
Na intersecção entre o caos da metrópole e o acolhimento do encontro, a cena independente ganha um fôlego com a chegada do Julieta Social. Mais do que uma banda, o projeto se apresenta como um organismo vivo e mutável, onde a rotatividade de artistas e a soma de vozes transformam cada canção em um experimento coletivo.
Com o lançamento do álbum homônimo, Julieta, o grupo paulistano nos entrega um mapa sentimental de quem vive a urgência do agora, equilibrando incertezas com a beleza da criação compartilhada.
O que diferencia o Julieta Social é sua identidade aberta. Capitaneado pelo núcleo de Rafael Bastos, João Durão, Rodrigo Mattos e Rubens Adati, o projeto abre as portas para convidados em todas as faixas, permitindo que a sonoridade respire influências distintas a cada acorde. O resultado é um trabalho lançado pela Seloki Records que não se deixa prender a prateleiras: é música pop na essência, mas com o espírito livre e experimental do rock alternativo.
Continua após o post
Sobre o álbum
Musicalmente, Julieta é um mosaico de referências que atravessa décadas e fronteiras. É possível sentir a elegância do Clube da Esquina e o groove de Jorge Ben caminhando lado a lado com as guitarras texturizadas do Radiohead, o desleixo charmoso do The Strokes e o psicodelismo moderno de Tame Impala.
O disco funciona como uma narrativa cinematográfica de um final de semana comum. A jornada começa na euforia elétrica da sexta-feira com “Casos de Colômbia“, onde guitarras de blues pós-punk e a voz de Mariana Estol confrontam expectativas vazias. O percurso passa pelo recolhimento do amanhecer no soul psicodélico de “Nuvem Nua“, flerta com o easy listening em “Dorme Pra Ver Se Me Esquece” e atinge momentos de brilho solar em “Quem Nunca Quis Demais“, que evoca a brasilidade pop de Lulu Santos. Perto do fim, o grupo ainda encontra espaço para o alt-disco em “Como Te Dizer” e homenageia o balanço de Tim Maia em “Rubbish Shuffle (Por Favor Não Me Abandone Mais)“, encerrando a experiência na suspensão temporal de “Poodle Marciano“.
Continua após o vídeo
Seu processo criativo
A força do Julieta Social reside em suas composições, que abordam a juventude não como um conceito abstrato – mas como uma vivência crua de afeto, angústia e descoberta. Gravado no Inhame Estúdio e mixado por Alexandre Capilé, o álbum assume o tempo orgânico das coisas: são processos iniciados em 2022 que finalmente florescem em 2026.
As participações de nomes como Nia, Giovanna Vox, Mike O’Brien e outros, reforçam que o “Social” no nome não é apenas um adjetivo, mas um compromisso ético e artístico. A banda já deixou sua marca em palcos icônicos do underground paulistano e em atos de resistência cultural, como a homenagem ao diretor Zé Celso nas Satyrianas, provando que sua música está profundamente conectada com o pulso da cidade.
Continua após o vídeo
Julieta Social – Julieta
Julieta é um registro honesto de um ciclo que se fecha para que outros possam começar. É um disco que celebra a dúvida, o encontro fortuito e a potência de se fazer arte em grupo. Para quem busca uma sonoridade que seja, ao mesmo tempo, um abraço e um questionamento, o Julieta Social é o destino certo.
Fica o convite: mergulhe nessa narrativa de 38 minutos, se perca entre os sintetizadores e as poesias cotidianas, e se prepare para acompanhar de perto um projeto que, em sua inquietude, nos lembra que a arte mais bonita é aquela feita em mutirão. Sem dúvida, é Pra Ficar de Olho.
OUÇA AGORA MESMO A PLAYLIST TMDQA! RADAR
Quer ouvir artistas e bandas que estão começando a despontar com trabalhos ótimos mas ainda têm pouca visibilidade? Siga a Playlist TMDQA! Radar para conhecer seus novos músicos favoritos em um só lugar e aproveite para seguir o TMDQA! no Spotify!