Arctic Monkeys em 2006
Arctic Monkeys em 2006

Veja o resumo da notícia!

  • O álbum de estreia do Arctic Monkeys, 'Whatever People Say I Am, That's What I'm Not', lançado em 2006, marcou a cena Indie e alternativa.
  • Apesar do impacto de outros álbuns, o disco de 2006 permanece uma referência, abrindo caminho para um novo som no mainstream.
  • Em entrevista à NME, Alex Turner compartilhou detalhes sobre a criação de cada faixa do álbum, revelando inspirações e processos.
  • As letras refletem experiências noturnas, frustrações com bandas falsas e a observação da vida social em Sheffield.
  • As músicas abordam temas como a busca por diversão, encontros amorosos e a realidade das ruas da cidade.

Em Janeiro de 2006, uma banda de Sheffield, na Inglaterra, mudaria o rumo do Rock mesmo sem grandes pretensões. Estamos falando do Arctic Monkeys, que lançou naquele momento o emblemático disco Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, peça fundamental no desenvolvimento da cena Indie e alternativa por anos a fio.

Até hoje, claro, a influência dos Monkeys é sentida e remete ao primeiro trabalho oficial do grupo. Mesmo com o impacto gigantesco de outros álbuns, especialmente AM (2013), é difícil pensar que outra obra tenha se tornado uma referência tão grande quanto o disco de 2006, que abriu as portas para um novo som tomar conta do mainstream.

Recentemente, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not completou 20 anos e muito se falou sobre o disco. Um dos contemporâneos de cena do AM, por exemplo, Luke Pritchard (The Kooks) falou bastante sobre como foi viver essa época em uma nova entrevista, mas é claro que muitos fãs queriam mesmo era ouvir algo sobre dos próprios Monkeys.

Como tem sido seu perfil nos últimos anos, no entanto, a banda não se manifestou de nenhuma maneira grandiosa. Porém, voltando 20 anos atrás, é possível mergulhar em uma espécie de “faixa a faixa” do álbum de 2006 feito pelo próprio Alex Turner para a revista NME e resgatado por um fã nas redes sociais nos últimos dias.

Você pode ver a revista original clicando aqui e, logo abaixo, confira as traduções dos bastidores de cada canção revelados por Alex!

Alex Turner e um faixa a faixa do primeiro disco do Arctic Monkeys

1. “The View From the Afternoon”

“Essa foi uma das últimas músicas escritas para o álbum. Não há nada de inteligente, é só sobre ficar ansioso pela chegada da noite, encontrar conforto na familiaridade e o fato de que você sabe que está fadado a mandar uma mensagem idiota ou algo assim antes do Sol nascer. Eu acho que parei de fazer isso agora.”

2. “I Bet You Look Good on the Dancefloor”

“Eu tenho a impressão de que muita gente imagina uma cena ao anoitecer quando eles ouvem essa, mas pra mim ela traz imagens do dia. ‘Lasciva’ provavelmente é uma boa palavra para descrevê-la. Está longe de ser nosso melhor trabalho mas eu não vou ficar falando sobre isso de novo.”

3. “Fake Tales of San Francisco”

“Nós tocamos essa música pela primeira vez em 2004 conforme o verão chegava ao fim. Naquela época, nós tínhamos acabado de começar a fazer o que pareciam ser vários shows – às vezes ficávamos malucos e tocávamos duas vezes na semana – e por isso estávamos esbarrando em várias outras bandas que estavam em um momento parecido com o nosso. Os shows geralmente eram quatro bandas ou às vezes mais, ninguém na plateia exceto algns dos amigos ou namoradas que iam embora sempre que podiam. As bandas raramente tinham algo em comum, musicalmente ou de outra forma, e ali do lado de adolescentes raivosos de 13 anos tocando Green Day ou qualquer coisa você achava os babacas descolados que forneceram o assunto para a letra de ‘Fake Tales…’.

Se é uma terça-feira à noite em Sheffield, tudo bem, pra que fingir que é outra coisa? Eu acho que a forma mais fácil de descrever essa música é como o som resultante de ficarmos irritados com as pessoas fingindo. Outra forma de descrever seria que é o som resultante de quando temos algo para reclamar – dependendo de quão profundo você quer que isso soe.”

4. “Dancing Shoes”

“É a música mais antiga ali. É sobre as pessoas sempre tentando se dar bem na noite quando saem de casa, não importa o quanto tentem esconder.”

5. “You Probably Couldn’t See for the Lights But You Were Staring Straight at Me”

“Eu gosto do arranjo dessa porque não tem um refrão propriamente dito e não faz a mesma coisa mais de uma vez. É a nossa canção de amor, eu acho. É sobre uma garota que nós conhecíamos que estava em uma banda.”

6. “Still Take You Home”

“Algum tempo atrás, antes de toda essa loucura, o almofadinha do Jamie Cook e eu estávamos sentados em uma boate da cidade uma noite. Começou uma conversa sobre a clientela deste estabelecimento em particular e esse pequeno bate-papo e outros eventos daquela noite levaram a esse som. Eu me lembro de uma garota de cabelos pretos em um vestido verde que foi uma inspiração em particular.”

