Garbage Against Me
Imagens: Divulgação

Momentos de crise econômica costumam afetar as classes mais pobres e setores que dependem de incentivos, como a cultura. E aparentemente isso não está acontecendo só no Brasil. Bandas de Rock famosas internacionalmente, como Garbage, Animal Collective e Against Me!, estão relatando problemas para realizar suas turnês.

Em um desabafo no Instagram (veja o post mais abaixo), a vocalista Shirley Manson, do Garbage, descreveu uma série de problemas que os músicos, especialmente os mais jovens, estão enfrentando atualmente na estrada.

Para ela, a música ao vivo está sob ameaça pelas grandes corporações, que não pagam um preço justo pelo trabalho artístico:

Estamos vendo tantos talentos preciosos cederem à injustiça econômica de um sistema que não paga por sua produção artística. Todo mundo está competindo por poucas datas e locais de show para ganhar uma pequena quantia e se manter apenas até o próximo show. Enquanto isso, corporações estão ganhando bilhões de dólares com o trabalho de artistas e não compartilham o lucro. Estamos perdendo toda uma geração de jovens artistas. E digo mais: muitos dos artistas que reverenciamos no passado teriam sido totalmente destruídos pelo sistema atual.

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Animal Collective cancelou toda a turnê europeia

 

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Uma das bandas a dar início a essa discussão foi o Animal Collective, que cancelou a turnê que faria pela Europa a partir de novembro citando a gasolina cara e alegando “inflação, desvalorização da moeda, custos de envio e transporte inflados e muito, muito mais”.

Antes, cantores solo como Santigold, Sam Fender e Lindsey Buckingham já haviam suspendido shows alegando razões econômicas e de saúde mental relacionadas a esses problemas.

Laura Jane Grace (Against Me!) relata valores exorbitantes cobrados por empresários

Para dar um exemplo mais claro da situação, recentemente a vocalista do Against Me!, Laura Jane Grace, fez coro a essas reclamações.

Em uma sequência de tweets (veja abaixo), ela lembrou os valores e o poder abusivos que alguns empresários exercem sobre as bandas:

O discurso sobre a economia da indústria da música em turnê deveria começar pela ética dos empresários, que recebem de 15% a 20% da receita BRUTA de uma turnê, e não do LÍQUIDO. O Against Me! fez turnês na última década em que cada um de nós ganhou tipo 2 ou 3 mil, enquanto o empresário ganhou um cheque de 40 mil. É por isso que agora eu não tenho empresário.

Ela inclusive postou prints de Excel que detalham os valores da última turnê da banda pela Europa, onde os empresários teriam recebido US$18.842 ao final do giro, enquanto o grupo — que divide tudo em quatro pessoas — lucrou apenas US$1.893,89.

Que situação, hein?

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