
Veja o resumo da notícia!
- Guilherme Arantes reflete sobre sua carreira e os desafios da indústria musical brasileira, marcados por mudanças tecnológicas e exclusões.
- O músico aponta a ascensão de novos gêneros e a ênfase na 'escala de milhão' como fatores que impactaram sua geração nos anos 90.
- Arantes destaca a importância da imagem na indústria, o que o levou a se distanciar das grandes gravadoras e criar seu selo independente.
- Músicos comentam o texto de Arantes, ressaltando a atemporalidade de sua obra e a relevância de suas reflexões sobre a indústria.
O icônico Guilherme Arantes compartilhou uma importante reflexão sobre sua trajetória, ao mesmo tempo em que chamou atenção para dilemas enfrentados por aqueles que estão inseridos na indústria musical brasileira.
Na semana passada, antes de liberar seu novo disco de estúdio Interdimensional, o músico de 72 anos publicou em seu perfil do Facebook um texto em que revisitou momentos decisivos de sua carreira para expor os mecanismos de um mercado marcado por mudanças tecnológicas, exclusões e transformações estética que ajudam a redefinir quem deve continuar em destaque.
Ao pontuar questionamentos que são feitos a ele sobre sua carreira, como sua ausência em festivais históricos, em projetos como o Acústico MTV ou nas mídias especializadas, Arantes faz um panorama sobre o universo musical para argumentar sobre o assunto:
“O mundo da música é feito em camadas que se sucedem. E não são apenas as modas, em ondas… Ondas de linguagem, de costumes e roupagens, timbres, calças e cabelos… Às vezes são também os suportes tecnológicos que se renovam, e muitos nomes vão ficando para trás. Nesse aspecto, fui sobrevivendo quase sem traumas.
Só nos anos 90, com a chegada da replicação digital (o desastroso CD, não pelo veículo em si, mas pelo mau uso que fizeram com o imediatismo) as gravadoras inventaram, ou aproveitaram melhor dando mais ênfase a artistas para a ‘escala de milhão’, e surgiram os filões adequados (Axé, Pagode, e o Neo-Sertanejo).”
Apontando que os diferentes gêneros “são sempre válidos”, o músico reflete que o problema está no “hype” artificial presente na indústria. Afirmando que sua geração sentiu o baque com as concorrências, Guilherme relembra da ascensão “inexorável e plenamente justificada do Agro”, e também o crescimento da música baiana, do pagode e do Rap, “tendo à frente, entre outros, os Racionais de Mano Brown, de quem me tornei fã ardoroso de primeira hora”.
Guilherme Arantes expõe indústria da música no Brasil ao comentar carreira
Guilherme Arantes também pontua em seu texto que, em determinado momento, viu o disco, que era até então o foco principal, se tornar “um suporte secundário”, e a “indústria da imagem”, como ele apelidou, foi ganhando cada vez mais força. O músico admitiu que subestimou a mudança estética provocada pelos videoclipes, e pontuou:
“A minha música era boa, eu sabia, e sabia que iria durar, mas aquele momento de virar a mesa esteticamente, nos vídeos, nas capas, enfim, na imagem… já há muito havia passado do ponto. Eu já era.”
O reflexo disso, segundo o músico, foi seu distanciamento das grandes gravadoras e, mais tarde, sua decisão de montar seu próprio estúdio e criar seu selo independente, passando a ser definido como “cult” e “nanico, mas respeitado”, de acordo com Arantes.
Músicos comentam texto de Guilherme Arantes
O texto de Guilherme Arantes foi compartilhado pela página Hits Perdidos no Instagram, e outros músicos se manifestaram sobre a discussão apresentada por ele, como o Black Pantera, que resumiu o impacto do desabafo com um direto “Nossa”, retratando a força da reflexão do músico.
Enquanto isso, Flávio Venturini exaltou a dimensão atemporal da obra do artista, que ele chamou de ídolo, afirmando que Arantes é “superior a todos esses ‘cancelamentos’”, e a cantora Kell Smith definiu o relato como “lúcido e doloroso”.
Tudo isso reforça como o relato de Guilherme Arantes atravessa gerações e continua sendo uma realidade para muitos artistas, além de uma lição valiosa de alguém com uma trajetória bastante única. Vale a leitura!