Foo Fighters sem Taylor Hawkins
Foto por Danny Clinch

Nesta sexta-feira (2), o Foo Fighters lançou o tão aguardado álbum But Here We Are. O primeiro disco após o falecimento de Taylor Hawkins chegou com 10 músicas e 48 minutos de duração, e traz consigo os ótimos singles que animaram os fãs nos últimos dias.

A realidade, no entanto, é que os Foos conseguiram guardar muitas surpresas para quem esperou o lançamento do álbum completo. A dupla de abertura “Rescued” e “Under You”, ambas divulgadas antes do disco, é quase paradoxal: ao mesmo tempo que dão o tom da obra, as canções soam completamente diferentes de todo o resto.

Isso já havia ficado claro para quem ouvisse “Show Me How”, single que conta com a participação de Violet Grohl, filha de Dave Grohl, e tem uma forte influência do Shoegaze e até alguns traços de Rock Progressivo. Este último aparece com força na última prévia lançada, “The Teacher”, que se tornou a música mais longa da carreira da banda com mais de 10 minutos de duração.

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Foo Fighters exalta o poder da música em novo disco

Chegou a hora de explicar o paradoxo citado acima. “Rescued” e “Under You” são canções enérgicas, que lembram a fase de ouro do início dos Foos — com refrães potentes daqueles que Grohl nos deixou mal acostumados a ouvir, ambas têm todo o potencial para criar alguns dos momentos mais divertidos e fortes dos shows da banda daqui pra frente.

Esse sentimento que permeia as duas músicas pode ser traduzido, de certa forma, como uma união através da música. De forma geral, essa parece ser a grande mensagem de But Here We Are: a força que essa arte tem para construir relações e também para desconstrui-las, no sentido de nos ajudar a entender tudo que sentirmos. Com todo o histórico de Dave Grohl, desde Kurt Cobain até a perda de sua mãe, Virgina Grohl, poucos meses após Hawkins, é difícil não acreditar nesse poder da música.

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Não é à toa, aliás, que Dave escolheu não fazer entrevistas para divulgar o novo álbum. Mesmo à primeira ouvida, But Here We Are é extremamente claro em sua mensagem que passa pelo que falamos agora e também por um desabafo muitas vezes beirando o literal, ainda que sempre poetizado e embelezado pelas incríveis escolhas de melodia vocal de Dave para as letras tão potentes.

Dito tudo isso, o microcosmo de “Rescued” e “Under You” ainda tem uma diferença muito gritante em relação ao restante do álbum, que gera esse paradoxo. Quem esperava uma sonoridade mais agitada com base nos singles pode se surpreender, se é que isso já não havia acontecido antes com “Show Me How” e “The Teacher”.

Com exceção da ótima “Nothing at All”, que já havia sido tocada no ensaio em que o grupo apresentou seu novo baterista Josh Freese aos fãs, a maioria das faixas do novo disco soa muito mais sóbria e contida, no melhor sentido possível, do que os dois primeiros singles.

Ainda assim, a musicalidade do trabalho passa longe de cair na mesmice. Só para citar algumas das músicas que não foram singles, “Beyond Me” é um hino Classic Rock que remete ao Queen, “Rest” explora a estética lo-fi de nomes como Elliott Smith com uma forte influência do Emo e “The Glass” é uma balada perfeita de Rock Alternativo.

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But Here We Are traz emoção e potência de volta ao Foo Fighters

Para os fãs que vinham há anos esperando o Foo Fighters se reconectar com suas raízes, But Here We Are é o disco perfeito. Aqui, Dave Grohl e companhia não repetem nenhuma fórmula, mas imprimem a assinatura que se tornou marca registrada nos melhores trabalhos da banda: emoção e potência.

Não é exagero nenhum dizer que os outros integrantes da banda aparecem com mais destaque do que nunca. Nate Mendel finalmente parece trazer algumas de suas ótimas linhas de baixo que marcaram época no Sunny Day Real Estate, enquanto Chris Shiflett parece finalmente ter saído um pouco da sombra de Grohl para brilhar com linhas criativas e tocantes.

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Ainda assim, o grande destaque fica para a voz de Dave e para o seu retorno à bateria. A escolha era óbvia mas, ainda assim, é reconfortante para qualquer fã do Foo Fighters ver que ele não pestanejou em assumir as baquetas no estúdio e honrar Taylor Hawkins da melhor maneira possível, exibindo todo o seu inigualável talento e criatividade no instrumento especialmente em músicas como a faixa-título e a já citada “Nothing at All”.

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Foo Fighters entrega seu melhor disco em mais de 20 anos

Chega a ser difícil pensar em qualquer tipo de crítica a But Here We Are. O equilíbrio parece perfeito entre as duas qualidades que mencionamos — emoção e potência — e isso, somado à voz rasgada e mais sincera do que nunca de Dave Grohl, é algo que, em especial após ouvir o fechamento do álbum com “Rest”, faz qualquer fã substituir as palavras por lágrimas.

Dado o histórico recente, era totalmente razoável esperar que os Foos fossem entregar “mais do mesmo” em But Here We Are. No entanto, o álbum é uma surpresa imensamente positiva e chega para acalentar aqueles fãs que por vezes pensaram que, depois do lançamento de Wasting Light, em 2011, nunca mais iriam sentir algo tão forte com músicas inéditas do Foo Fighters.

But Here We Are supera todas as expectativas e entra, sem dúvida alguma, no ranking dos melhores discos dessa banda já tão prolífica. Até mesmo Wasting Light, que parecia ser um pico tardio dos Foos, fica para trás em uma análise comparativa inicial por conta de todo o contexto que permeia o novo disco.

Mais do que tudo, o álbum soa não apenas como um presente aos fãs, mas também da própria banda a si mesma — a homenagem perfeita a Taylor Hawkins, a Virginia Grohl, a todos que ficaram no meio do caminho e a todos que continuam por aqui.

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REVIEW GERAL
Nota:
10
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