Iron Maiden em São Paulo por Bruno Santana

Iron Maiden em São Paulo

O nosso leitor Bruno Santana esteve no show do Iron Maiden no Estádio do Morumbi e nos enviou sua resenha contando como foi a passagem da donzela de ferro na terra da garoa. Confira.

 

Iron Maiden: Além da Fronteira Final

Todos os shows têm sempre o mesmo ritual. Não era a primeira vez que eu assistiria ao Iron Maiden, mas sempre parece inédito. É uma banda que se transforma no palco. A cada turnê, a cada ano, a cada minuto de show.

Os dois primeiros que eu vi da donzela faziam parte da “Somewhere Back in Time World Tour”. Em 2008 foi no antigo Parque Antártica, uma apresentação perfeita, recheada de clássicos como “Aces High”, “Revelations, Wasted Years”, “Powerslave” e “Rime of the Ancient Mariner”. Em 2009 foi um caos com filas sem fim (foram 5 horas de espera para entrar) e uma lamaceira dentro de Interlagos; provas de que realmente o autódromo só serve para corridas de automobilismo.

De qualquer forma foram shows inesquecíveis compensados com a aparição do Eddie Cyborg (em 2008 e 2009) e da múmia gigante (em 2009). Mas não estou aqui para falar do passado e sim do presente. Mais uma vez, conforme prometido, o Ed Force One aterrissou em terras brasileiras. Pela primeira vez a turnê incluía uma data no maior estádio do Estado de São Paulo, o Morumbi.

Quando falamos de lugares grandes, os fãs de Iron Maiden já ficam de cabelo em pé com medo das filas quilométricas. Dessa vez os amantes do heavy metal ganharam um prêmio. Fila praticamente nula. Cheguei ao estádio por volta das 17h e não peguei fila; ao contrário, eu e meus companheiros de show ficamos injuriados procurando a entrada do “curral” que leva para os portões. Mas só de ver tudo vazio era um alívio. Passagem normal pela revista. Ainda na parte interna do estádio dei uma olhada no merchandising oficial, com seus preços sempre salgados.

Iron Maiden em São Paulo por Bruno Santana

Quando começamos a ver a luz do dia novamente era sinal de que a pista estava próxima. Já no gramado do Morumbi, era possível avistar umas 30 mil pessoas já acomodadas esperando o começo do show de abertura. Isso ficou a cargo dos irmãos Max e Igor do Cavalera Conspiracy. Um show que durou cerca de uma hora e reuniu músicas novas deles junto com alguns clássicos da época do Sepultura – entre eles, “Territory”.

Eram 8h30 e o coração já ia se aprontando. Ao contrário do que vinha impresso nas publicidades e no ingresso, o show começaria às 21h e não 21h30. Aproveitando-se da pontualidade britânica, quando faltavam poucos minutos para as nove da noite começou a rolar “Doctor Doctor” nos alto faltantes do estádio. Quem não é marinheiro de primeira viagem sabia que faltava pouco pro início do show. Antes do final da música as luzes apagaram e como se fosse uma coisa só, “Satellite 15” (uma espécie de introdução da faixa-título do atual álbum) foi tocada junto com um vídeo aonde apareciam cenas de ficção científica, figuras do Eddie e a silhueta de Bruce Dickinson (nas partes que tinha a voz dele).

Realmente é um início provocante, por causa das batidas de Nicko McBrain. A música vai ficando mais intensa até os 4’35’’ quando o estádio fica em silêncio por um segundo… um facho de luz revela o vocalista Bruce Dickinson e o Morumbi vem abaixo. Era o começo de “Final Frontier”. O título do novo álbum que possui uma pegada contagiante com paradinhas desafiadoras para os cinquentões do Iron Maiden.

Logo em seguida outra música nova, “El Dorado”. Alguns fãs (que nem eu) arriscaram cantá-la, mas o que empolgou mesmo foi a próxima – “2 Minutes to Midnight”. Confesso que eu não gostava da nova “The Talisman”, mas depois que de vê-la ao vivo passei a ouvir todos os dias. Mas o mesmo não aconteceu com “Coming Home”, foi o momento morno do show porque ainda não é uma música que grudou nos tímpanos dos amantes da banda.