7. “Riot Van”

“Essa é um pouco contrária à lógica, eu acho, em termos de em qual época ela se passa. Eu penso que a maioria das músicas acontece no presente, enquanto essa é mais em algo como 1999 ou 2000, quando tínhamos 14 anos ou algo assim, mesmo que tenha sido escrita na mesma época que todas as outras. ‘Bigger Boys and Stolen Sweethearts’ também acontece na mesma época que essa. É tudo sobre como nós costumávamos ficar de bobeira no nosso canto e as coisas que víamos. Nós nunca fomos garotos problemáticos, nós só nos divertíamos. Eu acho que o [Matt] Helders descreveu da melhor forma quando ele disse, ‘Só porque você andava com gente que podia roubar casas ou algo assim, não significava que você faria isso’.”

8. “Red Light Indicates Doors Are Secured”

“É sobre hovercrafts, obviamente. Nós gravamos o álbum na ordem que ele está sendo apresentado e fizemos uma música por dia, praticamente. Nós usamos um microfone engraçado chamado ‘bullet’ ou algo assim em ‘Riot Van’ e deixamos ele ligado quando fomos para ‘Red Light…’ para que eu pudesse gravar a guia vocal quando fizéssemos o take. Acabou que a guia ficou ótima e não gravamos de novo no fim das contas. Tinha alguns outros versos a mais escritos para essa, mas era coisa demais e nunca passou dos ensaios porque o mesmo riff ficava rodando e rodando com toda essa verborragia em cima. Todo mundo achou chato e acabamos cortando umas coisas.”

9. “Mardy Bum”

“O hit! Essa é a única gravação que não fizemos junto com as outras. Nós gravamos essa em Munique quando estávamos em turnê, em um pequeno estúdio não muito diferente do 2Fly Studio em Sheffield onde fizemos todas as nossas demos.”

10. “Perhaps Vampires Is a Bit Strong But…”

“Mais ou menos nessa época no ano passado nós tínhamos tocado um pouco fora de Sheffield e estávamos no processo de só tentar tocar em novos lugares um pouco mais. Você tinha os custos cobertos na maior parte do tempo mas era só isso – não dava pra lucrar nem nada do tipo. Nós realmente não ligávamos, nós estávamos tocando e nos divertindo e não tinha muita gente fora de Sheffield que tinha ouvido falar de nós, então não esperávamos nada em troca. Quando você falava com as pessoas sobre isso, no entanto, era algo meio rejeitado e às vezes até riam baixinho quando falávamos que estávamos tocando de graça. Todo mundo entende tudo dessa brincadeira de banda e parecia que era uma piada para muita gente – enquanto eles nos desejavam o melhor, eu acho que nas nossas costas eles estavam realmente convencidos de que estávamos apenas perdendo tempo.”

11. “When the Sun Goes Down”

“Nós tínhamos um lugar de ensaio em uma área velha e meio industrial logo fora da cidade. Várias bandas ensaiam por lá e a gente também. Tem umas lojas de sanduíches e alguns outros comércios ali durante o dia. À noite, além dos estúdios e lugares de ensaio, tem também uma atividade, digamos, menos celebrada. Quando nos mudamos para o nosso quarto, o cara do lado disse, de verdade, ‘It changes around here when the Sun goes down’ [‘Esse lugar muda quando o Sol se põe’], e você recebia ofertas de serviço [de prostitutas] na rua às vezes, ou às vezes no meio da noite aparecia um rapaz com uma sacola carregada só andando por ali quando estávamos indo embora. Parece ter meio que um tom humorístico mas na verdade é bem triste. É estranho como esses mundos diferentes existem no mesmo espaço.”

12. “From the Ritz to the Rubble”

“A coisa do segurança na verdade sou só eu fazendo uma gracinha. Ainda me pedem minha identidade quando eu vou em boates hoje em dia então quando eu realmente não tinha idade suficiente era um pesadelo tentar entrar em qualquer lugar que fosse. Eu na verdade tive uma das melhores noites da vida depois de ser rejeitado na porta uma vez, então nem sempre é uma coisa ruim. Eu me lembro de uma noite em que estava andando de volta da casa do meu amigo em Hillsborough para pegar o ônibus de volta para a nossa em um domingo e o segundo verso e a parte do ‘last night what we talked about’ foram sonhados nessa jornada. Nós sempre tentamos mostrar a mesma atenção ao ritmo e à forma como as partes funcionam juntas do que às letras e tudo mais. Eu acho que essa é um bom exemplo de quando acertamos bem nas duas.”

13. “A Certain Romance”

“Todos os nossos outros sons são bem específicos com relação a um certo incidente ou uma série de incidentes. Essa é mais reflexiva e meio que uma tentativa de resumir tudo, talvez. É definitivamente uma especial para nós e só poderia ter sido a conclusão do primeiro disco. ‘Nobheads don’t dress in a certain way’ [‘Babacas não se vestem de um certo jeito’] é um tema importante ali eu acho – pelo menos de onde nós viemos, eles não se vestem.”

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