Record Store Day Libera Lista de Lançamentos Especiais Celebrando a Black Friday
 

No último dia 16 foi celebrado o Record Store Day.
Nessa data bandas e gravadoras se unem para lançar raridades limitadíssimas em discos de vinil exclusivamente em lojas de discos independentes, para fazer com que as pessoas readquiram o hábito tão gostoso de comprar discos na loja mais próxima da sua casa, o que foi perdido ao longo do tempo.

E é justamente sobre esse hábito que pedi a algumas pessoas para que dessem seus depoimentos e nos contassem como as lojas de discos marcaram suas vidas.

Leia logo abaixo!

Chuck Hipolitho

Chuck Hipolitho e as lojas de disco

Cara, o primeiro disco que eu tive foi a trilha sonora do filme La Bamba, me apaixonei pela música no rádio quando eu tinha uns 10 anos e meu pai me deu o disco. Depois aos 11/12 anos eu ia a festinhas, e sempre tinha um lance de vale disco e tal, eu ia lá trocar os meus, ou comprar para presentear. Nessa peguei a trilha sonora do Top Gun e o “Like A Prayer” da Madonna (!!!).

Aí comecei a gostar de rock de verdade, em Pirassununga existia a Vinil Box, o dono era um cara que é um lenda lá o Beto Dadá, depois viramos amigos. Na época o cara era meio inacessível, roqueiro, eu era muito mais novo, e ele de três gerações a frente, um punk rocker. Hoje somos bem amigos, o cara é um ídolo. Na loja também trabalha o Tuin, que guardava as unhas que cortava em um potinho… nojento.
Era normal ir lá e perguntar o preço do novo do Sepultura e ele responder simplesmente: “está caro” caso não fosse com sua cara.
Já na epoca de CDs eu lembro de ter gasto todas minhas economias em uma edição japonesa do “End Of The Century” dos Ramones lá.
Eu não sou o cara mais viciado do mundo e entrar em lojas de disco mas sinto falta do costume que todos tinham em ir até elas.
Até hoje, se posso, compro discos.

 

Rodrigo Koala (Hateen)

Rodrigo Koala (Hateen) e as lojas de disco

Sempre tive um fetiche por lojas de discos. Passava horas vasculhando discos em sebos no centro da cidade em busca de alguma relíquia esquecida ou uma raridade menosprezada. Cheguei a comprar muita coisa interessante e nonsense como discos de efeitos sonoros da BBC de Londres.
Nos anos 90 a diversão era ir até a galeria do rock comprar as novidades do rock, e em visitas como essas descobri milhares de bandas que ouço até hoje e são o alicerce do meu estilo musical. Hoje quase não vou a lojas de discos, a não ser quando vou à galeria do rock em sp ou no caso de visitar alguma loja fora do Brasil.
Aliás quando vou aos aos Estados Unidos fico encantado com as lojas de discos que eles tem por lá. Tem de tudo e o preço é ótimo. Quase um parque de diversões para adultos.
Sou um grande consumidor de mp3,mmas sinto uma falta terrível de comprar mais cds,abrir os encartes,ler as letras.

Fabio Mozine (Mukeka Di Rato, Merda, Laja Records)

Fabio Mozine e as lojas de disco

No ES existiam duas lojas de discos.  A Tarkus Records em Vitoria e a Darkover em Vila Velha.  Ambas um pouco mais voltadas pro metal e sua vertentes do diabo mas sempre com alguns discos punks pingados.
Na Tarkus eu pude comprar uns AC/DC de segunda mão, Motorhead dentre outros.  Na Darkover eu achei uns Garotos Podres, e Paulista do Mukeka comprou um sensacional The Sad and Lonely(s), procurem saber sobre essa banda, é da Sub Pop. Mas independente disso, essas lojas eram pontos de encontro.  Paulista e Sandro (sim, do Mukeka) frequentavam muito a Darkover e foi por lá que desenvolveram sua amizade.  Eu sempre estava bisbilhotando coisas na Tarkus, encontrava alguns cara de Vitoria por la (já q eu morava em Vila velha, outra cidade).  Naquela época eu conseguia comprar um disco por mês, e era com dinheiro suado, contadinho.  Nenhuma das duas lojas existe mais e faz muito tempo que já acabaram.  Faz muita falta.

