua turnê pelos EUA.

Na entrevista, Eddie também falou sobre não estar tendo muitos problemas com a reclusão — mas comentou que há uma grande ansiedade para o retorno aos palcos:

Nós meio que somos reclusos por natureza. Então, de algumas formas parece normal estar longe das pessoas, isso não é necessariamente algo diferente para mim… mas eu fico pensando que a primeira vez que estaremos na frente das pessoas, é até difícil imaginar quando ou como, vai ser diferente. Não é como se não apreciássemos isso antes, mas agora é umas dez vezes mais.

Nós também estamos ansiosos, Eddie!

 
Compartilhar