Weezer - The Teal Album
 

O ano está em seus dias finais e, se conseguimos dar uma certeza sobre 2019, é a de que foi um ano dominado pela nostalgia.

Retornos de grupos, turnês comemorativas e afins conseguiram ter impacto cultural maior do que muitas novidades que têm surgido por aí. É como se as saudades daquilo que vivemos anteriormente gritassem ao ponto de quererem voltar com os “bons tempos”.

Isso ficou claro na produção de excelentes releituras musicais lançadas ao longo deste ano. Indo de clássicos dos anos 60 até novas versões para músicas lançadas em 2019, essas covers ganharam uma visibilidade interessante. É aquela máxima do “nada se cria, tudo se copia”.

Dentre várias versões sensacionais, confira abaixo as nossas escolhas para as 10 melhores covers lançadas em 2019. Vale lembrar que estamos considerando apenas covers gravadas em estúdio (a gente já não colocaria o Metallica de qualquer maneira mesmo). Deixamos de fora também séries como o Spotify Singles e as covers da BBC Radio 1, já que elas merecem uma lista própria.

 

10 – “Pet Sematary”, do Starcrawler (cover de Ramones)

Em 2019 foi lançado o filme “Pet Semataty” (“Cemitério Maldito”, no Brasil), uma nova adaptação cinematográfica para o romance de Stephen King. A trilha sonora do filme também conta com uma adaptação de uma obra já existente. Trata-se da cover que a banda Starcrawler fez para a canção de mesmo nome, popularizada pela banda Ramones em 1989.

A versão dos Ramones, na verdade, também foi feita para as telonas, mais especificamente para o primeiro filme baseado no livro. A canção se tornou um dos maiores sucessos comerciais da banda. Já a nova versão da música viu nos vocais da vocalista Arrow de Wilde uma estética mais voltada ao pop punk.

 

9 – “I Feel Love”, de Sam Smith (cover de Donna Summer)

A canção “I Feel Love“, lançada em 1977, é um hino para a comunidade LGBTQ. Gravada originalmente por Donna Summer, os sintetizadores usados durante toda a música são inconfundíveis.

O cantor britânico Sam Smith lançou recentemente uma cover desta canção que merece destaque. Sem muitas diferenças em relação à original, a versão não ousou arriscar e quebrar a magia eletrodisco da música. Aliás, o alcance vocal de Smith é de orgulhar uma cantora como Donna Summer.

 

8 – “Can You Feel The Love Tonight”, de Pentatonix (cover de Elton John)

Sim, estamos cientes de que Beyoncé e Donald Glover também regravaram essa para o remake de “O Rei Leão” lançado este ano. No entanto, tivemos que dar espaço para a versão que o grupo Pentatonix lançou.

O grupo trocou todos os elementos instrumentais da faixa gravada originalmente por Elton John por vozes e, mesmo assim, manteve a atmosfera mágica deste clássico. Por sinal, se você ainda não conhece o trabalho do Pentatonix, aconselhamos. Eles ganharam fama por fazerem covers dessa natureza: sem instrumentos e sem enrolações, usando simplesmente o poder da voz dos cinco integrantes.

Confira abaixo e compare com a original.

 

7 – “Bad Guy”, do Twenty One Two (cover de Billie Eilish)

Um dos novos nomes do mundo da música que mais ouvimos falar em 2019 foi Billie Eilish. Mesclando elementos do pop com uma postura mais “dark”, a estética bizarra agradou a crítica e transformou a cantora em um fenômeno.

Um de seus maiores sucessos, “Bad Guy“, ganhou uma nova versão pela banda Twenty One Two. O duo fez com que a canção ganhasse uma atmosfera mais animada, guiada essencialmente por sons de guitarra e bateria.

O Twenty One Two é conhecido justamente por fazer releituras rock de músicas que estão bombando nas paradas internacionais. Este ano eles também lançaram versões de canções de artistas como Jonas Brothers, Taylor Swift e Katy Perry.

 

6 – “Accidentaly in Love”, do New Found Glory (cover de Counting Crows)

Por falar em pop punk, temos mais uma releitura dessas na nossa lista.

O New Found Glory lançou este ano o terceiro EP da série From The Screen To Your Radio, onde a banda faz covers de canções que ficaram famosas em filmes. Desta vez, foram feitas novas versões de músicas como “A Thousand Years”, “Eye Of The Tiger”, “Let It Go” e mais.

No entanto, o nosso destaque fica para a cover de “Accidentaly In Love“, do Counting Crows. A canção original ganhou fama ao ser trilha para a série de filmes Shrek, na forma de um divertido e grudento pop rock. Os meninos do NFG tiveram a coragem de mexer nessa fórmula de sucesso, aproximando da estética do pop punk. Por sinal, o clipe é “estrelado” pelo próprio ogro verde.

