Paul McCartney e Faul

Por Gustavo Sleman

Disclaimer: Esse artigo não passa de um exercício de imaginação.

Apenas um Beatle está vivo. E ele é Ringo Starr, já que Paul McCartney morreu em 9 de novembro de 1966. É isso mesmo que você leu! Chame de William Campbell ou de Billy Shears, só não chame de Paul McCartney o homem que engana até hoje multidões com shows e lançamentos. De todas as revoluções estabelecidas pelos rapazes de Liverpool, a
morte talvez tenha sido a maior delas. Talvez isso explique a razão de George Martin ter declarado a seguinte frase: “Se as pessoas soubessem o que aconteceu em Sgt.Pepper’s
Lonely Hearts Club Band, ficariam enojadas.”

A teoria

Ok. A gente sabe que Paul está vivo. E vai bem, obrigado. Criada há mais de 50 anos, a teoria “Paul is dead” é alvo até hoje de diversos estudos, e fez com que fãs achassem pistas sobre a morte do artista em músicas, capas de discos e até mesmo em videoclipes do grupo.

Fazendo jus ao típico humor britânico, Macca tirou sarro da situação ao batizar seu disco ao vivo de 1993 como Paul is Live. Mas você já parou para pensar se toda essa história bizarra fosse verdade? Quem venceria na disputa entre Paul e “Faul”? É possível alguém em menos de três anos evoluir de “She’s a Woman” para “She’s Leaving Home”?

Mas quem é Faul?

Talvez você conheça Billy Shears das músicas de um famoso disco dos Beatles, mas já parou para pensar quem realmente ele é? Nascido em 1943, o anglo-escocês William Campbell Shears é um órfão que certa vez ganhou um concurso de sósias do baixista. A premiação o credenciou para trabalhar como dublê de Paul nos filmes A Hard Day’s Night e Help, então, seria natural que a banda o escolhesse para substituir o recém falecido McCartney.

Algumas cirurgias plásticas depois, Billy estava pronto para se tornar um ídolo mundial. O apelido “Faul”, misturando “fake” (“falso”) e Paul, veio como resposta dos fãs as supostas dicas deixadas pelos grupos em álbuns e canções. Até hoje, Shears é chamado por essa alcunha pelos mais fanáticos. Seria uma linda história se tudo não passasse de fake news.

O nome Billy Shears foi criado para ser um personagem de “With a Little Help From My Friends”, composta originalmente como uma ópera-rock.

Duelo de Criatividade

Imaginando um “duelo” entre os dois, de um lado temos o rapaz que ajudou a criar os Beatles. Só isso já lhe dá muitos pontos na briga. Com a parceria Lennon/McCartney, foi responsável por diversos clássicos, entre eles “Love Me Do”, “And I Love Her”, “She Loves You”, “Drive My Car” e “Michelle”.

São músicas como essas, que abordam o amor como tema, que também podemos destacar. O verdadeiro Paul sempre se portou como um romântico e acompanhamos seu amadurecimento em relação aos seus sentimentos até o lançamento de Revolver (1966).

Nesse período, ele compôs “Yesterday” e “Hello, There and Everywhere”, músicas que tratam do sentimentalismo de uma forma mais complexa do que as anteriores escritas por ele sozinho ou com John Lennon.

“Yesterday” saiu de um sonho de McCartney para se tornar a canção com mais covers na história da música popular e o baixista ainda emplacou outro sucesso: “Eleanor Rigby”. Dizem que antes da morte, toda pessoa passa por uma epifania. Talvez o resultado desse episódio tenha sido essa composição, uma reflexão sobre as pessoas solitárias que existem no mundo. Ao longo das décadas, ela já foi estudada e destrinchada em ensaios e análises, mas talvez Paul tenha levado para o caixão o seu real contexto.

Segundo a teoria, Paul morreu em um acidente de carro. O episódio seria inclusive mencionado em “A Day in the Life”, uma das diversas pistas deixadas pelos Beatles sobre o que de fato aconteceu. É aí que entra nosso querido (ou não) Faul na história. O sósia já chegou colocando a mão na massa participando de gravações, viagens e mostrando sua veia artística ao desenhar a capa do quarto flex-disc de Natal lançado pelo grupo, ainda em 1966.

O lado artístico de Faul também deu as caras na idealização da capa de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. É dele o conceito do grupo se passar por outra banda. Talvez uma forma de se sentir “menos culpado” pela mentira que assumiu?

Seja isso ou não, é inegável que a mudança de comportamento é notória. Não só musicalmente falando, mas também em relação à vida pessoal. Faul traiu a noiva de Paul, Jane Asher e em um ato de amor assumiu a filha de sua futura esposa Linda. Mas afinal, quem venceria?

A coragem é um dos pontos que faz Faul se destacar. Os embates com Yoko e o racha com os companheiros de banda que culminaram em sua saída dos Beatles e consequentemente no fim do conjunto são alguns highlights. Talvez resultados de uma crise de identidade?

Já na esfera musical, o substituto teve pontos altos e baixos. Como não mencionar “Hey Jude”, “A Day in the Life”, “The Fool on the Hill”, “Blackbird”, “Let it Be” e “The Long and Winding Road”?

Seriam essas músicas complexas demais para o verdadeiro Paul, que morrera no ápice da maturidade? Em contrapartida, o sósia perde alguns pontos ao tentar constantemente
resgatar itens do passado de seu “alter ego” morto, como em “One After 909” e “When I’m Sixty-Four”.

E claro, temos que falar da carreira solo de Paul, que na verdade se trata da carreira solo de Faul. Afinal, foi ele que compôs a trilha sonora do filme The Family Way em 1967, lançou McCartney em 1970, criou o The Wings e lança material até hoje. Isso sem contar as turnês mundiais. Bem diferente do Paul que abandonou os palcos em 1966.

Faul foi tão convincente que até foi condecorado em 1997 pela Ordem do Império Britânico pelos serviços prestados à música e tornou-se “sir Paul”. Já o verdadeiro Paul recebeu em 1965 a Mais Excelente Ordem do Império Britânico.

Na sua opinião, quem leva a melhor: Paul ou Faul?