Jandaia
Foto por Rafaela Valmorbida

A Jandaia define o seu som como “pop brasileiro“, mas só a nomenclatura está longe de conseguir transmitir o universo sonoro único criado pela banda. Isso porque os integrantes gostam de fazer uma verdadeira e grande mistura de muuuita coisa que vem sendo consumida pelos jovens.

Imagine um encontro entre o indie, o hip hop, o brega e também o funk, por que não?! Tudo em uma única faixa costurada pelo swing e pela malandragem com groove e algumas brasilidades. Pronto, agora estamos chegando mais perto do que é a Jandaia.

Para desbravar este universo, o TMDQA! realizou uma entrevista exclusiva — que você confere na íntegra mais abaixo — com o grupo que vem cativando sua cadeira como uma das quentes novidades do cenário musical brasileiro.

“Somos amantes da liberdade”

Formada por Victor Fabri, Murilo Salazar, Idyan Lopes e Lucas Prá, músicos e amigos que já se conheciam de outros projetos, situações e carnavais, a Jandaia nasceu em 2019 e vem desfrutando, como ninguém, da liberdade.

Não existem muitas regras no nosso processo de composição e produção, as vezes a ideia chega através de uma batida que ficou na cabeça de alguém, as vezes de uma frase anotada no bloco de notas do celular ou ainda um riff de 3 segundos que acaba se tornando uma jam de 4 horas. […] Diria que a única regra seja justamente não estragar o resultado por conta de ter que rotular de alguma forma.

No último mês, mais precisamente no dia 07 de Abril, o quarteto catarinense colocou no mundo o primeiro álbum de sua carreira: Estrago. O título veio de uma das faixas do disco, mas a escolha foi perfeita pois é impossível sair indiferente ao caos organizado proposto pela banda.

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O álbum chega com 10 faixas que transmitem a ideia devastadora e intensa do estrago. Com o registro, a banda quis materializar uma estreia que possuísse absolutamente todas as características do que é a Jandaia como um todo.

O lançamento de Estrago aconteceu pelo selo paulistano Cavaca Records, que aposta na versatilidade da música independente nacional e tem papel fundamental na divulgação, distribuição e produção visual e conceitual dos artistas e bandas que integram seu casting.

Show de lançamento de Estrago

No próximo dia 14 de Maio, a Jandaia volta aos palcos, depois de dois anos pandêmicas , para apresentar o show de lançamento do álbum. O evento acontece no Célula Showcase, em Florianópolis, e o grupo promete uma performance envolvente do início ao fim, com todos os hits de Estrago. Para mais detalhes e compra de ingressos, acesse o site da Sympla.

Será com toda certeza um entretenimento completamente diferente de tudo o que fizemos antes. Cada música e arranjo foram pensados de maneira muito meticulosa dentro desse grande espetáculo que preparamos e isso inclui também músicos de apoio, luz e MUITAS SURPRESAS, é claro.

A seguir, você confere nossa conversa com a banda, que falou sobre seu processo de composição, o álbum Estrago, shows, influências e planos futuros.

TMDQA! entrevista Jandaia

TMDQA!: Olá, pessoal! Um prazer bater esse papo conversa com vocês. Como vocês estão?

Jandaia: Bem e com saúde pra enfrentar a correria que nos impossibilita até de dizermos que estamos cansados [risos].

TMDQA!: Vocês estrearam em grande estilo com o álbum “Estrago”. A gente aqui no site tem curtido muito o trabalho; é um disco que chegou firmando a Jandaia como uma das quentes novidades do cenário musical brasileiro. Como vocês têm sentido essa recepção passado um mês do lançamento?

Jandaia: Tudo ficou diferente, não somente na questão do feedback da galera mas também com aquela sensação de se finalizar uma gestação de 2 anos e meio.

Estamos com muitas outras ideias é claro, mas no momento estamos focando em jogar esse trabalho ainda mais pra cima, organizando tour e shows pelo nosso Brasilzão. Queremos devolver pra galera que nos acompanha todo o carinho e apoio que tivemos durante esse tempo em que ficamos enclausurados produzindo o álbum durante a pandemia. Nada melhor do que fazer isso com grandes encontros.

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Não existem muitas regras no nosso processo

TMDQA!: O disco é marcado por misturas de ritmos e gêneros. Acho que a música “Ei Mulher” bem no começo [do álbum] já dá um excelente panorama do que vem a seguir, passando pelo brega, funk, pagodão baiano, depois um downtempo… é uma viagem! Como essas misturas encontram as composições da Jandaia? As músicas já nascem com os ritmos em mente ou muito desse resultado se deve a experimentações em estúdio e pós-produção?

Jandaia: Não existem muitas regras no nosso processo de composição e produção, as vezes a ideia chega através de uma batida que ficou na cabeça de alguém, as vezes de uma frase anotada no bloco de notas do celular ou ainda um riff de 3 segundos que acaba se tornando uma jam de 4 horas. O momento mais importante é quando nos sentamos em frente aos monitores de áudio e começamos a trabalhar em cima de cada uma dessas ideias. Diria que a única regra seja justamente não estragar o resultado por conta de ter que rotular de alguma forma.