Iron Maiden em São Paulo por Bruno Santana

O show voltou a esquentar com a introdução nos violões de “Dance of Death”. Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers deram um verdadeiro show nessa faixa. Mas não só nessa e também não só os três guitarristas, a banda toda; aí entram Steve Harris, Nicko McBrain e Bruce Dickinson. Nem parecem que estão mais de 30 anos na estrada. A banda tem um ar jovem no palco, se movimentam de um lado a outro e levantam qualquer público. Uma consideração pertinente: eu costumo dizer que a voz Bruce Dickinson é como vinho, a cada ano que passa fica melhor.

Não é a troco que os 50 mil expectadores que foram até o Morumbi enlouqueceram quando o pano que faz parte do cenário foi trocado para a figura do Eddie vestido de soldado inglês. Todos sabiam que chegou a hora de ouvir ‘The Trooper”. Bruce aparece vestido igual ao mascote da banda, segurando uma grande bandeira do Reino Unido. Não tem uma pessoa que não cante o refrão mais simples e contagiante do heavy metal: OOOOOoooooOOOOooooOO (mais ou menos isso, risos).

Dois hits do “Brave New World” não foram esquecidos. “The Wicker Man” e “Blood Brothers” (dedicada aos japoneses e aos povos que atualmente vivem conflitos). Mais uma música do atual trabalho, “When the Wild Wind Blows”. Depois disso, começam os memoráveis acordes de “Evil that men do”. Para a surpresa de todos, quem invadiu o palco? O Eddie e chegou travando a tradicional batalha contra Janick Gers; um roaddie ainda trouxe uma stratocaster branca pra ele “tocar”. Logo em seguida uma música clássica que sempre faz um show de luzes em qualquer lugar em que é tocada (de isqueiros, celulares e flashes de câmera). De qual estamos falando? “Fear of the Dark”.

Iron Maiden em São Paulo por Bruno Santana

Mais de uma hora e meia de show, é chegada a hora de “Scream for me São Paulo! The Iron Maiden”. A música que leva o mesmo nome da banda. Pois é, quem estava no Morumbi não sabia o que os aguardava. Depois do pequeno solo de bateria e baixo, uma surpresa. Duas mãos gigantes vão surgindo de cada lado do palco e uma cabeça gigante aparece ao centro, bem acima da bateria. O Eddie gigante da turnê do Final Frontier era revelado pela primeira vez para o mundo e foi justamente para o público paulista. Nessa hora que todos viram crianças. Não tem uma alma que não fique com um sorriso no rosto ou com os olhos brilhando ao ver o incrível boneco do Eddie.

A banda se despede do palco pela primeira vez. Foi um bis curto, em menos de cinco minutos já podemos ouvir algumas palavras nos alto falantes que levam o público ao delírio: “Woe to you, oh earth and sea, for Devil sends the Beast with wrath, because he knows the time is short… Let him who hath understanding reckon the number of the beast… for it is a human number, it’s number is six hundred sixty six”.

Eis que a besta é solta. A música mais famosa do Iron Maiden, faixa título do álbum que fez a banda ser conhecida em muitos cantos do mundo. Ela vem seguida de “Hallowed be thy name”, que faz parte do mesmo álbum e é tão clássica quanto. Pra encerrar, uma música bem conhecida do público maidemaníaco, “Running Free”. No meio dessa música, Bruce aproveitou para apresentar a banda, conversou com o público e disse que o show foi gravado para usar em futuro material da banda. Vamos ver se logo logo surge algum dvd novo sobre a turnê Final Frontier.

Pra baixar a adrenalina, nada melhor que uma lata de guaraná estupidamente gelada ouvindo “Always Look on the Bright Side of Life”, música de Monty Python que sempre toca nos alto falantes no final dos shows da donzela. Mais um show do Iron Maiden acabou com o gosto de que valeu a pena – novamente.

Iron Maiden em São Paulo por Bruno Santana

“Oh Well, wherever. Wherever you are. Iron Maiden’s gonna get you – no matter how far” – Steve Harris (álbum Iron Maiden – 1980)

 

Iron Maiden – The Final Frontier World Tour (Second Leg)

Estádio do Morumbi, São Paulo – SP

  1. “Satellite 15… The Final Frontier”
  2. “El Dorado”
  3. “2 Minutes to Midnight”
  4. “The Talisman”
  5. “Coming Home”
  6. “Dance of Death”
  7. “The Trooper”
  8. “The Wicker Man”
  9. “Blood Brothers”
  10. “When the Wild Wind Blows”
  11. “The Evil That Men Do”
  12. “Fear of the Dark”
  13. “Iron Maiden”

Encore

  1. “The Number of the Beast”
  2. “Hallowed Be Thy Name”
  3. “Running Free”