Até clipe a versão ganhou. Confira abaixo:

 

5 – “Sandstorm”, do Whiskey Shivers (cover de Darude)

O Whiskey Shivers pode não ser muito conhecido aqui no Brasil, provavelmente por conta dos limites da música country. Trata-se de um grupo que mistura rock com country de maneira muito divertida.

Com quatro discos de estúdio lançados, a banda lançou este ano o quinto, que é justamente um disco de covers. Tem banjo fazendo os riffs de guitarra de “The Trooper” (Iron Maiden) e reinventando “I Kissed a Girl” (Katy Perry), além de algumas outras releituras geniais.

Mas, para destacar apenas uma do álbum, vamos deixar você com uma cover de “Sandstorm“, do DJ finlandês Darude. A releitura é a faixa final do disco e também a mais impactante, já que é uma versão country para uma canção originalmente inspirada pelo trance, uma vertente da música eletrônica.

Compare:

 

4 – “The Chain”, do Evanescence (cover de Fleetwood Mac)

Não dá para esconder a saudade que estávamos sentindo do Evanescence e da única voz da vocalista Amy Lee. Após um tempo sem novidades concretas, o grupo lançou recentemente uma cover espetacular.

Trata-se de uma releitura de “The Chain“, clássico do Fleetwood Mac. Enquanto a versão original contempla algo mais voltado para o blues, a nova versão dá à poderosa letra o peso característico do Evanescence. A gravação foi feita para integrar a trilha sonora do jogo Gears 5, lançado em julho.

De quebra, Amy Lee descreveu recentemente o próximo disco da banda como “sombrio e pesado“. Queremos esse novo material na nossa mesa desde já!

 

3 – “Hazy Shade of Winter”, de Gerard Way e Ray Toro (cover de Simon & Garfunkel)

O My Chemical Romance ficou um tempo separado e só no final do ano anunciou novos shows, mas o vocalista Gerard Way nunca ficou parado. Sendo parte importante do desenvolvimento da série The Umbrella Academy, que estreou na Netflix no início do ano, Gerard também fez questão de cuidar da trilha sonora, cuja faixa principal é uma cover da canção “Hazy Shade of Winter“.

Gravada originalmente pela dupla Simon & Garfunkel, a faixa foi completamente repaginada por Gerard, que chamou o colega de banda Ray Toro para assumir as guitarras. Enquanto a versão original (de 1966) resumia bem o folk rock feito pela dupla, a nova versão usa as mesmas notas, os mesmos riffs e a mesma construção em uma estética energética e mais pesada.

Foi uma sacada ótima. Além de revitalizar o hit, Gerard manteve respeito pela composição de Simon & Garfunkel. Aqui temos uma aula de como se fazer uma boa cover!

 

2 – “No Scrubs”, do Weezer (cover de TLC)

A não ser que você estivesse morando em uma caverna no início do ano, você certamente soube que o Weezer lançou um inusitado disco de covers. Intitulado Teal Album, o álbum mostra a versatilidade e a criatividade de uma banda que não se leva a sério (o que é ótimo).

A brincadeira começou em 2018, quando a banda atendeu ao pedido de uma fã que implorou por uma cover de “Africa”, da banda Toto. Isso se desenvolveu e se transformou em um disco que também homenageia grupos como Black Sabbath, Eurythmics, A-Ha e Tears For Fears.

Mas, como o conteúdo do disco ofuscaria boa parte dessa lista, vamos sintetizar a criativa proposta do Teal Album com uma cover só. Talvez a mais destoante do resto das músicas homenageadas, “No Scrubs” ganhou uma versão interessantíssima. Originalmente gravada pela girlband TLC, a faixa ganhou um peso inédito no instrumental e uma caracterização inusitada na voz de Rivers Cuomo.

 

1 – “Doin’ Time”, de Lana Del Rey (cover de Sublime)

Não tinha como não ser essa no topo!

Lana Del Rey fez de seu mais recente álbum, Norman Fucking Rockwell!, o disco do ano. Entre as ótimas novas composições, a cantora reservou um espaço para uma releitura de “Doin’ Time“, canção lançada originalmente pela banda Sublime em 1997.

À mistura entre reggae e trip hop da gravação original, Lana imprimiu suas características musicais e fez com que parecesse uma canção de sua autoria. Não à toa, a faixa, inserida no meio da tracklist de seu álbum, ajuda a desenvolver a narrativa do disco.

Aliás, Lana e Sublime têm mais em comum do que pensamos. As músicas de ambos costumam usar os cantos sombrios da Califórnia como cenários. Além disso, o trip hop também sempre serviu como base para canções de Lana. No final das contas, soou autêntico, dançante e nostálgico ao mesmo tempo.