Arctic Monkeys - Humbug
 

No dia 19 de Agosto de 2009, a banda britânica Arctic Monkeys lançou seu terceiro disco de estúdio e mudou o curso de sua carreira de forma bastante significativa.

Tendo explodido no mundo todo com Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (2006) e Favourite Worst Nightmare (2007), o grupo liderado por Alex Turner ficou conhecido por conta do seu rock alternativo rápido, certeiro e marcante, falando com legiões de fãs de indie que estavam vivendo uma fase prolífica do gênero principalmente após a popularização do The Strokes.

Para gravar o seu terceiro disco, o Arctic Monkeys pisou no freio e esperou um tempo, voltando em 2009 com Humbug e dividindo as opiniões de fãs e críticos em um movimento que acabou se mostrando bastante acertado com o tempo.

Arctic Monkeys e a importância de Humbug

Se você parar pra pensar em bandas da mesma época que tiveram sucesso similar, provavelmente irá se ligar que boa parte dos nomes não existe mais ou tem um reconhecimento muito menor do que o Arctic Monkeys.

Isso se deve muito ao fato de que boa parte delas não quis arriscar e mergulhar por novas sonoridades e apostou que a onda do indie não passaria nunca mais, o que convenhamos, é um grande erro.

Ao pensar em novas sonoridades, o Arctic Monkeys pavimentou um caminho para que continuasse relevante até hoje, e ele começou exatamente em Humbug.

Josh Homme

O terceiro disco da banda foi produzido por James Ford ao lado de Josh Homme, do Queens Of The Stone Age, e isso teve um grande impacto no trabalho final.

Se antes a banda bebia apenas nas fontes de Julian Casablancas e companhia, agora havia novos timbres de guitarra, novos pedais, novas batidas, um ritmo diferente e uma nova maneira de compor tanto as letras quanto os instrumentais.

Distanciando-se consideravelmente do que fez nos seus dois primeiros álbuns, a banda mostrou logo cedo que não iria se apoiar nos primeiros hits e no formato que, na mesma velocidade de suas primeiras canções, tornaria-se batido.

Base para o Futuro

Com Humbug, o Arctic Monkeys construiu as bases para trilhar novos caminhos pelos quais seria reconhecido no futuro.

Se dois anos depois veio Suck It And See, em 2013 os caras lançaram AM e aquele que é considerado por muitos como o ponto alto da carreira da banda definitivamente não existiria sem Humbug.

Foi por trabalhar em traços diferentes de sua sonoridade anos antes, que o grupo se sentiu livre para alçar outros voos, e é justamente o que acontece no penúltimo disco da banda, quando os britânicos decidiram misturar riffs de guitarra com batidas soturnas e um clima que transita entre o alternativo e o mainstream com muita facilidade.

Cinco anos depois, em 2018, veio Tranquility Base Hotel & Casino, mais um disco completamente diferenciado na carreira do Arctic Monkeys, com uma sonoridade vintage baseada no piano que o grupo nunca havia explorado.

Pode ter certeza: foi o impacto de Humbug e suas críticas pra lá e pra cá que deram essa liberdade aos músicos e fizeram com que eles fossem atrás do que gostariam de escrever e lançar, e não o que seria mais confortável/óbvio no caminho.

Bora apertar o play logo abaixo e celebrar a primeira década do disco?