Seu Jorge relembra desafios que enfrentou antes da fama:
Reprodução/YouTube

Seu Jorge é um dos maiores artistas do país há algum tempo, mas o cantor e ator relembrou recentemente de uma fase bastante difícil ao falar do momento de sua vida em que se tornar um músico de sucesso ainda não era uma realidade – e dificilmente poderia ser descrito como um sonho também.

O artista natural de Belford Roxo, Rio de Janeiro, participou do Podpah na semana passada e por lá compartilhou alguns detalhes sobre as dificuldades enfrentadas por ele após sua decisão de sair de casa para viver de música.

Na entrevista, Seu Jorge destacou como a sua origem racial o impedia de sonhar e contou que, ao decidir abdicar do trabalho convencional para se dedicar à carreira artística, teve sua relação familiar abalada:

Em 1990, eu decido não trabalhar de carteira assinada e isso foi um problema. Porque pra minha turma lá – que meus tios, meu pai, são tudo de 30, né; 1930, 29. E a gente via um negócio difícil. Sou filho de pais retintos que também são filhos de pais retintos.

A gente veio de um lugar de negritude retinta. Muito tempo depois, meu tio, meu pai, pediram perdão. Falei: ‘Não tem sentido’, porque a gente não aprendeu a sonhar. Sonhador, para a gente, era perdedor, perda de tempo.

E aí você chega lá, brinca com a gente e vai no teu sonho, faz isso tudo com dignidade, sem desabonar, sem tocar o telefone; porque estávamos esperando o telefone tocar: ‘Ó, tá preso’. Porque eu estava vivendo em condições de rua para fazer isso.

Seu Jorge relembra fase delicada antes da fama

Ainda sobre aquela época da sua trajetória, Seu Jorge contou sobre o dia em que seu pai percebeu que ele tinha talento, mas lembrou que a sugestão que veio a seguir era algo que não estava nos planos do cantor:

Um belo dia, foi engraçado porque fui visitar, às vezes passava na casa do meu tio para lavar roupa, almoçar e tal. Aí, num dia desses, tinha os tios, amigos da família e eu levei o violão. Enquanto o negócio estava secando, peguei o violão, comecei a afinar e tal.

Uma das minhas tias que já faleceu, pegou e falou assim: ‘Toca um negócio aí, Jorge Mário’. Meu pai tava do meu lado, olhou e sacou que tinha um negócio ali. Ele falou: ‘Pô, cara, olha só. Tu tem um negócio legal, uma voz legal, mas por que você não trabalha de dia e toca de noite, já faz o seu hobby?’.

O dono de hits como “Burguesinha” e “Felicidade” revelou que, mesmo passando por uma situação de vulnerabilidade, sua prioridade era focar totalmente na música:

Falei: ‘Não, você não entendeu. Se eu não fizer cem por cento do meu tempo nisso, não vou chegar onde quero chegar’. Aí ele vira pra mim e fala: ‘Cara, você não tem dinheiro pra nada, está aí de qualquer jeito. Uma hora na casa de um, outra hora na casa de outro, outra hora não está em casa nenhuma’. Falei: ‘Mas não tenho dívida’. Não tenho casa, mas não tenho aluguel pra pagar; não tenho namorada, mas também não tenho despesas. Só tenho meu violão.

Ao final, Seu Jorge declarou que sabia que a música ia conseguir restaurar sua dignidade e isso foi uma das coisas que mais o motivou naquele momento:

Eu sabia que a música ia me ajudar a restaurar minha dignidade. Eu sempre soube e isso me manteve calmo também. Porque meu violão me salvava em todas; para comer, para dormir, para tudo. Sem esses compromissos que adquirimos ao longo da vida como filho, família e tal. Eu tinha só meu corpo pra cuidar. Eu sofria pra caramba, mas com resiliência.

O astro disse que enfrentou essa situação de 1990 a 1997, mas revelou ainda que ao longo do caminho encontrou muitas pessoas que o colocaram “pra frente” e o incentivaram. E que bom que, apesar de todos os desafios, ele não desistiu e hoje nos presenteia com músicas memoráveis e performances emocionantes!

Você pode assistir à entrevista completa do Podpah com Seu Jorge logo abaixo.

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