Muitas vezes durante a carreira de certas bandas, principalmente depois que elas já lançaram uma série de álbuns e viram os anos passar, são lançados discos por uma série de fatores diferentes menos o aspecto artístico.

Tem grupo que sofre pressão de gravadora, outros querem se afirmar, e há ainda aqueles que parecem estar gravando um novo trabalho por obrigação.

Não são, necessariamente, álbuns ruins, e vários deles trazem grandes canções, mas sim aqueles que não agregaram grande valor para a carreira do artista nem para os seus fãs, e que muitas vezes são responsáveis por manchar a carreira de um grupo.

Separamos 12 deles por aqui e você pode conferir na sequência.

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The Get Up Kids

There Are Rules (2011)

The Get Up Kids - There Are Rules

Para quem não conhece, o The Get Up Kids foi um dos nomes mais importantes do que classificou-se como “emo” nos anos 90 e esteve bem próximo ao indie rock. Pares do influente grupo na época foram nomes como Death Cab For Cutie, Jimmy Eat World, Alkaline Trio e Dashboard Confessional.

Em 1999 o grupo lançou um disco chamado Something To Write Home About e explodiu para o mundo inteiro, fazendo com que gravadoras apostassem em uma série de nomes similares e o estilo se tornasse um dos preferidos de adolescentes em tantos outros países por aí.

Depois do sucesso do álbum e extensa turnê, veio On A Wire (2002), um disco considerado “esquisito” pelos fãs, e Guilt Show (2004), um grande registro do grupo que mostrava querer se aproximar cada vez mais da cena indie e se afastar do rótulo de “emo”.

Um ano depois, porém, a banda resolveu fazer o seu último show e encerrar as atividades, no que acabou se transformado em um hiato que se encerrou em 2008. O fruto (podre) dessa nova fase é exatamente There Are Rules, álbum lançado em 2011 que trouxe uma mistura de elementos com os quais a banda nunca havia experimentado antes: new wave, post-punk e uma série de efeitos e camadas sem fim.

Por que é desnecessário: There Are Rules veio após uma turnê de reunião muito bem sucedida que resultou em DVD e agradou em cheio aos fãs de uma das bandas mais influentes do rock alternativo do final dos anos 90. Se em um primeiro momento a alegria foi pela reunião inesperada do grupo, depois veio a frustração de um disco que não agradou ninguém, nem fãs da banda, nem fãs do novo estilo que a banda procurou abordar.

The Clash

Cut The Crap (1985)

The Clash - Cut The Crap

Em 1985 Joe Strummer resolveu lançar um novo disco com o The Clash mesmo que a banda já tivesse ruído. Depois de brigas internas e uma série de acusações pra lá e pra cá o baterista Topper Headon deixou a banda assim como fez, de forma mais marcante, o guitarrista Mick Jones. Para o seu lugar foram chamados dois guitarristas, Nick Sheppard e Vince White, deixando Strummer responsável apenas pelos vocais.

O resultado foi um disco desastroso, cheio de misturas em exagero, efeitos eletrônicos, nenhum hit e um dos piores discos da história. Não à toa, Cut The Crap fica de fora de todos os relançamentos da banda, caixas especiais, DVDs e coletâneas.

Por que é desnecessário: Não fosse o lançamento desse disco, a carreira do Clash, um dos grupos de rock mais influentes de todos os tempos, teria terminado em grande estilo com Combat Rock, o álbum de maior sucesso de vendas do grupo, com grandes canções como “Should I Stay Or Should I Go”, “Rock The Casbah”, “Straight To Hell” e “Know Your Rights”.

Black Flag

What The… (2013)

Black Flag

Se você procurar por nomes importantes na história do punk e do hardcore, definitivamente o Black Flag estará entre os primeiros nomes da lista.

Com letras, sons, shows e capas de discos que entraram para a história, a banda lançou uma série de trabalhos entre 1981 e 1985 que influenciaram artistas e bandas que vão desde o punk ao heavy metal e deveriam ser intocáveis.

Acontece que em 2013 uma nova formação do grupo liderada por Greg Ginn resolveu lançar um novo álbum e o fez através de What The…, que já começa errado com uma capa horrível.

Por que é desnecessário: Além de sujar o passado das capas sensacionais dos discos da banda desenhadas por Raymond Pettibon, o disco ainda foi gravado por uma formação que já se dissolveu e trouxe músicas que não fazem jus aos clássicos da banda nem mostram uma nova direção para o futuro.