Exemplo: “Caras, olha essa beat reggaeton“. Ok, isso será um reggaeton, portanto.

Obviamente as vezes trabalhamos tão a fundo e de maneira tão solta que acaba fugindo da ideia primária, mas a essência está presente, sempre e em todas. Somos amantes da liberdade.

TMDQA!: Vocês tiveram alguma preocupação de como as músicas serão realizadas ao vivo? Isso influenciou de alguma forma na produção ou aproveitaram a liberdade naquele momento pra depois planejar o ao vivo?

Jandaia: Pelo menos no Estrago a produção esteve totalmente centrada no álbum, até por conta de que durante esse tempo ninguém tinha a menor ideia de quando ou SE tocar ao vivo voltaria a ser viável. Estávamos ali pra produzir e compor canções para serem ouvidas por qualquer pessoa em qualquer lugar, com certeza preservando essa liberdade e focando no resultado final sem amarras.

No entanto, o show ao vivo é uma outra produção de mesma intensidade ou mais! Estamos justamente nesse momento de produzir o espetáculo e a empolgação ta lá na lua. É música de festa e curtição.

TMDQA!: A faixa-título “Estrago” e “Teu Jeito” têm os mesmos versos, mas em atmosferas sonoras completamente diferentes. Como surgiu a ideia de transformar uma composição em duas músicas? Há uma narrativa por trás desse dualismo?

Jandaia: Essa é a primeira vez que respondemos essa pergunta. Surgiu de um experimentalismo mesmo, estamos sempre testando muita coisa, o Inmetro fica feliz [risos].

Muitas vezes baixamos o BPM de um som, ou aumentamos de outro, gostamos porém não queremos mexer na original pois também curtimos como está, etc.

Com “Teu Jeito” foi difícil de descartar esse segundo experimento, então a filha acompanhou a mãe. Em virtude da letra, podemos dizer que os dois diferentes ritmos podem guiar a intensidade desse “Teu jeito de fazer amor“… É tudo uma grande sugestão, afinal. Nosso primeiro single, “Movimento”, tem umas 5 versões idealizadas, por exemplo.

Tem dias que somos mais diretores e roteiristas do que produtores musicais

TMDQA!: Falando em narrativa, vocês lançaram um clipe incrível pra “Plano Certo”, que vem recebendo ótimos comentários, além de visualizers próprios e bem produzidos para cada faixa do disco. Esse lado audiovisual é uma paixão em comum entre vocês? Já têm algum novo clipe em mente ou até mesmo a caminho?

Jandaia: A parte audiovisual é e sempre foi uma prioridade produtiva dentro do Jandaia desde o primeiro segundo. Existem reuniões apenas pra construir o roteiro de cada uma das ideias mirabolantes que chegam na roda, desde cenário, material e figurino, até atores e conceitos gerais. Tem dias que somos mais diretores e roteiristas do que produtores musicais, depende do que está na pauta da semana.

A sinergia e o compromisso nessa parte criativa é quase que um belíssimo de um milagre constante dentro do Jandaia e o resultado é sempre satisfatório, dentro dos nossos limites naquele momento.

Quanto à novos videoclipes, somos muito felizes em dizer que já temos BASTANTE coisa tanto a caminho quanto pronta. É tudo parte dos nossos próximos passos.

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TMDQA!: A Jandaia é uma banda nova, surgiu em 2019, e logo de cara já teve que lidar com a pandemia, que afetou fortemente todo o setor cultural. Como foi essa fase para vocês logo no início da trajetória? E como isso afetou a relação da banda com o mercado musical?

Jandaia: Decidimos nos mudar e morarmos juntos para focar no Jandaia por volta de 1 mês antes da pandemia. Então imagina o balde de água fria…

No começo ficamos meio perdidos, achando que isso ia ser rápido, e o tempo foi passando e vimos que nossos planos de lançar mais alguns singles e sair tocando pra fazer caixa e então produzir o álbum não poderia dar certo naquele momento.

Mesmo com apenas uma música lançada já havia uma galera que nos acompanhava, então surgiu a ideia da campanha no Catarse. Produzimos recompensas de extrema exclusividade e vendemos dentro da plataforma com a premissa de apoio na junção de verba pra produzir o álbum (que já tinha a maioria das músicas idealizadas). No final das contas deu tudo certo e aqui estamos.

Sempre temos muito cuidado para falar sobre a nossa relação com a pandemia, afinal foram anos muito sombrios para o mundo inteiro, perdemos amigos e familiares. A única coisa boa é que proporcionou esses momentos juntos 24h em função do maior sonho de nossas vidas. Logo após isso, o nosso produtor Júlio Santa Cecília veio do RJ e ficou um mês em nossa casa aqui em Floripa totalmente imerso na produção do disco junto com a gente.

