Jão - SUPER

Nos últimos anos, Jão se transformou em um verdadeiro fenômeno. Nenhuma ideia, por mais maluca que seja, parece ir além do que o cantor paulista considera possível; não à toa, seu novo disco SUPER é uma celebração dessa megalomania em sua melhor forma, abraçando diversos conceitos ao mesmo tempo e oferecendo um pano de fundo para que todos possam coexistir.

Logo de cara, “Escorpião” é um jeito de Jão receber o ouvinte com um alerta de que será preciso abrir a cabeça para consumir o novo álbum. A faixa tem forte influência do Rock nacional das antigas, remetendo ao que há de melhor da nossa música dos anos 80 e 90 e trazendo essa influência para um contexto mais recente, especialmente através da letra que explora a identidade escorpiana (e vingativa!) do músico.

Se os elementos de Blues e Rock se fazem mais presentes na música de abertura, elas logo dão espaço para o Pop que marcou a carreira do artista em “Me Lambe”, segunda faixa de SUPER. A música já apresenta também um dos temas centrais do álbum: a sexualidade de Jão, que aqui e em outras faixas é colocada de forma muito honesta e aberta.

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Jão aposta em nostalgia, mas não se apoia no passado

A terceira música do novo disco, “Gameboy”, também traz um elemento importante para a concepção do trabalho: a nostalgia. Diferentemente de muitos outros artistas, no entanto, Jão aparece aqui usando-a como instrumento de suas composições, e não se apoiando exclusivamente nela para construir sua sonoridade.

O melhor exemplo disso é “Locadora”, que aparece já no segundo “lado” de SUPER, um pouco mais sóbrio e menos divertido do que o primeiro, ainda que explore temas semelhantes.

Nesta música, Jão resgata elementos que marcaram seu passado e brinca com os sentimentos daqueles que viveram coisas parecidas, gerando identificação sem precisar usar tudo isso como muleta para compensar a fraqueza de composições e comprovando a riqueza de seu repertório.

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A mudança de ambientação do disco se dá através de algumas das canções mais emocionantes da carreira de Jão, com a sequência “Maria” e “Julho” soando tão sinceras quanto possível antes de darem lugar para “Eu Posso Ser Como Você”, com seu tom mais sombrio que explora um piano e começa a introduzir mais elementos eletrônicos, presentes com mais força na reta final do álbum.

Os detalhes de produção desta música, aliás, são alguns dos mais belos do trabalho, que parece ter sido pensado em cada camada. A faixa-título é um exemplo ótimo disso, apresentando ao ouvinte um belíssimo arranjo de cordas que, ao mesmo tempo em que oferece uma grandeza épica ao disco, se destaca pela forma minimalista e dá espaço para a voz de Jão brilhar mais do que nunca.

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Jão – SUPER

Em SUPER, Jão mostra por que vem se tornando um dos maiores representantes do novo Pop brasileiro. Há qualidades inquestionáveis no álbum, como a capacidade de Jão enquanto letrista para se conectar com uma audiência cada vez mais exigente e ciente de seus próprios sentimentos — não é fácil criar essa identificação, e o artista o faz com uma maestria de dar inveja a grandes nomes internacionais.

Neste sentido, a produção também se equipara a nomes globais em diversos momentos. “Sinais” e “São Paulo, 2015” são dois pontos altos nesse sentido, se destacando por oferecerem novas sonoridades dentro do catálogo de Jão; a segunda, especialmente, desponta como a melhor do álbum por ser a que mais arrisca dentro do trabalho.

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A principal crítica, aliás, vai ao fato de Jão parecer se limitar em alguns momentos. “São Paulo, 2015”, “Escorpião” e “Sinais” são provas de que sua voz e sua capacidade de compositor vão muito além do Pop radiofônico, a ponto de transformar instrumentais que dificilmente ecoariam em rádios do país como uma pedida certeira para qualquer um consumir.

SUPER já se apresenta como um passo na direção certa para o cantor, mas o futuro é ainda mais promissor se considerarmos que há muito espaço para explorar e experimentar dentro da sonoridade que Jão nos oferece.

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REVIEW GERAL
Nota:
7.0
jao-super-resenhaNos últimos anos, Jão se transformou em um verdadeiro fenômeno. Nenhuma ideia, por mais maluca que seja, parece ir além do que o cantor paulista considera possível; não à toa, seu novo disco SUPER é uma celebração dessa megalomania em sua melhor forma, abraçando diversos conceitos ao mesmo...