Liquid Death (metal) em cosméticos (?)

Veja o resumo da notícia!

  • A colaboração entre e.l.f. Cosmetics e Liquid Death transcende a publicidade tradicional, buscando ocupar um espaço cultural mais amplo.
  • O lançamento do Lip Embalm demonstra uma intenção que vai além do exercício criativo de uma colaboração comum entre marcas.
  • A campanha compete com diversos formatos de conteúdo online, adotando uma lógica similar à da música na criação de identidade.
  • A colaboração explora a tensão entre universos distintos, unindo cosméticos acessíveis e a estética agressiva da Liquid Death.
  • As marcas atuam como parte de um projeto criativo unificado, onde a marca se comporta como conteúdo, excluindo parte do público.

A Liquid Death fez de novo. E, mais uma vez, acertou. 

Existe um momento curioso em que a publicidade deixa de pedir licença e simplesmente se apropria das coisas e sobe ao palco.

O filme da colaboração entre e.l.f. Cosmetics e Liquid Death é exatamente isso: não um comercial tentando vender um produto, mas uma tentativa de ocupar espaço cultural.

O lançamento do Lip Embalm, um balm labial embalado como se fosse uma mini lata da Liquid Death, poderia ser apenas mais um exercício criativo de collab. Mas a execução deixa claro que a intenção é outra. 

Esse filme não tenta competir com anúncios. Ele “compete” com vídeos, memes, clipes, trailers e qualquer outra coisa que dispute atenção no feed. 

A lógica aqui é muito próxima da música: não é sobre agradar todo mundo, é sobre criar identidade. Bandas que tentam soar universais demais costumam ser esquecidas rápido. As que assumem risco criam fãs e também haters. Ambas são sinais de vida.

O marketing da Liquid Death sempre entendeu isso muito bem. A e.l.f. entendeu que, para jogar esse jogo, não bastava “emprestar o logo”. Era preciso entrar no universo estético, no humor e no exagero.

No mundo da música, as colaborações mais interessantes quase nunca são as mais óbvias. Elas funcionam quando criam tensão: gêneros diferentes, públicos distintos, estéticas que se estranham antes de se encontrar. Aqui acontece a mesma coisa. Cosméticos acessíveis e uma marca de bebida que se construiu com ironia, visual agressivo e referências quase caricatas da cultura heavy. Não faz sentido imediato e é exatamente por isso que funciona.

O ponto mais interessante desse movimento é que nenhuma das marcas parece estar “patrocinando” a outra. Ambas atuam como se fossem parte do mesmo projeto criativo. Isso é raro. A maioria das marcas ainda opera como anunciante tentando se infiltrar em territórios culturais. Aqui, a sensação é oposta: a marca se comporta como conteúdo.

Esse tipo de campanha inevitavelmente exclui parte do público. Quem espera uma explicação clara do produto talvez se frustre. Quem não compartilha desse humor pode achar exagerado. Tudo certo.

Marketing, quando funciona de verdade, se aproxima muito mais da lógica da cultura do que da lógica da propaganda.

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Gustavo Giglio
Kill Your Logo - Reinventando marcas com atitude

Coluna dedicada a explorar como o marketing pode transformar bandas em marcas icônicas e vice-e-versa. Com mais insights sobre música, estratégias criativas e cases de sucesso, a coluna pretende desvendar o universo em que música e negócios se encontram.

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