Conversamos com a banda Luneta Mágica, que tem um 2018 incrível pela frente

Luneta Mágica
Foto: Victor Neves / Colagens: Luis da Paz / Divulgação
 

Luneta Mágica é uma banda de Manaus que foi fundada em 2012 e apesar do “pouco” tempo de estrada, já tem muito do que se orgulhar.

Em 2018 o grupo que mistura rock psicodélico com sons característicos brasileiros irá tocar em festivais dos mais importantes como o Lollapalooza Brasil, em São Paulo, além do SXSW, nos Estados Unidos.

Além disso, ainda trabalha em um novo disco e se prepara para fazer shows também na Europa, tudo no primeiro semestre.

Conversamos com a banda sobre esse grande momento, as suas influências e muito mais.

Leia logo abaixo!

 

TMDQA!: 2018 vai ser um ano incrível para a banda. Vocês têm o Lollapalooza Brasil, o SXSW e ainda vem um novo disco por aí. Como vocês enxergam os últimos anos da banda que os trouxeram até aqui e como estão se preparando pra isso?

Luneta Mágica: Enxergamos os últimos anos da banda com muita surpresa! Nem em nossas melhoras apostas poderíamos esperar essas oportunidades. Mesmo estipulando alguns objetivos, temos consciência de que a realização deles depende de muitas outras variáveis. Tanto que quando as coisas porventura se concretizam, aparentemente acontecem muito rápido. Sabendo disso, procuramos não nos preocupar se as coisas acontecem ou não, procuramos cultivar um sentimento de busca incessante e de aperfeiçoamento da obra artística. Por isso, se você nos pergunta como estamos nos preparando pra esse ano, talvez a resposta mais realística seja que estamos caminhando com a mesma passada que dávamos antes, ávidos por sermos surpreendidos mais uma vez.

 

TMDQA!: Como foi receber a notícia de que vocês tocariam no palco do Lollapalooza?

Luneta Mágica: Temos um fato curioso relacionado ao recebimento dessa notícia. Em um primeiro momento (3 ou 4 meses antes do lançamento do line-up) escutamos rumores de que o a lista de artistas estava completa, por conseguinte, não haveria possibilidade de integrá-la na edição de 2018. Lembro de uma reunião com a banda em que um dos integrantes perguntou se havia alguma resposta ao e-mail que eu havia enviado para o festival. Contei que não havia resposta e que o line-up muito provavelmente estava fechado. Duas ou três semana antes do anúncio oficial, meu e-mail foi respondido com o convite. Foi uma sensação de surpresa em dobro: uma por não fazer ideia de que poderiam escutar e se interessar pelo material da Luneta Mágica e a segunda porque realmente acreditávamos que o line-up já estava definido. Após a divulgação oficial do line-up tivemos uma resposta muito positiva dos amigos e parceiros que acompanham a banda. Parecia uma conquista coletiva. Muita gente se viu envolvida nesse momento e no que ele representava pra banda e pro nosso estado. Talvez esse momento já valha o convite de tocar no festival.

TMDQA!: Uma visão que a gente tem aqui no TMDQA! é de que esse ano o line-up nacional do festival parece mais forte do que o line-up internacional, e isso tem muito a ver com o grande momento que vivemos na música brasileira. Como vocês enxergam esse movimento e como se encaixam dentro dele mesmo estando em Manaus, “fora do eixo”?

Luneta Mágica: Somos grandes consumidores de música brasileira. Concordamos com vocês quanto ao fortalecimento do line-up nacional comparado ao line-up internacional considerando o grande momento musical que vivemos no país. Ficamos muito honrados em poder participar desse recorte de renovação da música nacional de alguma forma. Enxergamos esse movimento como plural e de autoafirmação. Tivemos a sorte de lançar ano passado um EP de Remixes de nosso último álbum com um forte elenco de novos artistas da cena brasileira, nossos amigos e por vezes grandes influenciadores da nossa música. Foram 12 nomes de várias regiões, passando por artistas amazonenses até um grande ídolo nosso que é o Bonifrate. Esse EP foi mais um retrato da pluralidade e da potência de muitos artistas contemporâneos, o qual nos enxergamos contribuindo pela resistência da música que realmente busca uma identidade própria e que tem forças para quebrar as barreiras geográficas.

TMDQA!: Como você descreveria a sonoridade da Luneta Mágica para alguém que nunca ouviu a banda antes?

Luneta Mágica: Pergunta sempre difícil! Talvez a Luneta Mágica seja apenas uma banda de rock com fortes raízes na canção. Gostamos muito do choque da mistura de sonoridades antigas com sonoridades novas, tentando propor uma nova perspectiva.

 

TMDQA!: Nos próximos meses vocês têm diversos shows pelo Brasil e outros pelo mundo, incluindo Canadá, México e Europa além do SXSW nos EUA. Como é a preparação para formatar um show que será mostrado a plateias e culturas tão diferentes em espaços tão curtos de tempo? Como é imaginar, por exemplo, um show para o Lollapalooza Brasil e outro em casa?

