Pearl Jam, Selma Blair e a juíza RBG
Fotos: Shutterstock

Ontem à noite recebemos a notícia de que Ruth Bader Ginsburg morreu aos 87 anos de idade.

A causa da morte foi um câncer no pâncreas e é muito provável que o nome dela (ou a forma como ela era conhecida por “RBG”) não sejam populares aqui no Brasil, mas após a sua passagem ficou clara a influência que a juíza teve na sociedade norte-americana.

RBG foi celebrada por artistas, bandas, atores, atrizes, ativistas e mais, indo desde nomes como Pearl Jam e Tom Morello até Selma Blair, Morgan J. Freeman e Mark Ruffalo.

Ruth Bader Ginsburg

Mas por que RBG foi tão importante e está sendo amplamente reconhecida por alguns dos artistas mais importantes de todos os tempos?

Ruth foi uma das mais importantes peças na luta pelos direitos das mulheres nos Estados Unidos, sendo que quando a advogada, juíza e parte integrante da Suprema Corte do país desde 1993 iniciou a sua carreira, apenas 3% dos profissionais de justiça eram mulheres.

Nascida no Brooklyn em 1933, ela estudou nas universidades de Cornell, Harvard e Columbia, sendo que em boa parte dos cursos, as instituições haviam acabado de começar a aceitar estudantes mulheres.

Tendo encarado de frente e vivido a misoginia constantemente, Ruth resolveu lutar por mudanças em uma sociedade que era (era?) amplamente machista, e acabou fazendo história na construção de mecanismos de igualdade para diversas alas da sociedade.

Suprema Corte

RBG foi indicada para a Suprema Corte dos EUA (o equivalente ao Supremo Tribunal Federal aqui no Brasil) em 1993 pelo presidente Bill Clinton, e desde então teve um papel importantíssimo em causas como aborto, casamento de pessoas do mesmo sexo e igualdade de gênero.

Não à toa, ao homenageá-la o Pearl Jam escreveu:

Uma vida que foi a verdadeira definição de serviço.

Que ela descanse em paz e que nós não descansemos até que tenhamos levado seu legado adiante.

Já Tom Morello publicou uma foto que tem uma citação atribuída à juíza, dizendo:

Quando me perguntam ‘quando haverá mulheres o suficiente na Suprema corte?’ e eu digo que será quando houver nove [exatamente o total de cadeiras disponíveis], as pessoas ficam chocadas.

Mas já houve nove homens por lá e ninguém fez nenhum tipo de questionamento sobre isso em toda a história.

A atriz Selma Blair foi além e escreveu um texto a respeito da influência de RBG:

Pequena e determinada, a notória RBG sempre será uma líder por direitos iguais.  Uma visionária. Uma titã da lei. Original. Minha mãe, uma magistrada em sua própria vida [Juíza Molly Ann] também era determinada e focada mas RBG foi uma peça fundamental no nosso sistema judiciário em sua vida incrível. Ela era radical e legal. Ela chacoalhou noções antigas agradando apoiadores e rivais. Ela era verdadeiramente bipartidária. Ela conseguia enxergar os dois lados. Que nos lembremos disso. Do que é bom para o país. A sua Morte no Rosh Hashanah [Ano Novo judaico] faz dela uma tzadik [pessoa considerada justa]. Uma pessoa de grande retidão. Descanse em paz RBG. Você merece.

Vale lembrar que agora uma cadeira da Suprema Corte está em aberto e a indicação ficaria com Donald Trump, atual presidente dos EUA.

Acontece que com as eleições tão próximas, marcadas para 03 de Novembro, uma imensa discussão começou a tomar conta das redes sobre como ele deveria esperar até que o resultado saísse e o vencedor do pleito indicasse quem ocupará o espaço.

O diretor Morgan J. Freeman, inclusive, escreveu:

Eu acordei essa manhã e descobri que Ruth Bader Ginsburg estava lutando contra DOIS tipos de câncer – e perdeu a sua batalha para apenas UM deles.

Juntos, iremos acabar com o outro câncer no dia 03 de Novembro e RBG viverá para sempre como uma campeã por tudo que é justo em nosso mundo!

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