Novo relatório mostra como tornar a indústria de discos de vinil mais sustentável

Novo estudo compartilha sugestões que as empresas podem adotar para diminuir a emissão de carbono durante os processos de fabricação dos discos de vinil.

Discos de Vinil via Canva
Discos de Vinil via Canva

O crescimento das vendas dos discos de vinil nos últimos anos foi acompanhado pelo aumento da preocupação da indústria com as questões da sustentabilidade.

Em 2023, as vendas de vinil aumentaram 14,2% em todos os varejistas independentes dos EUA, segundo a Luminate, porém as discussões em torno da pegada de carbono produzida pelos LPs – que há muito tempo tem sido apontada como um problema – também ganharam destaque.

Como conta a Billboard, a Vinyl Record Manufacturer’s Association (VRMA) e a Vinyl Alliance (VA) compartilharam um novo estudo que analisa a pegada de carbono produzida pelo vinil e oferece uma série de recomendações que podem ajudar a reduzir o efeito prejudicial ao ambiente.

A pesquisa tem como principal intuito incentivar a indústria de discos de vinil “a ser radicalmente transparente sobre o impacto ambiental da fabricação de discos de vinil e quais medidas podemos tomar para reduzir esse impacto”.

As análises foram feitas de acordo com o Greenhouse Gas (GHG) Protocol, que padroniza, a nível internacional, como as empresas medem, relatam e gerenciam suas emissões de gases de efeito estufa.

Estudo sobre a pegada de carbono produzida pelo vinil

O relatório divulgado pela VRMA e pela VA indica que a pegada completa de apenas um disco de vinil é de aproximadamente 1,15 kg de CO2, o que pode ser equivalente a dirigir um carro por 4,83km.

Os dados apontam que 50% dessas emissões são provenientes do composto plástico de PVC usado para prensar os discos; outros 30% são do consumo de energia na fábrica e 13% são resultados das embalagens impressas como jaquetas, encartes e protetores de plástico. A porcentagem restante inclui a fabricação de lacas, ferramentas de corte e carimbos, e outras embalagens.

Confira a seguir as cinco recomendações feitas pelo estudo que os fabricantes de vinil podem adotar para reduzir as emissões de carbono durante seus processos de produção.

Dicas para fazer um disco de vinil sustentável

1. Eliminar o frete aéreo

A primeira dica do estudo é eliminar o frete aéreo pois, caso uma gravadora ou artista faça a prensa do seu disco em um único local e envie os discos para mercados globais por frete aéreo, essas emissões de transporte vão ofuscar qualquer outra coisa que a pessoa possa fazer para reduzir a pegada de carbono do seu lançamento.

2. Mudar o composto de PVC “bioatribuído”

A segunda recomendação é mudar para o composto de PVC “bioatribuído”, um produto relativamente recente que é feito de um resíduo criado durante a produção de papel e usa matérias-primas vegetais para substituir o petróleo com o qual o PVC é normalmente feito. O uso deste composto poderia reduzir a pegada de carbono de um álbum em cerca de 44%, segundo o relatório.

3. Pressionar em vinil mais leve

A pesquisa também indica que os fabricantes devem pressionar em vinil mais leve de 140 gramas, em vez de 180 gramas. Ela explica que pesos mais pesados ​​podem aumentar a pegada de um disco entre 14% e 26%, assim como o uso de vinil splatter, que envolve polvilhar várias cores em uma cor de fundo antes que o disco seja prensado.

4. Manter embalagens simples

Outra sugestão é que os fabricantes devem manter suas embalagens simples, observando que uma dobra de capa em um único disco adiciona de 10% a 15% à pegada típica de um disco em comparação com uma capa padrão de 3 mm.

5. Energia de carbono zero

Como última dica, o relatório indica todas as empresas na cadeia de suprimentos a fazerem a transição para energia de carbono zero. As plantas de prensagem geralmente têm caldeiras a gás, e substituí-las por caldeiras elétricas ou de hidrogênio representa um enorme desafio que precisa ser enfrentado pelas fábricas.