Hardcore melódico da Marinas Found explora dores do crescer no novo álbum "Saudade"
Foto por Pedro Frio

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  • O álbum 'Saudade' da Marinas Found aborda a vida adulta com suas rupturas, conflitos e a busca por seguir em frente sem perder a essência.
  • A banda, originária de Pelotas, traz a herança musical da cidade com uma sonoridade hardcore melódica que fala do presente.
  • Concebido na pandemia, o álbum reflete transições, angústias e memórias, mostrando o amadurecimento como um processo complexo.
  • A saudade é usada como força criativa, transformando o sentimento em otimismo e apontando para um futuro possível.
  • O álbum equilibra peso e melodia, explorando hardcore melódico, punk, rock alternativo, pop e emocore em 12 faixas.

Saudade, terceiro álbum de estúdio da Marinas Found que acaba de ganhar as plataformas digitais abrindo um 2026 repleto de lançamentos, é um disco que encara um sentimento universal sem tratá-lo como fraqueza.

Lançado após um período de isolamento, mudanças e amadurecimento forçado, o trabalho soa como um retrato honesto da vida adulta em construção: cheia de rupturas, lembranças, conflitos internos e tentativas sinceras de seguir em frente sem perder a própria essência.

Pelotas e a herança musical

Formada em Pelotas, no Rio Grande do Sul, terra que já nos apresentou a grande família Ramil — com Kleiton & Kledir e Vitor Ramil como alguns de seus expoentes máximos — a Marinas Found surge como mais uma prova de que a cidade sabe, como poucas, produzir filhos brilhantes e profundamente musicais.

Com mais de uma década de estrada no corre independente, a banda carrega essa herança cultural sem soar presa ao passado, usando o hardcore melódico como linguagem para falar do agora.

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A saudade como movimento

Concebido durante a pandemia, Saudade abraça o contexto que o originou e vai além. O álbum reflete experiências de transição, angústias, conflitos, alegrias e memórias típicas de quem está atravessando a passagem da juventude para fases mais maduras da vida. Aqui, crescer não é apresentado como conquista absoluta, mas como um processo cheio de perdas, reavaliações e escolhas difíceis.

O título do disco ajuda a entender esse movimento. A saudade que atravessa o álbum não é paralisante nem excessivamente nostálgica. Ela aparece como uma tentativa de reconciliação com um tempo mais leve e espontâneo, não necessariamente ligado à idade, mas a uma forma mais livre de estar no mundo.

Em vez de olhar apenas para trás, a Marinas Found transforma esse sentimento em força criativa, apontando para um futuro possível e, acima de tudo, otimista.

Peso, melodia e vulnerabilidade

Musicalmente, o álbum reforça uma das marcas mais fortes da banda: o contraste entre uma sonoridade pesada e uma estética vibrante. O hardcore melódico da Marinas Found ganha novas camadas ao dialogar com punk, rock alternativo, pop e emocore — gênero que vive uma onda recente de redescoberta. Ao longo de 12 faixas, o disco conduz o ouvinte por uma jornada emocional que equilibra intensidade e vulnerabilidade, peso e sensibilidade.

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Canções que organizam o caminho

Os singles ajudam a mapear bem esse percurso. “Rito” abriu a era do álbum refletindo sobre crescimento pessoal, reconexão e cura emocional após períodos difíceis, especialmente os vividos durante a pandemia. A faixa alterna agressividade e contemplação, traduzindo bem o estado emocional de quem tenta se reorganizar internamente.

“Pule o Muro”, por sua vez, evidencia a versatilidade da banda ao flertar com o emo e o rock alternativo, antecipando a diversidade estética que se expande no disco completo.

Cidades, raízes e gerações

“Cidades Vizinhas” se destaca como um dos momentos mais simbólicos de Saudade. A faixa conta com a participação de Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish e um dos expoentes máximos do hardcore melódico nacional, em um encontro que representa a conexão entre diferentes gerações do estilo.

Inspirada na cidade natal da banda, a música aborda a relação ambígua com o lugar de origem entre o afeto e o sentimento de aprisionamento, o desejo de partir e a vontade de voltar.

A imagem das antigas luzes amarelas dos postes, substituídas por LEDs frios, funciona como metáfora da perda de vínculos afetivos e da transformação dos espaços que antes eram familiares. Nós contamos essa história aqui de como esse encontro aconteceu e a admiração de Rodrigo pelos guris.

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Seguir sem baixar a cabeça

Mais do que um álbum sobre memória, Saudade é um disco sobre não baixar a cabeça. Gritar e celebrar com os amigos, reclamar da própria cidade, rir dos dramas do crescimento, levantar para mudar o que é coletivo e retomar o amor pela vida são gestos que atravessam o trabalho.

A Marinas Found não romantiza a vida adulta, mas também não se entrega ao cinismo: há cansaço, crítica e frustração, mas há, sobretudo, vontade de seguir.

Quando amadurecer vira força

Saudade consolida a Marinas Found como um dos nomes mais consistentes do hardcore melódico do Sul do Brasil e prova que a filosofia do DIY na qual a banda é forjada, é sim capaz de levar bandas a um lugar ao sol.

Um álbum honesto, emocional e coletivo, que transforma lembrança em ação e mostra que amadurecer não precisa significar perder intensidade, apenas aprender a direcioná-la melhor.

Este é o terceiro álbum de estúdio da banda que hoje é Pedro Soler (voz e guitarra), Eduardo Walerko (guitarra e voz), Mike Pires (baixo) e Murilo Uarth (bateria e voz).

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