Luneta Mágica: Existe um mix de nervosismo e ansiedade para saber como nossa música será recebida por plateias e culturas tão diferentes da nossa em espaços tão curtos de tempo de culturas tão diferentes das nossa. Existe também uma vontade de dar o sangue em qualquer show que fazemos, em casa, em um grande festival, pra uma pessoa, ou pra várias. Se uma pessoa foi tocada pela nossa música, bate um sentimento de dever cumprido.

 

TMDQA!: O rock psicodélico voltou a ser bastante celebrado nos últimos anos e parece ter pipocado em países e continentes diferentes em períodos parecidos. Tame Impala na Oceania, Boogarins no Brasil, Temples na Europa. Vocês bebem muito dessa fonte também e o mais legal é que cada banda dá uma cara própria ao seu som, como é o caso da Luneta Mágica. Quando veio essa vontade de abordar esse gênero musical e como vocês introduzem elementos brasileiros e pessoais de cada um a essa sonoridade? Que discos e bandas vocês têm ouvido ultimamente para inspirar as canções do terceiro disco?

Luneta Mágica: A abordagem desse gênero é uma veia muito natural da banda desde antes do nosso primeiro disco de 2012, Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida. Não focamos especificamente em música psicodélica, mas também não nos privamos dela. Tivemos a honra de participar da coletânea Udi Grudi “No Abismo da Alma – Um Tributo ao Movimento Udigrudi”, que reinterpretava grandes nomes dessa vertente brasileira. Ficamos com “Fidelidade” do Marconi Notaro e essa música diz muito sobre como gostamos de experimentar elementos da brasilidade psicodélica na Luneta Mágica.

Alguns discos e bandas que temos escutado ultimamente para inspirar as canções de nosso terceiro disco são os seguintes:

– The Zombies: Odessey and Oracle, 1968
– Olivia Tremor Control: Black Foliage: Animation Music Volume One, 1999
– Ty Segall: Melted, 2010
– Sergio Sampaio: Eu quero é botar meu nome na rua, 1973
– Can: Ege Bamyasi, 1973
– Silver Apples: Silver Apples, 1968
– Belchior: Alucinação, 1973
– Gal Costa: Gal, 1969
– Connan Mockasin: Forever Dolphin Love, 2011
– Roxy Music: For your pleasure, 1973

TMDQA!: O Brasil e o mundo vivem um período em que o pop lá fora e estilos como funk e sertanejo aqui são os mais populares. Muita gente bate na tecla de que o rock morreu por não estar no mainstream, ao mesmo tempo que pulsa firme e forte no underground. Vocês entendem que ao final de contas, música é música e o que está em evidência reflete o período em que vivemos? Como entendem esse pensamento de que o rock “morreu” e o que acham que faltaria para que essas bandas que fazem tanto barulho no cenário independente chegassem aos grandes públicos?

Luneta Mágica: Acreditamos que música é música e o que está em evidência reflete o período em que vivemos. Talvez o estereótipo do rock tenha morrido, mas a busca por liberdade que o estilo sempre procurou hoje se veja refletida em outras vertentes. Será que existe algo mais rock que Pabllo Vittar nos dias atuais? Penso que seja interessante escutar que o rock “morreu”, porque pode sinalizar um convite a renovação e ao refazimento de propostas artísticas que estava estagnadas há anos. Essa renovação constante deve ser uma das características do que se entende por rock. Particularmente, não saberia dizer o que faltaria para que algumas bandas que fazem tanto barulho no cenário independente chegassem ao grande público. Algumas, talvez nem queiram.

TMDQA!: Além disso, hoje estamos passando por tempos dos mais bizarros tanto politicamente quanto socialmente. Que papel você acha que a arte, e principalmente a música, tem para que a gente passe por períodos tão turbulentos como os de hoje?

Luneta Mágica: Não vemos a arte distante da política. Se por acaso elas se separam, a arte passa a ser souvenir e a política meramente alegórica. Penso que a arte que não tem medo de se posicionar tenha papel urgente hoje (mais uma vez) e que a música possa ser um veículo de replicação desse sentimento.

TMDQA!: Por aqui nossos discos são nossos amigos: que discos são imprescindíveis para a formação da banda e a concepção da sua sonoridade como ela está moldada hoje em dia?

Luneta Mágica: Outra pergunta difícil! Temos alguns discos clássicos de opinião consensual da banda:

– Pink Floyd: The Piper Gates of Dawn, 1967
– Caetano Veloso: Transa, 1972
– Arnaldo Baptista: Loki, 1974
– Radiohead: In Rainbows, 2007
– Wilco: A ghost is born, 2004
– Grizzly Bear: Veckatimest, 2009
– Beach Boys: Pet Sounds, 1966
– Neil Young: Harvest, 1972
– Leonard Cohen: Songs of Leonard Cohen, 1967
– Animal Collective: Merriweather Post Pavilion, 2009

Vamos ficar em 10 discos, caso contrário, a lista pode ser incontável.

 

A banda Luneta Mágica toca no primeiro dia de Lollapalooza Brasil, a Sexta-feira, 23 de Março.

 

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