(Foto: Reprodução Facebook)
 

Marcelo D2 falou pela primeira vez sobre a temática do primeiro disco do Planet Hemp em 19 anos com exclusividade para o TMDQA!.

Em agosto, fizemos uma entrevista com o músico e seu filho, Sain, sobre um lançamento da adidas e do remix de “Eu Tiro é Onda”, como te mostramos por aqui. Na mesma conversa, D2 nos deu mais detalhes sobre a gravação do álbum na Bahia, quantidade de faixas e até sobre a temática do trabalho.

Vale lembrar que o último disco lançado pelo grupo é A Invasão do Sagaz Homem Fumaça, de 2000. Este novo trabalho ainda terá letras do saudoso Skunk, que faleceu em 1994, encontradas por D2 recentemente.

Ao ser questionado sobre o novo disco, Marcelo mandou:

Eu quero falar muito, mas não posso falar muito sobre isso! (risos) A gente ainda está em processo de produção, cara. Mas sim, estávamos na Bahia, tínhamos o show lá, e um amigo nosso falou sobre esse hotel fazenda, que tem um estúdio foda. Pedimos a lista de equipamentos desse estúdio, o cara mandou e a gente falou: ‘quê isso, cara?!’ É um estúdio foda pra caralho, sabe? Tem poucos assim no Rio e São Paulo.

E aí fomos lá, ainda tava escuro, cara. Fizemos o show em Salvador, acordamos cedo, fumamos um, demos um mergulho no mar… Aí chegamos no estúdio, ali perto de Cachoeira, aquela região que já é mágica, né, cara? Tava com o pé quebrado e até joguei a botinha fora, é a mágica da Bahia, cara.

Ainda sobre a gravação na Bahia, D2 continua:

No primeiro dia já saiu uma, no segundo dia deu uma travadinha assim e aí à noite, PÁ!, saiu a segunda. Aí a gente fez treze músicas em dez dias, treze bases. Eu já escrevi uma que não estava, então a gente tem quatorze. Cara, tá maneiro pra caralho, eu tô bem feliz.

Na nossa conversa, o músico revelou ainda que Pedro Garcia, baterista do Planet Hemp, foi o técnico de som nas gravações. Já na produção está o curitibano Nave, que já trabalhou em diversos lançamentos de D2, e veio para dar uma “opinião de fora” para a banda.

Planet Hemp em 2019

D2 ainda comentou sobre a temática do disco, comparando os momentos que o grupo viveu desde que começou nos anos 90 até agora.

Ao citar o teor das letras, Marcelo fala sobre “distopia”, e ainda comenta sobre o fim da ditadura.

Quando acabou a ditadura, eu achei que o Brasil ia mudar pra caramba… mas não está mudando. A ideia do disco eu tô fazendo ainda, mas a ideia é uma distopia, sacou? A gente está 20 anos sem gravar, é quase como se a gente tivesse dormindo e agora acordou falando, ‘caralho! Faz 20 anos que tô dormindo e é a mesma merda, até pior!’ A ideia é por aí.

Ele ainda nega que o disco será um compilado de hinos anti-Bolsonaro, atual presidente do Brasil a quem tem feito críticas constantemente.

É muito sobre ter luz em cima disso. O Planet sempre foi essa coisa do ‘legalize já’… e cara, eu não vou perder minha biografia, minha carreira pra fazer um disco só sobre o Bolsonaro, tá ligado? É mais em cima do conceito que o Bolsonaro representa o que é o pensamento tosco brasileiro no momento. É sobre isso que a gente quer falar, além de vários assuntos, como maconha também.

Planet Hemp ao resgate

Logo ao fim da conversa, Marcelo D2 ainda falou sobre o sentimento de estar retornando aos estúdios depois de tantos anos ao lado do grupo.

Foi legal ter ido pra Bahia porque a gente saiu de lá com um sentimento de banda de novo, sabe? Como se a gente tivesse um dever a cumprir, a pátria nos chama! (risos) Me senti tipo um super-herói acordando e falando ‘o mundo tá uma merda, vou salvar essa porra!’ (risos)

O novo disco do Planet Hemp ainda não tem nome ou data de estreia, mas deve chegar ainda em 2019.

Estamos ansiosos!

 
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