El Mató a un Policía Motorizado transforma a incerteza do futuro em um novo começo com "Súper Terror"

A ótima banda argentina El Mató a un Policía Motorizado acaba de lançar "Súper Terror", seu aguardado novo disco. Ouça e veja nossa resenha!

Él Mato a un Policía Motorizado - Súper Terror
Él Mato a un Policía Motorizado – Súper Terror

Diretamente da região de La Plata, na Argentina, já tem alguns bons anos que o El Mató a un Policía Motorizado se destaca como uma das bandas mais interessantes da cena sul-americana.

Nesta sexta-feira (7), a banda divulgou seu novo álbum Súper Terror, sucessor do aclamado La Sintesis O’Konor (2017) e que contém quatro músicas que já haviam sido disponibilizadas anteriormente como parte do EP El Universo, um pequeno spoiler do que a banda viria a oferecer no novo registro.

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Súper Terror surge a partir de um contexto importante: depois do sucesso de La Sintesis, o El Mató se viu em uma espécie de encruzilhada, ainda mais com o surgimento da pandemia.

A banda poderia ter atingido um auge e se mantido tranquila, mas o disco mostra que há muito a se explorar nos sentimentos de Santiago Motorizado e companhia. Motivados por uma incerteza imposta pelo período pandêmico, os argentinos se renovam com um disco que não deixa de olhar para o futuro, mas se apoia de forma consciente e inteligente no passado para se reconstruir após essa tensão.

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El Mató a un Policía Motorizado vai do moderno ao passado em novo disco

Uma das grandes vantagens do El Mató é nunca ter sido prontamente associado a nenhum gênero específico. Navegando entre o Indie, o Alternativo e tantos outros rótulos, a banda volta a explorar direções diferentes em seu novo trabalho, trazendo influências que vêm tanto dos anos 80 quanto dos tempos atuais.

Assim, belíssimas melodias de guitarra aparecem envoltas em batidas eletrônicas com uma sonoridade vintage, como em “Tantas Cosas Buenas” e “Medalla de Oro”, dois dos principais destaques do disco. A segunda faixa, aliás, também evoca um sentimento que remete ao melhor do Rock Psicodélico moderno, enquanto uma linha de baixo cativante nos carrega para um sentimento bonito que contrasta com um solo de guitarra mais experimental.

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Quem não prestar atenção nas letras, entretanto, vai se iludir com uma suposta positividade do álbum. A própria “Medalla de Oro” é um exemplo disso, com momentos melódicos, tranquilos, que soam bastante esperançosos, fazendo o ouvinte se distrair de uma letra crítica e forte sobre as desilusões do capitalismo:

  • Promesas que no voy a cumplir / Espero te enamores de mí / Soñamos con un mundo mejor / Hasta que el líder dijo: “Me voy a rendir” / Contando todo lo que sobró / Nunca vas a ser millonaria, millonaria / Entiendo que no vas a aceptar / Que todo lo que viene es peor (Promessas que não vou cumprir / Espero que você se apaixone por mim / Sonhamos com um mundo melhor / Até que o líder disse: “vou desistir” / Contando tudo o que sobrou / Você nunca será uma milionária, milionária / Eu entendo que você não vai aceitar / Que tudo que vem é pior)
  • Mañana yo me aparto de vos / Y me voy a pelear por algo mucho mejor / No quiero que me apartes de vos / Si sé que no hay nada, nada (Amanhã eu vou te deixar / E eu vou lutar por algo muito melhor / Eu não quero que você me separe de ti / Se eu sei que não há nada, nada)

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Súper Terror

Assim, a banda argentina consegue provocar reflexões interessantes mesmo nos momentos mais dançantes do trabalho, como “Diamante Roto”. Por outro lado, tem também seus lados mais esperançosos de fato, como a ótima “Coronado”, talvez a que mais remete aos álbuns anteriores.

Outro ponto alto do disco é “El Número Mágico”, onde a banda consegue capturar perfeitamente as duas vibes que traz em Súper Terror: o moderno e o passado se encontram entre sintetizadores bem posicionados e uma batida dançante, complementada por uma linha de baixo impecável.

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Tanto ali como no disco em geral, é como se o El Mató estivesse deixando claro que entende o que o futuro pede, mas escolhe conscientemente não abrir mão do passado. Ao mesmo tempo, garante não se tornar uma referência de si próprio, se apoiando na fundação construída com discos anteriores sem repetir fórmulas e sem medo de experimentar.

Súper Terror é a prova de que a música sul-americana segue muito bem não apenas no Brasil, e a boa notícia é de que há fortes indicações da presença do El Mató a un Policía Motorizado por aqui para shows ainda em 2023. A gente fica ansiosamente no aguardo!

EBandal Mató a un Policía Motorizado – Súper Terror