Maria Maier (Idealshop)

Maria Maier da Idealshop fala sobre sua relação com as lojas de discos

Cresci com o hábito de comprar música e freqüentar lojas de discos, graças aos meus pais. Em São Bernardo do Campo/SP, a maior e melhor loja era a Merci Discos, com duas filiais na cidade. O dono era cliente do Banco do Brasil na época que minha mãe trabalhou lá como caixa, então através dele fazíamos muitas encomendas que eram entregues direto pra ela.
Quando criança, eu já tinha minha coleção de LPs: Balão Mágico, Xuxa (quase todos), Trapalhões…  Em K7, tinha Saltimbancos e contos de fada tipo Branca de Neve e Cinderela, que eu ouvia muito.  De CD, o mais ouvido foi com certeza Spice Girls (eu sei a coreografia de uma música até hoje hahahaha abafa…).

O rock entrou na minha vida só depois, em forma de CD. Os primeiros que comprei sozinha, na Galeria do Rock em SP, foram os do Street Bulldogs (o primeiro), Pennywise (Straight Ahead) e Bulimia (banda punk de meninas). Em K7 as primeiras que tive (ainda tenho) tinham Green Day, Holly Tree, Dead Fish, MxPx, Descendents, No Doubt, Dominatrix.

Quando descobri a paixão por LPs, fui logo buscar no acervo do meu pai e dos meus tios. “Roubei” a coleção dos Beatles, Black Sabbath, Roberto Carlos, e vários de MPB, Bossa Nova e Jovem Guarda.  Continuo abastecendo essa coleção com muito carinho… O último que chegou por aqui foi o novo do Strokes (Angles), que curti bastante, e um dos preferidos é o The Evens, que está devidamente autografado.

Gustavo Giglio (Update Or Die)

Gustavo Giglio (Update Or Die)

Quando o Tony me mandou um email pedindo um depoimento sobre lojas de disco confesso que viajei. Não consigo encontrar qual a primeira lembrança que tenho delas, mas consigo lembrar de vários momentos (vários mesmo) que vivi dentro de uma loja de discos e, principalmente, tentar definir a importância dessas experiências.

Por muito tempo, uma loja de discos, foi um evento para minha família inteira.  Era o passeio de fim de semana. Meu pai juntava todos e, no carro, ao som de Led Zepellin, Queen, Yes, Marillion e Ozzy rumavamos para uma loja de discos (a saída era exclusiva para comprar discos, ou VHS ou fitas de videogame), foram esses, os nossos passeios durante um bom tempo.

Lembro também de alguns presentes de aniversários, que mudaram minha vida. Os primeiros LPs que me apaixonei foram os do Guns n Roses, Michael Jackon, os bolachões do Led Zeppelin. Viajava (e ainda viajo) nas artes, nas fotos, nos logos…  Lá no comecinho da década de 90 ganhei o meu primeiro violão e depois os discos do Metallica (diretos de uma loja de discos). Lembro perfeitamente da loja, do dia, do vendedor de quando ganhei a trinca Kill´Em All, Ride the Lightning e Master of Puppets, não tenho nem como dizer qual foi o impacto disso em minha vida. Foi depois disso que quis tocar Baixo e foi em uma loja de discos na Santa Ifigênia que comprei a minha primeira guitarra.

Na mesma época fui apresentado (novamente pelo meu pai) à Galeria do Rock. Passou a ser um local de visitas semanisl, todo e qualquer dinheiro guardado tinha destino certo: comprar discos, vinis, bootlegs, lançamentos, raridades. Hoje, a paixão continua (continuo comprando todos os lançamentos das minhas bandas preferidas e agora estou novamente na fase dos vinis… ter feito uma limpa na casa dos meus pais me deu um bom volume de discos).

