Infinito Latente, em foto por Igor Sganzerla e Retalho Music
Foto por Igor Sganzerla e Retalho Music

A Infinito Latente é fruto de um encontro que parece ter sido desenhado pelo tempo. Idealizado por Maira Bastos e João Dussam, o projeto nasceu da espontaneidade e da forte cultura autoral do interior paulista, mais especificamente do Vale do Paraíba. O que começou como uma troca entre vozes e violão se transformou em um quarteto completo, com Igor Sganzerla nos teclados e Pedro Sardenha no baixo, focado em traduzir a inquietude de mentes que não param de criar.

Com o álbum de estreia Sem Início Nem Fim, lançado nesta quinta-feira (22) pelo selo Retalho Music, a banda não entrega apenas música; entrega presença, acalento, sentimentalismo. Gravado entre a capital paulista e as paisagens inspiradoras de São Luís do Paraitinga, o disco é um mergulho em 11 faixas que funcionam como um fluxo contínuo de pensamento. Sob a produção sensível de Gabriel Olivieri, o grupo funde a base clássica da MPB com as texturas modernas do indie pop e do lo-fi, criando uma sonoridade etérea que abraça o ouvinte logo nos primeiros acordes.

O projeto é uma viagem emocional que atravessa o existencialismo e o cotidiano. Se em singles como “Fora do Ar” e “Aqui Dentro” a gente já sentia um aviso de que algo profundo estava por vir, o álbum completo confirma esse pressentimento. É um trabalho sobre se jogar no movimento do tempo e encontrar a liberdade – mesmo quando o destino ainda parece incerto.

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O existencialismo que a gente sente junto

Sabe aquela sensação de que os pensamentos estão sempre pairando, sem encontrar um lugar para pousar? Sem Início Nem Fim fala exatamente sobre esse estado de suspensão. Faixas como “Fica Bem” e “Cores” trazem à tona o que muitas vezes não conseguimos verbalizar, usando camadas de sintetizadores e batidas eletrônicas para criar um contraponto tecnológico ao violão orgânico. As composições servem como um espelho das nossas próprias batalhas internas, convidando-nos para aceitar que nem tudo precisa de um começo ou um fim definido.

A sonoridade do disco é um espetáculo de texturas. Enquanto “Amanhãs Azuis” abre o trabalho com a calmaria de um despertar, músicas como “Deixa Eu” e “Gota por Gota” revelam um lado mais romântico e quente, temperado por metais que trazem uma deliciosa pitada de latinidade. Já em “Nosso Quadro”, o grupo mostra que também sabe ser barulhento, equilibrando a explosão das guitarras com a doçura vocal de Maira em um refrão catártico que ecoa como um desabafo necessário.

Sem Início Nem Fim já está disponível em todas as plataformas de streaming e é um convite irrecusável para quem busca uma música brasileira que foge do óbvio. Se você quer se permitir uma dose de poesia musicada com uma produção que gruda na alma, dê o play e deixe o universo da Infinito Latente te habitar.

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