Em 2017 a banda norte-americana The Strokes foi headliner do festival Lollapalooza Brasil e deixou muita gente irritada.

Isso porque o grupo liderado por Julian Casablancas entrou no palco, entregou seus hits e saiu dele como se tivesse “se livrado do trabalho”, já que pouco interagiu com o público e quase não demonstrou energia.

Pois cinco anos depois, os caras estiveram novamente em um dos palcos principais do evento e, bem, pouca coisa mudou.

The Strokes no Lollapalooza Brasil 2022

The Strokes no Lollapalooza Brasil 2022
Foto por @Creativeclub.today

O vocalista da banda até tentou parecer mais animado e logo após a primeira música, a recente “Bad Decisions”, brincou com a plateia dizendo que estava vendo alguns “rostos familiares ali”.

Obviamente ele não viu ninguém no público, e o próprio fez piada dizendo que não era o caso, já que estava de óculos escuros à noite em um show.

Daí pra frente, Julian fez uma série de brincadeiras, mas a imensa maioria delas era interna, como se ele estivesse querendo aparecer para alguém da equipe ou que estivesse acompanhando a transmissão, mas sem dizer muito para o público.

Quando a plateia começou a gritar o nome do baterista brasileiro Fabrizio Moretti, ele foi até o colega de banda e repetiu exatamente a mesma frase que disse ao cara no Planeta Terra em 2011 (!), perguntando se Fab gostaria de “falar alguma coisa para seu povo”.

Tímido, blasé ou simplesmente sem se importar muito, Moretti apenas mandou um “e aí minha gente” em português, e os dois passaram alguns bons segundos fazendo cena como se ele fosse interagir mais com os brasileiros.

Esse é a mais incômoda característica dos shows da banda, já que a impressão que temos é que o grupo é tão descolado e alternativo que acaba se perdendo no personagem, colecionando performances criticadas mundo afora.

Chuva de Hits

The Strokes no Lollapalooza Brasil 2022
Foto por @Creativeclub.today

Ainda assim, o som estava impecável e o Strokes é uma máquina de hits.

“You Only Live Once”, “Juicebox”, “Reptilia”, “Hard To Explain” e mais apareceram no set, bem como músicas do elogiadíssimo The New Abnormal, mais recente álbum lançado pelos caras. As ausências ficaram com canções como “Someday” e “Last Nite”, já que o bis veio apenas com “New York City Cops”.

Vale sempre lembrar que a música, cuja letra fala mal de policiais da cidade de Nova York, foi removida do clássico álbum Is This It após os ataques terroristas de 11 de Setembro.

Novidades que (quase) salvaram

Se em 2017 foi difícil passar por períodos em que as músicas não eram tão inspiradas, pelo menos nesse show de 2022 tivemos as agradáveis execuções de um dos melhores discos de toda discografia do grupo com o álbum lançado em 2020.

Além disso, a plateia estava animada e disposta a finalizar o dia, que teve até tempestade, cantando com as palavras (ainda que muitas vezes desafinadas) de Casablancas.

Se compararmos com shows do mesmo dia, como os da incrível Doja Cat, do genial Turnstile e até do controverso mas enérgico Machine Gun Kelly, o encerramento da noite teve um nível de energia bem diferente, mas é difícil de imaginar que a maioria do público já não estava esperando por esse tipo de performance, não é mesmo?

Setlist

  1. Bad Decisions
  2. You Only Live Once
  3. Under Control
  4. Juicebox
  5. The Adults Are Talking
  6. Trying Your Luck
  7. Brooklyn Bridge to Chorus
  8. Reptilia
  9. Eternal Summer
  10. Razorblade
  11. Hard to Explain
  12. Heart in a Cage
  13. Ode to the Mets
  14. Take It or Leave It
    Bis:
  15. New York City Cops

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