15 músicas com mais de 10 minutos
 

Nesses tempos líquidos e acelerados que vivemos atualmente, 10 minutos podem ser considerados muito tempo. Especialmente quando se fala de música. Afinal, quando foi a última vez que você tirou 10 minutos do seu dia para não fazer nada além de ouvir música? E se, nesse tempo todo (ou bem mais), você só ouvisse uma canção?

Faixas longas são pouco acessíveis, mas charmosas. Muitas vezes, parecem uma história: com começo, meio e fim, já que pouco se vê refrões. Pensando nessa experiência, fizemos uma seleção com 15 excelentes músicas que têm no mínimo 10 minutos.

Algumas canções batem na trave: “Free Bird”, do Lynyrd Skynyrd, por exemplo, tem sua versão oficial com 09:04. É semelhante ao que ocorre com “Jesus of Suburbia”, do Green Day, que atinge a marca no clipe graças às cenas sem música, mas tem oficialmente 09:08.

A ideia aqui também não é elencar as músicas mais longas do mundo, ok? Se fosse assim, “Delìrivm Còrdia”, do Fantômas, com seus 74:17 estaria por aqui. Confira abaixo a lista completa, em ordem de duração!

B.B. King – “Lucille” (10:13)

B.B. King é um dos maiores guitarristas da história da humanidade e, segundo ele mesmo, nada disso seria possível sem “Lucille”. O nome da faixa com 10:13 de duração dita a temática da letra: uma homenagem à icônica guitarra. Nas palavras do músico, que abrem a canção:

O som que você está ouvindo / É da minha guitarra chamada Lucille / Eu sou doido pela Lucille, Lucille me tirou da plantação / Ou você poderia dizer, me trouxe a fama / Eu não acho que eu poderia apenas falar o suficiente sobre Lucille / Às vezes quando eu estou triste parece que Lucille tenta me ajudar, chamar meu nome

Opeth – “Ghost of Perdition” (10:29)

Só no disco Ghost Reveries (2005), o Opeth tem 4 faixas que quebram a barreira dos 10 minutos. Talvez o grande feito da banda, no entanto, tenha sido colocar 2 delas no mainstream — pelo menos de uma certa forma.

“The Grand Conjuration” apareceu no jogo Sleeping Dogs, mas “Ghost of Perdition” ganha a disputa já que foi escolhida em 2 games. Além de ser tocável em Rock Band 3, ela aparece em Saints Row 2.

Led Zeppelin – “Achilles Last Stand” (10:31)

Led Zeppelin quebrou inúmeras barreiras, e há de ser feito um destaque especial à “cozinha” formada por John Paul Jones e o saudoso John Bonham. Talvez não haja exemplo melhor disso do que a épica “Achilles Last Stand”.

Gravada em um período nebuloso para o vocalista Robert Plant, a dupla de instrumentistas toma as rédeas em uma das faixas mais únicas da discografia do Led.

Jane’s Addiction – “Three Days” (10:48)

Morte e ressurreição: essa é a temática de “Three Days”, uma das músicas mais importantes da discografia do Jane’s Addiction. Conhecidos por serem uma das bandas mais influentes do rock dos anos 1990, especialmente na Califórnia, os caras realmente estenderam os limites do gênero com a faixa de mais de 10 minutos.

Além de ter um solo incrível de Dave Navarro, a performance vocal de Perry Farrell é o que guia a viagem inspirada em uma história (real) de três dias regados a sexo e drogas.

This Will Destroy You – “The Mighty Rio Grande” (11:17)

Se já é difícil ouvir mais de 10 minutos de música, imagina se for tudo instrumental. É a proposta do This Will Destroy You, uma das melhores bandas de post rock da atualidade.

“The Mighty Rio Grande” é uma daquelas canções que tem que ser degustada. Cada mínimo detalhe traz um encanto diferente à obra, cuja dinâmica proporciona uma catarse surreal. Vale cada segundo!

The Doors – “The End” (11:43)

A última faixa do disco de estreia do The Doors tem muita história. Seus quase 12 minutos de duração são uma consequência da constante adição de elementos – instrumentais e líricos – a uma canção que começou como uma simples despedida de uma namorada.

O clímax talvez seja a parte em que Jim Morrison encarna um complexo de Édipo e canta: “Father? / Yes, son / I want to kill you / Mother, I want to…” (“Pai? / Sim, filho / Eu quero te matar / Mãe, eu quero…”). É sem dúvida uma viagem incrível pela mente de um dos maiores gênios da música.

The Mars Volta – “L’Via L’Viaquez” (11:52)

Incorporando influências latinas e do jazz no rock progressivo, Frances the Mute (2005) é um dos pontos altos da carreira do The Mars Volta. Entre as canções mais queridas do álbum está a incrível “L’Via L’Viaquez”, com seus 11:52 de duração.

