Tem gente que abraça a profissão de DJ por diversos motivos, ficar popular entre os amigos, pegar geral, e em nobres casos, pelo amor a música. Eu comecei por acidente, porque tinha uma grande coleção de discos e pelo fascínio que os magos dos decks exerciam sobre mim. No final dos anos 90 era complicado trabalhar à noite, e para poder exercer a profissão tínhamos que lidar com certos preconceitos.

Para muitos a nossa função é só trocar discos, apertar botões, mas não se enganem. Há uma dedicação, pesquisa musical, treino e aquisição de técnicas para que possamos salvar a festa de todos que estão se divertindo. Passei por momentos felizes e memoráveis e outros bizarros que vão de invasões a cabine sem noção, a ter os fones arrancados porque me recusei a tocar algo, tão vergonhoso, que não vale a pena ser comentado nessas linhas.

Muitos anos depois virando noite, pesquisando música, viajando, lidando com o lado bom e o lado amador, e desonesto, dessa indústria e mesmo assim, essas pedras no caminho não abalaram minha paixão em tocar e passar meu conhecimento.

Para comemorar, gravei meu último set de 2014.

Ouça:

Year – End Set by Bezzi on Mixcloud

LOADEDFLY

E já que vai ter festa, convido a todos para a “Bezzi Convida” no Razzmatazz, nesta sexta (5/12). Toco ao lado dos convidados Mitkus, Tiago Archela e Rick Levy. Começa as 19h00 e a entrada é Free. Se estiver em SP, venha.

Confirme sua presença no evento.

E a dica de remix dessa semana é o belo edit da faixa “Two Bodies” do Flight Facilities feito pelo Karma Kid.

Bate Papo da Semana

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O convidado da semana é o talentoso DJ/Percussionista Fernando Baía. Criado com suas raízes no rock, Fernando mergulhou no mundo da e-music e a paixão foi avassaladora.

Leia o bate papo que tive com essa figura:

Quais projetos você já esteve envolvido?

Sempre fui músico, nunca tive outra profissão, comecei como baterista em Salvador, cidade onde nasci, tocando em bandas de rock e de metal, de lá fui para o Rio de Janeiro onde formei com outros músicos a banda Ostheobaldo que chegou a lançar dois discos. Com o fim do Ostheobaldo nasceu o Tihuana, banda da qual fiz parte durante 13 anos e com a qual realizei os sonhos de todo garoto: viver de música, tocar no Rock in Rio, fazer turnês fora, etc., ou seja, minha escola foi o rock em grande parte da minha vida. Em relação à música eletrônica, eu já havia tido contato com ela na minha pré-adolescência, quando costumava brincar de mixar fitas K7 em um gravador de 2 fitas e um som “3 em 1”, mas tinha perdido essa referência ao longo do tempo. Há cerca de 7 anos essa paixão voltou com força total, conheci vertentes que eu não conhecia e fui praticamente “abduzido”, me tornei DJ, comecei tocando no vinil e fui passando para outras ferramentas, formei o duo Lumière Live junto com o DJ Rodrigo Moita e rodamos o Brasil durante 4 anos. Hoje estou lançando o N.W.O.Live, um projeto inovador onde tudo é tocado ao vivo e com um conceito visual bem diferente, essa é minha prioridade agora.

Porque a decisão de largar o rock e mergulhar na música eletrônica?

Não tive escolha, a música eletrônica me pegou muito forte, fez uma revolução na minha vida. Eu estava estagnado como músico, nada me empolgava e lembro que a ponte do rock pro eletrônico aconteceu através do dub. Passei uma época escutando muito dub, Salmonella, Burning Spears, King Tubby… E de repente pesquisando sons me deparei com vertentes como o Progressive, Electro e o Techno. Foi avassalador, imediatamente me veio a vontade de ser DJ e quanto mais eu pesquisava novos sons, novos produtores, eu mergulhava mais profundamente nesse universo. Fiz cursos de produção, comecei a produzir, tocar como DJ solo e fazer live percussion no Lumière, hoje respiro música 24 horas, algo que eu tinha perdido em algum momento lá atrás.

Set Exclusive @E-Groove Radio Show August 2014 by Fernando Baía on Mixcloud

Atualmente você está envolvido no N.W.O. Como nasceu o projeto?

Sim, estamos muito felizes com a repercussão super positiva desse live. São 3 músicos tocando praticamente tudo ao vivo e fazendo um set com grandes clássicos do Deep House, House e remixes de Rock. Tivemos rebooking nas primeiras datas, lançamos dois vídeo-promos e gravaremos mais um, ao vivo, na festa de reveillón que tocaremos no sul do país. Nossas produções autorais estão a caminho e as lançaremos após o carnaval. O N.W.O. tem um conceito visual também bem diferente, o que vocês podem conferir no nosso canal no You Tube ou na fan page no Facebook.

https://www.youtube.com/watch?v=lRRVj78z-EE

De onde veio a inspiração do nome?

Fizemos um brainstorm e o vocalista, Dr. Frite, veio com a ideia de “there’s no way out”, algo como “não tem mais volta”, “não há saída”, um amigo sugeriu encurtar o nome para No Way Out e concordamos na hora.

Quais suas principais influências musicais?

Ah, são inúmeras, desde as minhas influências como percussionista, o punk e o rock que foram minha escola e agora as influências do universo eletrônico, dentre as quais poderia citar as produções mais antigas de Deadmau5 e DJs como Hernan Cattaneo, Marky, D-Nox & Beckers, Hot Since 82, Richie Hawtin e tantos outros.

O que não pode faltar na pista?

Valorizo aquele DJ que consegue construir uma história bacana nos seus sets, que faz realmente uma progressão com um conceito, aquele set com “início, meio e fim” onde as tracks vão fluindo de maneira natural, acho que essa é a principal missão de um DJ, conduzir a pista construindo uma história bonita no seu set.

https://www.youtube.com/watch?v=lRRVj78z-EE

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E não deixem de adquirir a T-Shirt Kill The Dj da Untamed Haus. O segundo lote está no fim, aproveitem. Comprem aqui.

Antes de dizer tchau para vocês, assistam (e ouçam) esse belo mashup dos hits pop internacionais editado de forma genial pelo DJ Earworm. Um resumo de 2014 numa única track.