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por Thiago Corrêa e Alan Lengruber

Continuando com os relançamentos de discos no formato vinil 180 gramas pela Polysom (falamos do álbum Schizofrenia do Seputura aqui), temos desta vez uma pérola do Black Metal mundial, o álbum I.N.R.I. do Sarcófago.

Falar da Sarcófago é definitivamente falar da historia do metal nacional e mundial. Uma das bandas que mais influenciou a cena death e black metal.

Como uma banda nacional formada  em 1985 em Minas Gerais, a Sarcófago trabalhou com estruturas musicais pouco comuns na época, focando-se plenamente na sonoridade ríspida, crua e com o máximo de agressividade. Os riffs rápidos, tocados sobre uma bateria que se utilizava de constantes blast beats (técnica inovadora, ainda pouco difundida entre as bandas de som mais extremo na época) fizeram um perfeito casamento com os vocais rasgados de Wagner Antichrist.

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Lançado originalmente em 1987, I.N.R.I. abre os portões do inferno para a música extrema brasileira ao lado de incríveis bandas como Chakal e Sextrash (que estrearia dois anos depois com seu EP “XXX”). Enquanto o Sepultura se tornava mais lapidado e “contido” (com a entrada do guitarrista Andreas Kisser), com seu álbum “Schizofrenia” (também de 1987), o Sarcófago se voltava para o mundo do metal negro, com uma capa que já pretendia causar polêmica por apresentar os integrantes vestidos com balas de fuzil e cruzes invertidas em um cemitério.

É importante estabelecer historicamente o álbum de estréia da banda. Visto como um marco importante por apreciadores e compositores do Black Metal e do Death Metal (há um debate constante a respeito da sonoridade do I.N.R.I. estar ou não mais voltada para o Death Metal), o lançamento da banda de Minas Gerais estava a frente de seu tempo, mostrando um trabalho corajoso e criativo.

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I.N.R.I. tem seus hinos imortais do Black/ Death Metal, com destaque para “Nightmare” e seu eterno riff de introdução e “Satanic Lust” com suas convenções de bateria e guitarra em meio a Blast Beats tão repetidas por outras bandas por anos depois.

Christ’s Death” tem uma introdução tensa que desemboca em um puro “bate estaca” misturado a palhetadas ultra rápidas nas guitarras e termina em um riff recortado da marcha fúnebre de Chopin em uma levada arrastada, domo metal.

Satanas“, estrategicamente a sexta música do álbum, com duração de 02’04” min (02+04=06) é nada mais que toda ira anti-cristã concentrada. Esta música foi regravada mais tarde simplesmente pela Satyricon para o tributo ao Sarcófago (das 18 músicas gravadas para esse tributo, nada menos que 11 foram retiradas do I.N.R.I).

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A nova versão apresenta a qualidade de som preservada, pura, seca, “raw black metal”, da forma que tem que ser.

A Polysom coloca nesse luxuoso vinil de 180 gramas um pedaço da história do metal extremo mundial. O encarte traz as letras assim como na versão original, uma foto a mais do cemitério e uma contra-capa que segue os padrões da versão clássica (veja mais fotos do vinil a seguir).

Para quem é seguidor do metal extremo, eis um item que não deve faltar em sua coleção. (Re)Colocar o I.N.R.I. na ponta da agulha tantos anos depois é revigorante. Corra logo atrás de sua cópia clicando aqui.

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