
Veja o resumo da notícia!
- O novo álbum do Kreator, 'Krushers of the World', é descrito como uma afirmação da identidade da banda, mantendo a receita de thrash metal consagrada.
- A produção de Jens Bogren garante um som grande, nítido e agressivo, enquanto a arte de capa de Zbigniew Bielak reforça a mitologia da banda.
- As letras do álbum seguem o tema da revolta espiritual, política e coletiva, mantendo o discurso característico da banda ao longo das décadas.
- O Kreator presta homenagem ao cinema de terror em seus videoclipes, referenciando clássicos como Suspiria e Hellraiser, expandindo sua estética.
Sim, amigos: o novo disco do Kreator é arroz com feijão, aquela mistura mágica que entrega a cadeia completa de aminoácidos essenciais ao organismo. Sustenta, fortalece e não inventa moda. E ainda bem. Porque quem não quer ouvir algo como Krushers of the World talvez esteja procurando Limp Bizkit ou qualquer outra coisa que não se pareça com um tanque de guerra descendo a ladeira. O Kreator não muda a receita que o consagrou há mais de 40 anos e, que eu saiba, ninguém pediu por isso mesmo.
Krushers of the World vem rodando nos fones de ouvido há uma semana e chega como o 16º álbum de estúdio do Kreator, funcionando menos como reinvenção e mais como afirmação. Depois do documentário Hate & Hope e da autobiografia em livro de Mille Petrozza (Your Heaven, My Hell), a banda parece ter entendido que já disse tudo o que precisava fora do estúdio. Agora é hora de deixar a música falar e ela fala alto.
Quer dizer, nem tudo: a autobiografia de Mille ainda não tem previsão de ser traduzida para o português nem de ser lançada no Brasil; e, nos últimos anos, ele — bastante dedicado ao ativismo pelos direitos dos animais — prometeu um grande hino vegano do Kreator. Ele não veio em Krushers of the World, e eu continuarei esperando por isso, talvez por algo no espírito de “Violent Revolution“, cujo clipe já dava pistas desse lado seu.
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Produzido novamente por Jens Bogren, parceiro já testado em Phantom Antichrist e Gods Of Violence, o disco soa exatamente como se espera: grande, nítido, agressivo e sem gordura. A arte de capa assinada por Zbigniew Bielak (Ghost) ajuda a enquadrar o momento como algo quase cerimonial: o Kreator olhando para sua própria mitologia e dizendo: “sim, somos isso mesmo”. Bogren trabalhou com Sepultura e Angra, anote.
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Os primeiros contatos com o álbum reforçam essa sensação de conforto brutal. Entre anúncios de singles como “Seven Serpents” e “Satanic Anarchy”, fica claro que o Kreator não está exatamente preocupado em alinhar planilhas de marketing, mas sim em entregar thrash metal direto ao ponto. “Satanic Anarchy” é praticamente um manual da fase moderna da banda: riffs acelerados, refrão de punho cerrado, solo afiado e três minutos e meio de violência controlada. Nada sobra, nada falta.
Anarquia é espiritual, política e coletiva
Liricamente, o Kreator segue fiel ao seu evangelho particular: revolta como estado mental. Nada de satanismo de vitrine, aqui a anarquia é espiritual, política e coletiva. Quebrar o feitiço da obediência, resistir à tirania, incendiar o medo. É o mesmo discurso de décadas atrás, mas ainda assustadoramente atual. Se isso é repetição, então que se repita mais alto.
Já no campo visual, a banda aprofunda sua afinidade com o cinema de terror e presta homenagens ao clássico cult de Dario Argento, Suspiria (1977), no single “Tränenpalast” (feat com Britta Görtz do Hiraes) e seu videoclipe correspondente e em “Satanic Anarchy“, referenciando Hellraiser (1987), de Clive Barker. Um tributo à imaginação que combina perfeitamente com a banda: prazer, dor e caos compartilhando a mesma chave enferrujada.
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Esmagando o mundo
Como se não bastasse, o Kreator ainda anunciou uma turnê colossal pela Europa e Reino Unido para março e abril de 2026, acompanhado por Carcass, Exodus e Nails. Traduzindo: não é só arroz com feijão, é aquele prato servido em bandejão de aço cheio de “sustância”!
No fim das contas, Krushers Of The World não quer mudar o mundo, quer esmagá-lo do jeito que o Kreator sempre esmagou: com honestidade, volume e convicção. Enquanto professores da escola alemã de thrash, o Kreator é um ataque frontal quase bélico embora, sim, tenha amadurecido o som para um lado menos cru e mais técnico, ainda assim, diferente dos primos thrashers americanos, mais variados e calculados. E depois de mais de 40 anos, isso não é comodismo. É identidade.
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