Bring Me The Horizon 2018
Foto: Divulgação
 

Os “brasileiros de Taubaté” da Bring Me The Horizon estão confiantes e nos reservam algumas surpresas, tudo isso graças ao momento ostensivo que estão vivendo agora.

Para você que não sabe: a banda inglesa lançou recentemente o seu oitavo disco, o irreconhecível amoE os resultados chegaram, como o topo da parada britânica, o top 10 da Billboard e a escalação no line-up do Lollapalooza Brasil.

Em uma entrevista exclusiva para o TMDQA!, o baterista Matt Nicholls nos trouxe mais detalhes sobre suas experiências nas letras e composição de amo, e o que a banda nos reserva para os shows que acontecem no mês que vem. Confira:

TMDQA!: Olá, Matt! Obrigada pelo seu tempo. Creio que não há outra maneira de começar esta entrevista, mas mencionar o título do álbum, amo, em português. Além do relacionamento de Oli com sua esposa brasileira, ele já disse que também gosta do som que lembra a palavra “Ammo” (munição, em inglês). Em que ponto da produção do álbum esta ideia começou a surgir e como você acha que isso influenciou as músicas?

Nicholls: Na verdade foi o oposto disso, as músicas que influenciaram o título. Era algo que foi acertado nas canções, e tudo veio com uma expectativa sobre o amor, inclusive o título. Escrevemos sobre as diferentes formas de enxergar o amor, seja em si mesmo, aos amigos e em coisas que você gosta, não apenas sobre os lados ruins do amor. E o título vem em decorrência disso, do processo de composição das canções.

TMDQA!: Existem diferentes elementos com os quais a banda trabalhou neste álbum e eles se destacam, mas alguns deles já estiveram presentes no That’s The Spirit e até no Sempiternal. Como você interpreta essa evolução (que, aliás, está chamando muita atenção) que a banda queria experimentar, mas começou de forma mais leve e agora é muito evidente em amo?

Nicholls: É algo muito fluido. A gente não planeja o que vai estar no álbum ou o que não vai. Quando começamos a compor, queremos apenas tentar as coisas das diversas formas possíveis. Não temos um esquema pronto de como iremos fazer as coisas, tudo vem das ideias no decorrer do processo, e se elas são boas, fazemos questão de usá-las. No amo, nós sabíamos que iríamos tentar coisas diferentes. Seria fácil pra gente usar a mesma linha dos discos passados, como “uma banda de rock”, mas o fato é que não queríamos fazer o que já tinha sido feito antes.

TMDQA!: Isso até nos lembra do início da carreira do BMTH, quando vocês foram capazes de trazer algo relativamente novo com o chamado deathcore e receberam diversas críticas em resenhas. Mas em questão do amo, em algum momento vocês estavam com medo de como o público iria receber o disco?

Nicholls: Não, de forma alguma! Você não pode sentir isso, sabe? Tem que confiar em si mesmo e acreditar no que está fazendo. Se você está confiante e feliz fazendo seu trabalho, não tem que se preocupar com fatores externos, pessoas, opiniões e por aí vai.

TMDQA!: Quais artistas e bandas você entende que influenciaram essa nova fase da banda, principalmente nas músicas focadas em pop, eletrônica e experimental?

Nicholls: Foram diferentes referências, já que cada um estava escutando coisas diversas nesse processo, temos um gosto muito variado. Eletrônica, pop, hip-hop… é difícil colocar tudo numa bolha só e limitar, de alguma forma. Até porque a música que fazemos é onde não temos medo de colocar nossas influências e gêneros, pegar sons e criar algo é bem amplo, então fica difícil de citar alguns.

TMDQA!: Como baterista da banda, como você participou das composições e como define seu papel nos shows, ainda mais nas músicas que são focadas nas batidas de música eletrônica?

Nicholls: É o mesmo em qualquer outra canção, fazemos o que é certo para elas. Não é sobre apenas fazer “uma única função”, de só se apresentar e seguir um roteiro. Nas nossas músicas, colaboramos um com o outro e isso flui bem. E nos shows, segue da mesma forma, mas não precisa ter a bateria parecida com a versão estúdio, tudo o que eu quero é fazer com que a canção soe o melhor que possa ser.

TMDQA!: Liricamente falando, músicas como “why you gotta kick me when i’m down” mostram lados obscuros e pesados ​​das relações humanas entre fã e ídolo. Você sente que às vezes isso pode exagerar e se tornar tóxico? Como vocês buscaram retratar isso no álbum?

Nicholls: Então, na verdade a canção fala muito mais sobre a geração das mídias sociais, onde as pessoas acham que sabem de tudo, colocam as próprias pessoas à margem de tudo, e agem de forma fascista. É bastante grosseiro as pessoas te falarem o que você tem que fazer, ter opinião sobre tudo, você não pode dizer nada sem que te joguem pedras. Estar ativo em mídias sociais te coloca nessa situação, a forma como vivemos hoje em dia; criam expectativas sobre você ter uma posição para tudo. Queríamos colocar isso no disco da forma como enxergamos isso: é a sociedade em que vivemos, não há nada que possamos fazer sobre as mídias sociais mas deixar uma reflexão como um todo.

TMDQA!: Então no cenário atual, a fama e a exposição são algo que assusta vocês?

Nicholls: Não muito, até porque podemos fazer uma selfie e registrar tudo o que fazemos, mas isso não é algo que de fato somos, sabe? É só uma perspectiva manipulada da coisa. Nós tentamos ser discretos, vivemos nossa vida pessoal para nós mesmos. Já a fama condiz muito com as mídias sociais, e focamos apenas isso em prol da banda. Mas isso não é uma pressão, a gente cresceu com isso.

TMDQA!: Sobre o Lollapalooza, entre tantos nomes na programação e um público muito diversificado, como você tentam atrair a multidão e se destacar nisso? Vocês estão planejando algo incomum no palco?

Nicholls: A gente vai fazer o que sempre fazemos, e espero que as pessoas vão lá para conferir. Não é nada incomum ou até bizarro, é só nosso estilo de estar no palco e acho que as pessoas enxergam de forma bastante intensa. Espero que curtem, já que somos apenas nós mesmos, com uma energia boa, tocando nossas músicas e se divertindo.

TMDQA!: Já sobre o show solo que vai rolar com a Fever 333 em São Paulo, banda também conhecida por uma energia absurda ao vivo, vocês buscam diferenciar essa apresentação do show no festival?

Nicholls: Cada show sempre tem algo diferente, para ser honesto. Contudo, a única distinção dessa para o show no festival é que tocaremos mais canções, teremos mais tempo para curtir a energia da plateia brasileira em palco, algo bem mais intimista, porque as pessoas estarão lá para ver o nosso show e o da Fever.

TMDQA!: E como tradição, aqui vai: você tem mais discos do que amigos?

Nicholls: Sim, quer dizer… eu acho que sim. Não consigo nem mensurar!

Palco Onix e Lolla Parties

Após trazer um conforto aos fãs para dizer que estava tudo bem com a sua garganta, o vocalista Oliver Sykes afirmou em vídeo (inclusive, em português) que os shows no Brasil serão “do caralho”. Então, se preparem: no segundo dia de Lolla, 6 de Abril, os guris da BMTH tocam às 17h15, no Palco Onix. Você pode comprar seu ingresso para o festival clicando aqui.

Como já dito na entrevista também, a banda toca junto com o The Fever 333 em uma Lolla Party pra lá de insana, que rola no dia 3 de Abril. Compre ingressos clicando aqui!