Weezer

Raditude (2009)

weezer-raditude

Com seus três primeiros discos de estúdio, Weezer (“Blue Album” – 1994), Pinkerton (1996) e Weezer (“Green Album” – 2001), o Weezer tornou-se um dos grupos mais importantes do rock alternativo. Sons como “Say It Ain’t So”, “My Name Is Jonas”, “Hash Pipe”, “Island In The Sun” e “The Good Life” ecoaram pelos aparelhos de som de todo adolescente descolado de suas épocas e era difícil encontrar alguém que não gostasse dos roqueiros com jeito de nerd.

O problema é que a partir de Maladroit (2002) o grupo começou a lançar uma série de discos em um período curto de tempo e a maioria deles não chegou nem perto de agradar público e crítica como seus antecessores. Em 2009 veio a gota d’água na forma de Raditude, disco que falhou em ter um grande hit e, pior do que isso, trouxe parcerias frustradas do principal compositor da banda, Rivers Cuomo com gente como o rapper Lil’ Wayne na faixa “Cant Stop Partying”, extremamente dispensável.

Por que é desnecessário: Um ano antes a banda havia lançado mais um disco homônimo, conhecido como “Red Album” e emplacado alguns hits como “Troublemaker” e “Pork And Beans”, que ganhou um clipe dedicado aos vídeos virais do YouTube, o que deu nova visibilidade ao grupo. Lançar um disco apenas um ano depois, com uma série de canções dispensáveis foi um tiro n’água.

The Strokes

Comedown Machine (2013)

The Strokes - Comedown Machine

O Strokes já havia matado muita gente do coração com Angles, disco de 2011 que mesclou a sonoridade clássica do grupo em sons como “Under Cover Of Darkness” com outras que nunca haviam sido experimentadas antes pelos caras. Ainda assim, o álbum marca um momento na carreira dos “salvadores do rock” nos anos 2000 e mostra uma direção em que eles estavam interessados em experimentar.

No ano passado, porém, ao lançar Comedown Machine, parece que nem mesmo a banda entendeu o que estava acontecendo. Com uma capa sem graça, o disco não teve turnê de divulgação e viu a maior falação a respeito girar em torno da “influência” do technobrega na faixa “One Way Trigger”, o que é muito pouco para uma banda desse porte.

Por que foi desnecessário: Durante toda a carreira o grupo lançou discos que foram reverenciados e foram parar nas primeiras posições de praticamente todas as listas de final de ano. Isso ficou longe de acontecer no ano passado e acabou por tornar-se um momento nulo na carreira do Strokes.

AFI

Crash Love (2009)

afi-crash-love

A história do Strokes parece se repetir com Crash Love, do AFI.

Uma capa feia, um disco sem direção e um momento do grupo que foi acompanhado de perto apenas pelos fãs mais próximos e a impressão que temos é que o grupo só lançou o álbum por pressão externa, já que o último disco havia sido o super bem sucedido Decemberunderground de 2006. Não à toa, nessa época vários rumores sobre o fim do grupo começaram a surgir.

Por que é desnecessário: Entendemos que é preciso lançar novo material para manter um bom momento, ainda mais com o sucesso que teve seu disco anterior, mas Crash Love poderia ser adiado se a banda percebesse que estava sem direção definida quando o gravou.

Dashboard Confessional

Alter The Ending (2009)

Dashboard Confessional - Alter The Ending

Chris Carraba começou o Dashboard Confessional como um projeto solo onde declamava suas frustrações acompanhado apenas e tão somente de um violão e sua voz marcante. Com isso ele conseguiu alcançar um número impressionante de fãs e tornou-se uma das “bandas de um homem só” mais bem sucedidas dos anos 90 e 2000.

Acontece que com o tempo os fãs foram diminuindo, boa parte do hype em cima do emo, cena em que o DC se encaixava, também foi se apagando e nem mesmo os fãs mais fervorosos do cara sabiam direito o que estava acontecendo, o que ficou claro em Alter The Ending, lançado em 2009 e até hoje o último disco de estúdio da banda.

Por que é desnecessário: Perdido entre tocar sozinho e com banda, Chris Carraba decidiu fazer os dois nesse disco, que demonstra claramente o cansaço da velha fórmula do DC.

Hellacopters

Head Off (2008)

hellacopters-head-off

Os suecos do Hellacopters foram um dos grupos de hard rock/garage rock mais bem sucedidos dos anos 90 e 2000, e em 2008 resolveram encerrar as suas atividades.

