Samuel Rosa em 2024
Divulgação

2024 é definitivamente um ano completamente novo para Samuel Rosa. Após finalizar a turnê de despedida do Skank em março do ano passado, inicialmente anunciada para 2019 mas pausada em razão da pandemia, o músico e compositor acaba de lançar Rosa.

Gravado entre janeiro e fevereiro desse ano e mixado alguns meses depois enquanto o músico dava as boas vindas à sua nova filha, Ava, primogênita do relacionamento do cantor com a jornalista Laura Sarkovas e terceira entre os herdeiros de Rosa, este é o primeiro álbum solo de Samuel.

Em entrevista coletiva, que contou com a participação do TMDQA!, Samuel Rosa falou sobre o processo de composição, a escolha dos músicos e banda que vão acompanhá-lo na turnê, a necessidade de iniciar um novo ciclo fora do Skank, a linha criativa por trás do novo álbum e muito mais.

Um novo Samuel Rosa

Para começar… por que se lançar ao novo depois de trinta anos de carreira? Samuel acredita que precisava ter total responsabilidade sobre o produto final de seu trabalho – e é isto que se propõe a fazer em “Rosa”.

Em uma banda, você submete todas as decisões ao crivo de quatro integrantes – no caso do Skank. cinco, porque o Fernando Furtado, empresário da banda e criador do Skank comigo, sempre tinha a palavra também. Éramos cinco cabeças pensantes. Foi um trabalho incrível, o resultado foi muito satisfatório, mas chegou uma hora em que eu achei que findou-se o ciclo. Agora está na hora de eu me resolver comigo mesmo. Me deu vontade de ter as rédeas na mão, de ser dono das minhas próprias escolhas, responder por elas, erros e acertos.

O novo trabalho é um disco novo cheio de velhos conhecidos de todos nós – tal como a Jackie Tequila. Desde a banda, que conta com o companheiro de estrada de Skank por mais de uma década Doca Rolim nas guitarras e com o baixista Alexandre Mourão, que já tocou com Samuel em sua primeira banda, o Pouso Alto, até a parceria para várias das 10 composições do disco com Rodrigo Leão, que co-escreveu clássicos como “Saideira” e “A Última Guerra”.

Samuel não vê a necessidade de começar tudo do zero. E nem deveria. Com mais de 30 anos de carreira, o recomeço é mais uma chance de, como disse o próprio cantor, “se jogar no desconhecido”.

 A perspectiva é que eu possa dar um destino semelhante a essas novas músicas ao que eu trouxe para as canções do Skank.

As Geraes e a inspiração para o disco solo

A mescla de colaborações de Rosa também traz novos nomes para a lista de parcerias de Samuel.

Pedro Pelotas, Carlos Rennó e João Ferreira (da Daparte) entram para a lista de compositores e letristas, assim como Pedro Kremer (tecladista da Cachorro Grande) e Marcelo Dai (baterista da nova geração, apresentado a Samuel por seu filho Juliano Alvarenga) completam a banda que acompanhará Samuel na turnê do lançamento.

Eu não sou o tipo de artista ou músico que vai entrar para o estúdio e fazer um disco sozinho. Eu não me vejo capacitado para isso. Eu dei a sorte de conseguir uma banda muito bacana para estar comigo agora, que divide as coisas comigo, os arranjos e tal… mas não as decisões finais. Essas foram minhas. O processo de composição tem um pouco mais de mim, há músicas no disco que eu compus sem parceiros.

Falando sobre as escolhas estéticas que o guiaram no novo processo, Samuel comenta que esse disco passa bastante pelas Geraes, de Guimarães Rosa, uma área de Minas em que o músico esteve por bastante tempo, durante a pandemia e depois, e que inspirou algumas das canções do álbum.

Ele também revela que o artista escolhido para ilustrar a capa do trabalho, Stephan Doitschinoff, escutou o disco antes de criar as ilustrações e trouxe vários elementos das músicas para a capa do trabalho.

O Skank teve muitos nomes da pop art ilustrando capas pra gente, como o Kenny Scharf, Clayton Brothers, Glenn Barr, César Maurício de Belo Horizonte que também é letrista, meu parceiro… Eu acostumei com o fato de a cada álbum propor uma nova estética. O Stephan é um cara que eu queria muito trabalhar junto, eu pensava que no dia que eu fizesse um disco solo eu o chamaria pra trabalhar comigo. Aconteceu algo muito interessante, uma sincronicidade meio mediúnica, que ele usou o sol, que pode também ser uma alusão ao ouro de Minas Gerais, a árvore com o livro aberto, tem várias referências, vários signos que eu achei muito conectados com o álbum, sabe?

Continua após a capa

Capa do novo disco de Samuel Rosa, “Rosa” ilustrada pelo artista Stephan Doitschinoff.

O que esperar da turnê de Rosa

Falando sobre a turnê e as apresentações ao vivo, Samuel Rosa revela que tem preparado um show que possa mesclar tanto as novas músicas como os clássicos do Skank e canções que ele normalmente não trazia para os shows, como gravações com outros parceiros.

Eu estou gostando de brincar com umas canções que eu gravei com outros artistas e que não tocava no Skank. ‘Tarde Vazia’ com o Ira!, por exemplo, ‘Lourinha Bombril’, com os Paralamas, umas brincadeiras. Vou montar o repertório assim. Não vou abandonar as canções que eu fiz com o Skank, então quem está se preparando para vir para os shows vai escutar ‘Dois Rios’, ‘Resposta’… eu não tenho essa envergadura para deixar de tocar essas canções. Mas junto com elas, boa parte do ‘Rosa’, o disco que saiu agora.

O primeiro disco solo traz um Samuel mais direto, mais certeiro e mais conectado com suas próprias escolhas. É a consolidação de uma marca que é parte da memória afetiva de todo o Brasil, em um formato diferente, que coincide com a nova fase de vida do cantor.

E é o início de um novo caminho para o músico, que vai continuar experimentando, curioso e fascinado pelo processo criativo. E como ele mesmo disse em seu primeiro single, “Tá tudo certo, segue o jogo”.

Ouça o álbum logo abaixo!

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