A viagem intensa tem ainda participação de John Frusciante (Red Hot Chili Peppers), que contribuiu com os dois primeiros solos de guitarra. Ah, e não é a única do disco que passa dos 10 minutos; aliás, só “The Widow” tem menos do que isso.

TOOL – “Pneuma” (11:54)

A música mais recente dessa lista é “Pneuma”, do TOOL. Afinal, só mesmo uma banda que fez os fãs esperarem 13 anos por um novo disco para, em pleno 2019, lançar um disco ambicioso e recheado de músicas longas.

Faixas como “Fear Inoculum”, “7empest” e “Invincible” também poderiam estar aqui, mas “Pneuma” veio para mostrar que o rock ainda pode inovar e merece esse espaço.

NOFX – “The Decline” (18:20)

Quem disse que banda punk não pode fazer música grande? Bom, o NOFX disse depois de gravar “The Decline”. Segue, extraído do site oficial dos caras:

Pesadelo! Gravar essa merda foi um pesadelo enorme. Escrevê-la foi um pesadelo. Estou feliz que a fizemos mas não faria novamente. Fomos ao estúdio 3 vezes diferentes e adicionamos coisas e remixamos e remasterizamos 4 vezes. Não é uma rock opera, como “The Song Remains the Same” [do Led Zeppelin] ou algo assim. Pegamos a ideia do Subhumans [banda punk inglesa], não do Rush. Por que uma música de 18 minutos? Só para fazer algo diferente. Fizemos músicas curtas o suficiente, hora de fazer uma longa. De qualquer forma, meu conselho, não tente fazer isso em casa.

Yes – “Close to the Edge” (18:38)

Na natureza, nada se cria, tudo se copia. Se o Rush pôde lançar “2112” (que está logo a seguir nessa lista) em 1976, muito se deve ao Yes, e em especial à canção “Close to the Edge”.

Os quatro movimentos da bela e virtuosa obra de 1972 nos levam a uma viagem baseada no místico livro Siddharta.

Rush – “2112” (20:33)

Talvez a mais icônica canção dessa lista. “2112” marcou uma geração, assim como o Rush, e um dos motivos foi justamente esse formato longo, com toda uma narrativa — quase como se estivéssemos ouvindo um audiobook bem antes da existência destes.

“2112” pode não ter sido a primeira música longa da história — longe disso — mas talvez seja a mais popular e a que mais influenciou outras gerações. Aliás, o próprio Rush tem várias outras ótimas canções grandes, como “Xanadu” e “The Camera Eye”.

Dream Theater – “A Change of Seasons” (23:08)

Claro que o Dream Theater não podia ficar de fora quando se trata de músicas longas. A banda de rock progressivo é conhecida por suas enormes canções, e poderíamos montar uma lista só com eles. Apesar de outras ótimas faixas como “Learning to Live”, “Home” e “The Count of Tuscany” também atingirem a marca de 10 minutos, a escolhida foi “A Change of Seasons”.

Uma das músicas mais especiais do DT, suas oito partes se condensam em uma bela história narrada pela letra de Mike Portnoy. Ele já explicou que a canção é “sobre o ciclo da vida”, incluindo acontecimentos pessoais como a morte de sua mãe. Esta foi também a primeira participação de Derek Sherinian como tecladista da banda.

Pink Floyd – “Shine On You Crazy Diamond” (25:33)

Pink Floyd é uma banda que, talvez, não teria tanto sucesso nos tempos atuais. Afinal, uma das músicas mais icônicas dos caras é justamente “Shine On You Crazy Diamond”. Apesar de ser dividida em 9 partes — e agrupada em duas faixas diferentes — a canção tem uma duração total de 25:33.

A letra foi inspirada por Syd Barrett, ex-membro do grupo; alguns anos depois, ele também inspiraria o disco The Wall. Abaixo, podemos conferir uma versão que junta todas as partes, editada por um fã.

X Japan – “Art of Life” (29:02)

Chamada por alguns críticos de “Stairway to Heaven japonesa”, a épica “Art of Life” elevou o X Japan a um novo patamar. A canção é a única do quarto disco de estúdio dos caras – o primeiro com o baixista Heath — e tem a ambiciosa duração de 29:02, além de um rico arranjo de orquestra.

Em 2011, o baterista Yoshiki relembrou que a música foi escrita em apenas duas semanas, mas a gravação levou dois anos. De repente, meia hora parece pouco tempo…

Echolyn – “mei” (49:33)

“mei”, do Echolyn, é mais um caso de disco ocupado por uma música só. A banda americana resolveu fazer um épico do rock progressivo, e foi muito bem sucedida em sua missão.

Com quase 50 minutos de duração, ouvir “mei” acaba parecendo mais rápido do que ouvir um álbum com várias faixas que somadas têm a mesma duração.