Greg Ginn, do Black Flag
Foto: Wikimedia Commons/Rob Wallace
 

Com 5 anos de atraso, o Black Flag finalmente se posicionou sobre as acusações de abuso psicológico direcionadas ao guitarrista Greg Ginn.

Em um longo texto, o atual vocalista da banda, Mike Vallely, atualizou os fãs sobre o caso e ainda teceu diversos elogios ao colega. Em 2014, Ginn foi acusado pela ex-mulher de maltratar as duas filhas do casal — desde então, o músico não se posicionou sobre seu lado na história.

Agora, Vallely informa que as acusações foram provadas como falsas pelo tribunal responsável, revelando ainda que Greg tem a guarda integral das duas filhas. Ao explicar o silêncio do guitarrista, Mike diz que ele prefere não “gastar energia” tentando se defender na mídia.

Leia a carta na íntegra, divulgada pela Powerline, logo abaixo:

Eu conheci o Greg Ginn em 2003, quando a minha banda, Mike V & The Rats, foi contratada para abrir uma série de shows dele no sul da Califórnia. No primeiro show, Greg ficou bem na frente durante todo o nosso set e, logo depois que nós tocamos, ele comprou uma das nossas camisetas. Eu e os outros integrantes da banda ficamos impressionados com o quão acolhedor e solícito ele foi conosco, como banda de abertura. A honra que sentimos em tocar nesses shows foi intensificada pela bondade do Greg. Foi significativo para nós que alguém que já era um herói e inspiração, era também apenas uma pessoa real. Conforme passamos mais tempo com ele durante os shows que tocamos juntos, ele se tornou um amigo. Essa continua sendo uma das experiências mais legais que já tive na música.

Mais tarde naquele mesmo ano, Greg perguntou se eu toparia fazer uma participação como vocalista no Black Flag Reunion Shows, no Hollywood Palladium. Os shows começaram. Greg me explicou que queria que esses shows fossem feitos pelo motivo certo, não por ganho financeiro, mas sim como uma celebração da música. Foi quando ele decidiu fazer shows beneficentes para organizações de resgate de gatos, e vários ex-membros da banda que esperavam um pagamento começaram a recuar. Isso me deu uma chance de tocar com Greg, e eu estava feliz em fazê-lo.

Greg e eu permanecemos em contato através dos anos, um checando com o outro como ele estava de vez em quando, via e-mail ou telefone. Ele mencionou muitas vezes em nossas conversas que ele estava interessado em trabalhar em novas músicas comigo em algum momento. Eu disse a ele que estava sempre disposto, mas nunca contei com isso nem forcei demais a situação. Eu imaginei que se ele sentisse vontade de seguir nessa direção, isso aconteceria do seu jeito e no seu tempo.

Em 2012 as coisas começaram a se alinhar e Greg e eu começamos a compor músicas juntos, o que nos levou a passar muito tempo juntos no estúdio. De lá, formamos uma nova banda, Good For You, e em 2013 estávamos em turnê ao redor do mundo, e eu estava ajudando-o a gerenciar um Black Flag reformado.

Com todo o tempo que eu passei conhecendo o Greg, eu o reconheci como a pessoa mais aberta, consistente, justa e atenciosa que eu já trabalhei. E como amigo, ele provou ser alguém a quem eu sempre poderia recorrer, que está disposto a ouvir e dar conselhos objetivos. Percebi que muita desinformação havia se acumulado ao redor dele ao longo dos anos. Lançadas sobre ele por ex-membros de banda e afins, mas nada nas palavras, ações ou comportamento de Greg desde o dia em que o conheci até agora, correspondeu com as coisas que outras pessoas disseram sobre ele. De fato, foi sempre o contrário.

Greg é um pai amoroso e que apoia suas duas filhas Dori e Caris, cuja guarda ele tem em tempo integral. Acusações de abuso foram provadas como falsas pelos tribunais, e ainda assim a desinformação continua a se espalhar de alguma forma. Talvez, porque Greg não gaste energia para fazer entrevistas para se defender, nem se envolver com seus haters nas mídias sociais; ao invés disso, ele prefere assistir aos jogos de softball das filhas e levá-las para suas aulas de arte e ensaios da banda.

Greg é meu amigo, alguém que eu valorizo muito em minha vida, e fico 100% ao lado dele. Ele continua a me inspirar até hoje, e eu me sinto abençoado por conhecê-lo e por poder fazer música com ele.

Black Flag no Brasil

I met Greg Ginn in 2003, when my band, Mike V & The Rats, was booked to open a series of shows for him in Southern…

Posted by Mike Vallely on Wednesday, July 17, 2019

Vale lembrar que a banda tem show único marcado no Brasil para Março de 2020, sua primeira vinda ao país.

A apresentação estava marcada para este mês, mas foi adiada pela banda há algumas semanas. Saiba mais sobre o show clicando aqui e garanta seu ingresso clicando aqui.