Conversamos com o Superorganism, a nova sensação da música indie

Orono Noguchi, a vocalista da banda, falou pra gente sobre a gravação do primeiro disco do grupo e seus planos futuros

Superorganism - banda
Foto: Divulgação
 

Quando “Something For Your M.I.N.D” foi lançada, não era fácil encontrar muitas informações sobre o Superorganism por aí.

No entanto, não era por mal: a banda simplesmente não estava planejando se tornar um projeto “sério” e muito menos esperava que a canção fosse conquistar tamanho sucesso em tão pouco tempo.

Em questão de meses, a faixa foi destaque em programas de rádio de artistas como Frank Ocean e Ezra Koenig, e até mesmo chegou a fazer parte da trilha sonora do penúltimo FIFA.

Aliando a qualidade do single com o ar misterioso do grupo, especulações começaram a surgir sobre o que era a banda — alguns rumores sugeriam até que o grupo era um projeto paralelo de Kevin Parker, do Tame Impala.

Em seguida, a banda mostrou sua cara ao mundo e deu diversas entrevistas onde detalhava sua história. O Superorganism surgiu da banda australiana The Eversons, que acabou utilizando amizades à longa distância para criar um coletivo musical com diversos membros espalhados ao redor do mundo.

Com o simples objetivo de fazer músicas divertidas, o grupo começou a compor instrumentais baseados na música pop com o uso dos mais variados samples, como sons de caixas registradoras, gravações de filmes e muito mais. Porém, até o começo de 2017, a banda ainda não havia encontrado o vocal perfeito para suas músicas.

É aí que entra Orono Noguchi, uma japonesa de 17 anos que, na época, ainda estava terminando seu ensino médio nos Estados Unidos. Noguchi havia se tornado uma amiga próxima dos músicos após assistir a um show do Eversons. Remotamente, o grupo decidiu enviar o instrumental de “Something For Your M.I.N.D” para que Noguchi compusesse a letra — o que ela fez em apenas uma hora.

Quando a banda recebeu a faixa completa de volta, a conexão foi criada instantaneamente. Desde então, todos os dez membros do Superorganism se mudaram para Londres, onde vivem no mesmo apartamento e gravam juntos todos os dias.

A banda recentemente assinou com a Domino Records, responsável por nomes como Arctic Monkeys, e lançou na última sexta-feira seu primeiro álbum de estúdio, homônimo.

Para explorar um pouco a trajetória do grupo e seus planos futuros, nós tivemos o prazer de poder conversar com Noguchi um dia antes do disco ser lançado. Confira a entrevista logo abaixo!

TMDQA: Vamos começar com a notícia boa: o álbum de vocês sai amanhã! Estão ansiosos pro lançamento disco e para conferir a reação do público?

Orono: Sim, estamos tão, tão ansiosos! Nós estamos muito orgulhosos do que fizemos, então esperamos que todo mundo goste do resultado final também.

TMDQA: Existe um nível alto de expectativa pra esse lançamento, especialmente considerando tudo o que aconteceu nesse último ano e o apoio de artistas como Frank Ocean e Ezra Koenig. Isso fez vocês se sentirem mais pressionados a impressionar as pessoas?

Orono: Não, na real não. Nós finalizamos esse disco lá pelo meio/final de Agosto, então naquela época nós ainda não tínhamos interagido com esse hype…

TMDQA: Como foi o processo de gravação desse disco? Alguns de vocês viviam em lugares bem distantes uns dos outros. Vocês esperaram chegar em Londres pra gravar tudo ou vocês fizeram esse processo remotamente?

Orono: Não, a maior parte dele foi gravada quando nós… Nós só nos juntamos na mesma sala quando o disco já estava finalizado, então a maior parte dele foi feita quando estávamos em locais diferentes. Eu estava nos Estados Unidos, boa parte da banda estava na Austrália, Seoul [backing vocal da banda] estava na Austrália.

TMDQA: Sim, eu li recentemente que vocês ainda usavam emails para se comunicar.

Orono: Sim.

TMDQA: O fato de terem se mudado pra Londres mudou algo na dinâmica da banda?

Orono: Na real, não. Nós ainda usamos o Facebook, email e tudo mais para trabalhar com música. Mesmo estando na mesma casa, a única diferença é que isso fez com que o processo de gravação ficasse mais rápido porque não precisávamos lidar com fusos horários diferentes.

TMDQA: Qual sua canção favorita do disco? Explica pra gente.

Orono: Eu diria que é “Relax”, porque na minha opinião é a música mais intensa do disco e eu me conecto com ela porque sou uma pessoa intensa. Eu gosto de como a canção fala sobre se acalmar enquanto ao mesmo tempo você está surtando. É uma canção interessante.

TMDQA: [Risos] Estou ansioso para ouvi-la! Vocês estão com muitos shows marcados pros próximos meses. Quais são os planos do Superorganism a curto prazo? Dominação mundial? Um segundo disco o mais rápido possível?

Orono: Eu não sei. Continuar fazendo shows… e assim, quando nós finalizamos esse disco nós acabamos tendo canções demais para um primeiro disco. Então acabamos ficando com várias faixas sobrando, finalizadas, e estamos sempre trabalhando em material novo.

TMDQA: Vocês estão planejando lançar isso num futuro próximo?

Orono: Sem planos concretos, mas… elas estão lá. Isso é tudo o que eu posso dizer.

TMDQA: Qual é a melhor parte de se estar numa banda? O que você aproveitou mais ao longo desse último ano?

Orono: Eu gosto muito de viajar, e é muito legal poder viajar basicamente de graça, conhecer todas essas pessoas que gostam da nossa música. É uma experiência muito gratificante.

TMDQA: Só pra terminar, então: traduzindo pro inglês, o nome do nosso site significa “I have more records than friends”.

Orono: Isso é muito legal!

TMDQA: Sim! Você se identifica com essa frase?

Orono: Eu não tenho muitos discos [de vinil], mas eu tenho muitos CDs. Eu acho que é algo um pouco estranho sobre mim porque as pessoas não costumam comprar CDs hoje em dia. Eu tenho muitos amigos que ainda compram, mas o fato de que CDs ainda são muito populares no Japão me interessa muito. Então sim, eu tenho muitos CDs.

TMDQA: Obrigado por tudo! Estamos muito animados para ouvir o álbum, todos os singles até agora foram sensacionais. Esperamos que vocês venham para o Brasil em breve! Sabemos que vocês devem estar ocupadíssimos agora, mas quando tiverem um tempinho…

Orono: Nós vamos arranjar um tempo para o Brasil, sim. É claro que sim!

 
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