Quanto ao mercado musical, sempre tivemos a consciência de que tudo deveria ser exclusivamente online até segunda ordem da OMS, então aproveitamos isso pra fazer muitas lives nas redes sociais e interagirmos com nosso público que, não diferente de nós, também estavam todos em casa. Nessa parte não somos muito de reclamar de nada, quem quer faz, mesmo com todas as dificuldades muito claras em ser artista independente no Brasil.

Ah sim, e tivemos um restaurante delivery de batatas recheadas durante esse tempo! Foi irado.

Músicos de apoio, luz e MUITAS SURPRESAS, é claro

TMDQA!: No próximo dia 14 de Maio, vocês voltam aos palcos, depois de dois anos pandêmicos, para o show de lançamento do “Estrago”. Como estão as expectativas e preparativos? Rola um nervosismo depois de tanto tempo sem apresentações? Podemos esperar alguma surpresa no show?

Jandaia: Estamos justamente nesse momento da produção desse espetáculo que acontecerá dia 14, no Célula Showcase, aqui em Florianópolis. As expectativas estão bem altas e certamente há um nervosismo que se mistura com a ansiedade do bem. Última aparição nossa em um palco foi em Janeiro de 2020 e o que a gente mais quer é fazer show.

Será com toda certeza um entretenimento completamente diferente de tudo o que fizemos antes. Cada música e arranjo foram pensados de maneira muito meticulosa dentro desse grande espetáculo que preparamos e isso inclui também músicos de apoio, luz e MUITAS SURPRESAS, é claro.

Além desse show de lançamento do álbum aqui em Floripa, já estamos viabilizando o lançamento em São Paulo onde nosso público se concentra também, juntamente com a galera da Cavaca Records que sempre estiveram com a gente em todas estas fases. Queremos, a partir desse momento, levar esse show completo pra todo o Brasil.

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TMDQA!: Sei que ainda é bastante cedo pra se falar num próximo lançamento, mas, se tratando de uma banda que se destaca pela criatividade e ousadia em unir estilos tão distintos, já existem ideias de coisas que vocês ainda gostariam de explorar ou experimentar futuramente?

Jandaia: Existem sim, tanto no âmbito da intenção quanto rascunhos. Creio que temos material suficiente pra trabalhar mais uns 2 álbuns. Essa nossa fissura de experimentar misturas e trazer um tanto de cada um pra dentro do produto final é uma constante.

Hoje podemos dizer que Jandaia é nosso trabalho de vida, mas está longe de deixar pra trás aquela aura de compor pra se divertir. É nosso trabalho, é nosso hobbie, é nossa vida e é o que temos na cabeça 24 horas por dia. Isso se deve também ao fato de que nós 4 somos absurdamente ecléticos atualmente porém viemos de inspirações e escolas musicais um tanto distintas. É o tempero perfeito, muitos ingredientes e um só objetivo.

Nosso passado não tão distante vem de bandas de HC, rock e afins (Murilo Salazar); música brasileira, produção de beat e rap (Lucas Prá); um virtuose do baixo “a la Flea” entusiasta do samba (Idyan Lopes); e o pioneiro do bedroom pop no Brasil (Victor Fabri). Isso é Jandaia e esperamos que se divirtam bastante [risos].

Só existem dois tipos de música, a boa e a que você não curte

TMDQA!: Por fim, o nosso site se chama Tenho Mais Discos Que Amigos!, e eu gostaria de saber quais foram os discos que tiveram grande influência na construção da identidade sonora da Jandaia.

Jandaia: Foram muitos se contarmos desde o início de nossas vidas artísticas. No entanto, com toda certeza, um grande impulso tanto de inspiração quanto de coragem pra chegar nesse experimentalismo está bastante ligado ao Sinto Muito, da Duda Beat, à quem compartilhamos uma admiração gigantesca, tanto nela como a Diva que é quanto na parte da produção do Lux & Tróia. Thomas Tróia inclusive tem seu pitaco no nosso trabalho com a indicação do Júlio Santa Cecília pra produzir o Estrago.

Graças à tudo isso, hoje chegamos num conceito próprio, mas é aquela coisa, só existem dois tipos de música, a boa e a que você não curte. Queremos entregar SÓ AS BOAS, já diria Mané Biano [risos].

TMDQA!: Galera, muito obrigado pelo tempo e pela atenção de vocês. Fiquem à vontade para deixar um recado aos nossos leitores.

Jandaia: Primeiramente gostaríamos de agradecer ao TMDQA! que nos dá voz não é de hoje. Sempre que nos é dado espaço pra falar sobre o nosso sonho, ficamos extremamente felizes e cada vez mais sentindo que estamos no caminho certo e que cada gotícula de suor jamais é ou será em vão. O que queremos é que as pessoas se divirtam, sintam-se felizes e se encham de bons sentimentos. Queremos ser a trilha sonora de bons momentos na vida de cada um que nos ouve. Música é isso e isso é o que somos.

No demais, fiquem ligados nas nossas redes sociais (@jandaia em todas) e aguardem um ESPETÁCULO mais próximo de seus lares nesses próximos meses, pois queremos levar isso pro nosso país inteiro. É das belezas daqui que tiramos um bom som.

Obrigado!

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