Tentando resumir um pouco: durante toda a minha curiosa adolescência, as lojas de discos foram minha fonte de informação, onde eu folheava os encartes, onde eu pesquisava bandas e estilos, onde era fisgado pelas capas, fotos e ações promocionais. Cresci sonhando em ter o meu disco, minha banda (realizado durante os anos de 2004 a 2007 com a Sé7ima – www.myspace.com/se7ima). Era lá que eu conhecia os discos antes de assistir os clipes na MTV ou ouvir nas rádios. Foram os discos que me levaram para as revistas nacionais e importadas, foram as capas dos discos que me levaram para o design, foi essa paixão que me fez músico e apaixonado por shows ao vivo, foi a música que me levou para os quadrinhos, e para a internet e tudo isso aconteceu dentro de horas em lojas de disco.

E hoje posso dizer que tenho mais discos que amigos.

Daniel Corrêa (Deck)

Daniel Correa (Deck)

“Room on fire” do The Strokes junto do “Californication” do Red Hot Chili Peppers e um combo com os vinis do “The Joshua Tree” e “Achtung Baby” do U2. Esses foram meus primeiros cds e vinis comprados, no mesmo dia, com uma mesada gorda.
Lojas de disco sempre me atraíram muito, as capas, o som. Principalmente as de vinil. Conheci muita coisa boa com nessas lojas. E isso é algo que a internet não substitui.

Daniel Avelar (Plastic Fire)

Daniel Avelar (Plastic Fire)

Foto por Rafael Passos

O disco em si é mágico né.
Eternizar todo aquele momento de sua vida, seja você o autor de tal obra, ou um mero comprador. Lembro( aliás, não tem como esquecer) o todo tempo, do cheiro dos vinis semi-velhos do meu primo, que possui uma vasta coleção em nosso quarto. Vai dos megas clássicos ”África Brasil” e ”A Tábua de Esmeralda ” do meu conterrâneo suburbano Jorge Ben(sem Jor), Pice of Mind e The Number of The Beast dos mestres Iron Maiden, passando por Rocket to Russia do Ramones, Destroyer do Kiss (Detroit Rock City foi umas das primeiras músicas que tirei na guitarra) o “‘Album branco” dos Beatles,  ‘State of Euphoria ‘ do Anthrax, chegando a Elis Regina, etc.. Isso tudo fez(faz) parte da minha formação musical.

Luis Rodrigues (Deck)

Luis Rodrigues (Deck)

Muito difícil lembrar dos primeiros, mas me lembro que com certeza entre os que figuravam nas minhas estantes ainda solitários no começo da minh coleção estavam o “Californication”, o “Bleach” e, improvável mas não menos importante o “Maybe You’ve Been Brainwashed Too” dos extintos New Radicals.

Lojas de disco fizeram parte da minha vida tanto quanto ir jogar futebol ou qualquer outra coisa do tipo. Tinha algumas favoritas, e me lembro muito bem de aguardar ansiosamente os lançamentos que eu mais esperava pra ir correndo lá e comprar, como aconteceu por exemplo com o “There’s Nothing Left To Lose”, do Foo Fighters e com o “By The Way”, do RHCP. Lojas de discos dão saudade.

Johnny (Califaliza)

Johnny Califaliza

Antes mesmo de eu pisar em uma loja de discos, eles já estavam em minha estante. Elvis, Dire Straits, Bob Dylan, Nazareth, Belchior, Raul Seixas, tudo aquilo que meu pai ouvia na época. Passei alguns anos só ouvindo Elvis, até conseguir minha maior relíquia, o primeiro álbum do Bob Dylan, de março de 1962 em um clássico vinil da época. Foram dias e dias ouvindo lado A, lado B, lado A, lado B, lado B, lado A…

Alguns vinis dá época que já peguei na mão que não vou esquecer foram do RAMONES “Mondo Bizarro”, Sex Pistols “Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols”, e o Elvis Costello “This Year’s Model”.

Um ótimo vinil que ainda escuto de vez enquanto é o “That’s The Way it Is” do Elvis Presley. E tenho que pegar de volta o Dire Straits  “Brothers in Arms”  que está emprestado.