Ato Nortuno explora o romance tórrido de um político com certo exagero
Crédito: divuulgação

Veja o resumo da notícia!

  • Ato Noturno, exibido no Festival do Rio 2025, marca o retorno dos diretores de Tinta Bruta, destacando-se pela direção e estética visual.
  • O filme se sobressai pela direção segura, fotografia noturna e atuações intensas, criando atmosferas densas e envolventes para o espectador.
  • A trama acompanha um aspirante a ator e um político, explorando fetiches sexuais e a busca por encontros arriscados em público.
  • A narrativa apresenta problemas no desenvolvimento da história, com exageros e falta de verossimilhança no comportamento dos personagens.

Exibido no Festival do Rio 2025, Ato Noturno estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (15) como mais um filme provocativo dos diretores Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, que se destacaram anos atrás com o polêmico Tinta Bruta (2018).

A nova obra dos cineastas se sustenta, acima de tudo, pela força de sua realização. A direção demonstra domínio de linguagem e uma clara intenção estética, conduzindo a narrativa com segurança, especialmente na construção das cenas noturnas, que são filmadas com apuro técnico e sensibilidade visual.

A câmera sabe quando observar à distância e quando se aproximar dos personagens, criando atmosferas densas e, em muitos momentos, hipnóticas. Há um cuidado evidente com enquadramentos, iluminação e ritmo, o que confere ao filme uma identidade própria e consistente.

O elenco acompanha a qualidade descrita com entregas comprometidas e intensas. As atuações são contidas quando necessário e explosivas nos momentos de maior tensão, revelando um trabalho afinado entre direção e atores. Mesmo nos trechos mais frágeis do roteiro, o elenco carrega a veracidade emocional das cenas, evitando que o filme se torne raso ou caricatural.

Ato Nortuno estreia nos cinemas brasileiros

Na trama, um aspirante a ator, vivido por Gabriel Faryas, e um político em campanha, interpretado pro Cirillo Luna, iniciam um caso amoroso e desenvolvem fetiche por sexo em público. À medida que a fama os atrai, eles anseiam por encontros mais arriscados, que culminam em um clímax a favor da liberdade sexual.

No entanto, é justamente no desenvolvimento da história que Ato Noturno encontra seus principais problemas. A narrativa recorre a exageros que comprometem a verossimilhança, sobretudo na forma como constrói sua figura pública central.

Trata-se de um personagem que, pela posição que ocupa, supostamente deveria zelar pela própria imagem e agir com cautela, mas que, sem um conflito convincente ou motivação clara, passa a se expor de maneira cada vez mais descuidada.

Tal mudança de comportamento acontece de forma abrupta e pouco justificada, enfraquecendo a lógica interna do filme. A falta de um arco psicológico mais bem delineado para o personagem de Cirillo faz com que suas atitudes soem menos como escolhas dramáticas complexas e mais como conveniências do roteiro.

O resultado é um distanciamento do espectador, que passa a questionar não apenas as ações, mas a credibilidade do universo apresentado. Assim, Ato Noturno se revela um filme tecnicamente admirável e artisticamente ambicioso, com direção segura e atuações marcantes, mas que tropeça em uma história excessiva e pouco plausível.

É uma obra que impressiona na forma, mas que teria ganhado mais força se tivesse tratado seus personagens e suas contradições com maior rigor narrativo.

Confira o trailer de Ato Noturno logo abaixo!

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