Rise Against em 2023
Foto por Nedda Afsari

Se você acompanha a cena Punk há algum tempo, provavelmente já pelo menos ouviu falar do Rise Against. A banda que transita entre uma vertente mais Pop do gênero e outra mais próxima do Hardcore veio de Chicago e, há anos, conquista o mundo com suas letras genuínas e afiadas sobre problemas sociais.

Sem medir palavras, Tim McIlrath sempre existiu entre o tom de desabafo, presente em faixas como a emocionante “Make It Stop (September’s Children)”, e uma mensagem mais sincera e direta, como em “Hero of War”. Nos últimos anos, continuou sua missão ao apresentar ao mundo o disco Nowhere Generation, que segue abordando temas tensos do mundo moderno.

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No recente EP que complementou o álbum cheio, por exemplo, temos a música “The Answer”. Ela vem com uma proposta super interessante e contemporânea, usando um áudio do momento em que uma torcida de estádio nos EUA aplaudiu um jogador que havia sido “cancelado” na internet por ter usado termos homofóbicos e racistas no passado.

Tanto essa canção quanto toda a trajetória da banda, que fez um show espetacular no Cine Joia nesta quarta-feira (22), foram tema de uma entrevista do TMDQA! com o gentil e simpático Tim. Você pode conferir a conversa na íntegra abaixo!

Rise Against no Lollapalooza Brasil

Vale lembrar que o Rise Against será a última atração a subir no Palco Adidas do Lollapalooza Brasil nesta sexta-feira (24), tocando entre 21:15 e 22:15. Não perca!

TMDQA! Entrevista Tim McIlrath (Rise Against)

TMDQA!: Oi, Tim! Que prazer estar falando com você. Sou um fã há um bom tempo, e pra provar isso, acabei de receber um e-mail do projeto It Gets Better, que conheci através do clipe de “Make It Stop”. Essa luta contra a homofobia, assim como várias outras políticas, são grande parte do que faz o Rise Against ser especial, e acredito que até à frente de seu tempo em alguns quesitos já que vocês falavam disso em um momento onde pouca gente o fazia. De onde veio isso e quão importante é seguir engajado nisso até hoje?

Tim McIlrath: Eu sinto que muitas das bandas que eu cresci ouvindo eram bandas políticas. Tipo o Fugazi, sabe. Então, fazer o Rise Against sempre teve algo sobre “rising against” [se rebelar, em tradução livre] que estaria presente em tudo que quiséssemos fazer. Então, pra nós, quando a música engaja com a política, é tão mais poderoso!

Você citou “Make It Stop”, e esse projeto com o It Gets Better foi muito orgânico. Nós estávamos ouvindo as preocupações dos nossos fãs e as ansiedades deles sobre o que estava acontecendo no mundo deles. Então, fez sentido que nós trouxéssemos uma afirmação e tentássemos impactar as vidas das pessoas que estão ouvindo as nossas coisas, sabe?

Nós somos uma banda e nós fazemos o que estiver ao nosso alcance. E, ao mesmo tempo, isso é só o que podemos fazer. Então, tentamos dar uma importância pras músicas.

TMDQA!: É curioso porque, ao mesmo tempo, a sensação é de que as músicas de vocês não são negativas. É um sentimento de “isso é difícil, mas precisamos seguir em frente”, né.

Tim: Acho que isso é parte de estar nessa banda e parte de termos essa comunidade de fãs ao nosso redor, porque meio que avisamos uns aos outros que não estamos sozinhos, estamos juntos nessa. E isso nos ajuda a seguir em frente, dia após dia. Acho que isso é o que a música pode ser e deve ser. E quando a gente acerta em cheio, é o que é.

TMDQA!: Você e o Joe [Principe, baixista], mais do que ninguém, têm estado nessa há bastante tempo e nos últimos trabalhos dá pra ver que a luta continua. De onde vem a inspiração pra isso?

Tim: Eu acho que nós estamos sempre procurando inspiração do mundo ao nosso redor. A gente tira a temperatura do que está acontecendo ao redor, do que os nossos fãs estão sentindo. E aí você nunca sabe o que vai acontecer, mas algo sempre acontece. É algo como, “Ah, precisamos ter uma música sobre isso”, ou, “Precisamos falar sobre isso”. Eu acho que é bem natural.

TMDQA!: E vocês têm a “The Answer”, por exemplo, que traz esse áudio de um jogo da MLB que é realmente repugnante.

Tim: Foi um momento feio da história humana. A gente sentiu que isso precisava ser parte dessa música.

TMDQA!: Falando de coisa boa, vocês estão no Brasil mais uma vez e com um show totalmente esgotado por aqui. Sinto que é um país que tem sido bom pra vocês! Você tem alguma memória favorita daqui?

Tim: A última vez que estivemos aqui, nós tocamos com o Prophets of Rage. Foi, se não me engano, no Maximus Festival [em 2017]. E da primeira vez nós chegamos com o Anti-Flag para o Wros Fest, e esses foram muito bons! Nós tocamos em São Paulo, nós fizemos um show no Rio de Janeiro, deu pra ficar de rolê por lá. As pessoas têm sido muito boas conosco.

A família do Rise Against no Brasil é incrível. A comida aqui é incrível. A gente é muito grato por isso [de ter vendido tantos ingressos]. Sabe, a gente não vem aqui o suficiente. O Brasil foi um dos últimos lugares que viemos entre os que já tocamos, e eu adoraria tocar mais aqui porque os shows são sempre realmente empolgantes. E hoje vai ser ótimo também!

TMDQA!: Por fim, pra casar com o nome do nosso site, a pergunta que não poderia faltar: você tem mais discos que amigos?

Tim: [risos] Se eu tenho mais discos que amigos? Sim, facilmente. Com certeza absoluta.

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