Para isso o grupo preparou um disco de covers chamado Head Off que lançou no mesmo ano em que bateu as botas, com músicas de bandas que eles entendiam que “todo mundo deveria conhecer.”

O problema é que isso resultou em uma série de versões que empolgaram poucas pessoas e não fizeram jus ao legado que o grupo deixou com seus seis álbuns anteriores.

Por que é desnecessário: O adeus faria muito mais sentido com o ótimo Rock & Roll Is Dead (2005).

The Killers

Battle Born (2012)

The Killers - Battle Born

O Killers é uma banda que de 2004 a 2008 mostrou, na forma de três discos, sua abordagem original e bastante própria para sons que flutuavam entre o indie, a música eletrônica, o pop e o post-punk. Quando surgiu com seus hits, o grupo conquistou milhares de fãs ao redor do planeta por conta disso e se destacou entre tantas outras bandas similares que marcaram os anos 2000.

Acontece que com Battle Born, de 2012, criou-se uma expectativa gigantesca sobre o que poderia vir do quarteto de Las Vegas, divulgaram-se vários vídeos a respeito do trabalho mas o resultado foi frustrante.

Por que é desnecessário: Ficamos com a sensação de que alguém botou tudo o que o Killers fez anteriormente em um caldeirão e criou o álbum. Sem o frescor da originalidade, ficou o gosto de “mais do mesmo”.

Green Day

¡Dos! (2012)

Green Day - ¡Dos!

Em 2012 o Green Day lançou uma trilogia com os álbuns ¡Uno!, ¡Dos! e ¡Tré!, que acabou indo mal quanto a público e crítica por uma série de fatores.

Um deles é que o vocalista da banda Billie Joe Armstrong precisou se internar em uma clínica de reabilitação para resolver problemas relacionados ao álcool principalmente depois que uma performance no iHeartRadio acabou com ele xingando a produção e quebrando uma guitarra no palco.

Acontece que, apesar do primeiro álbum da trilogia ser interessante e trazer alguns bons sons recentes da banda, os dois outros são totalmente desnecessários, e suas músicas poderiam ter sido guardadas para b-sides ou coisas do tipo.

Escolhemos o ¡Dos! porque ele, além de tudo, contou com uma manobra de última hora para não ser um fracasso ainda maior. A música “Stray Heart”, que foi utilizada como single e ganhou clipe, era pra ter saído originalmente em ¡Tré!, mas foi “puxada” para seu antecessor pois tinha um apelo que poderia vender o disco.

Versões iniciais de ¡Dos! em vinil traziam a faixa “Drama Queen”.

Além disso, muitas das canções nele presentes se encaixariam muito melhor no projeto paralelo da banda com uma pegada hard rock, o Foxboro Hot Tubs.

Por que é desnecessário: Trilogias realmente são complicadas e só funcionam se tiverem uma ligação extremamente necessária. Nesse caso, não apenas não há uma história a contar como um disco só poderia sair a partir das canções mais fortes dos três.

Kings Of Leon

Come Around Sundown (2010)

Kings of Leon

Após o sucesso gigantesco de Only By The Night (2008) com seus mega hits “Sex On Fire” e “Use Somebody”, o Kings Of Leon estava desgastado e fragmentado internamente, quando resolveu lançar um novo disco.

Por trás da bela capa do álbum se escondem canções sem inspiração e sem o apelo pop que as citadas acima traziam.

O resultado foi uma grande decepção para público e crítica, que esperavam um novo disco, ou novos grandes singles, e acabaram recebendo músicas com levadas bem mais lentas e tristes.

Uma versão do álbum com todas as músicas “aceleradas” foi feita por um fã e disponibilizada no YouTube, e caiu nas graças de muita gente.

Por que é desnecessário: O curto tempo entre o disco e seu antecessor parece ter sido influência da velha e conhecida pressão da gravadora por novos hits, turnês e remuneração. O mais natural parecia ser descansar, recarregar as energias e aí sim partir para novas composições.

The Offspring

Days Go By (2012)

The Offspring - Days Go By

Quatro anos depois do já criticado Rise And Fall, Rage And Grace o Offspring resolveu lançar um novo disco de estúdio na forma de Days Go By.

O resultado foi um álbum de 12 faixas e, esse sim, entra aqui na lista por sua (má) qualidade.

Por que é desnecessário: Músicas como “Cruising California (Bumpin’ In My Trunk)” falam por si só e mancham a carreira de uma das bandas de rock alternativo mais importantes dos anos 90 e 2000.

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