Mahmundi
Foto por Lucas Nogueira

Neste fim de semana, mais precisamente no dia 02 de Julho, rola em Belo Horizonte, Minas Gerais, o Festival Sensacional e a multitalentosa Mahmundi é uma das atrações confirmadas!

Cantora, compositora, instrumentista e produtora, a artista ganhou o coração dos ouvintes com sua habilidade de traduzir o amor em canção. Com 3 álbuns de estúdio na bagagem e 10 anos em carreira solo, sua trajetória é marcada por reinvenções e redescobertas. Mahmundi é daquelas que você precisa ficar atento a cada novidade ou irá deixar algo incrível passar.

Mahmundi no Festival Sensacional

Na capital mineira, a cantora carioca sobe ao Palco Smirnoff do Festival Sensacional ao lado da conterrânea Letrux para uma apresentação conjunta inédita. A parceria é fruto de uma amizade que já dura anos, desde quando Marcela Vale, a Mahmundi, era técnica de som no Circo Voador.

A Letrux, pra mim, como pessoa, como indivíduo, como artista, é uma mulher muito à frente do tempo. […] E sou muito grata por ela ter essa essa leveza, essa diversão e essa arte de fazer a parada. Então, quando ela falou, ‘E aí, amiga, que que você acha?’, eu falei, ‘Cara, agora, ‘vambora’, com você eu pilho’.

Para saber mais sobre os preparativos da dupla para a apresentação na festa e ainda te atualizar sobre o que vem por aí na carreira de Mahmundi, o TMDQA! realizou uma entrevista exclusiva com a artista.

Enquanto realizava a sua rotina matinal de skincare, Marcela nos contou sobre sua admiração pela cena musical de Minas Gerais, as celebrações de suas conquistas, seus processos de criação e produção, e ainda adiantou detalhes sobre o seu próximo álbum. Você confere nossa conversa logo após o vídeo!

TMDQA! Entrevista Mahmundi

TMDQA!: Olá, Mahmundi, primeiramente agradeço seu tempo para gente bater esse papo, é uma honra para mim. Esse ano temos a forte volta dos festivais, depois de 2 anos pandêmicos, e neste final de semana você sobe ao palco do Festival Sensacional, em Belo Horizonte, ao lado da Letrux. Essa é a primeira vez que vocês se apresentam juntas. Como têm sido as preparações e o que podemos esperar desse show? Alguma surpresa?

Mahmundi: Cara, eu conheço a Letrux há muito tempo, né?! Eu era a técnica de som do Circo Voador quando ela já se apresentava com o Letuce lá e eu já achava aquilo muito louco. Acho que a Letrux, pra mim, como pessoa, como indivíduo, como artista, é uma mulher muito à frente do tempo, e [é] curioso porque, na verdade, ela não faz nada demais, né?! É tão libertário. É tão difícil a gente ser quem a gente é no mundo, que essas coisas naturais, que deveriam ser naturais, parecem espetaculares. Mas eu sou muito grata por ela ter essa essa leveza, essa diversão e essa arte de fazer a parada. Então, quando ela falou, “E aí, amiga, que que você acha?”, eu falei, “Cara, agora, ‘vambora’, com você eu pilho”.

Eu tô saindo pouco de casa. Assumi pra mim e pra minha analista, definitivamente, que eu gosto mesmo [é] de estar em estúdio, e essas oportunidades das relações, da gente tá nesse palco sensacional e maneiro, e aí terminar de tocar, depois beber, conversar, sei lá, faz com que valha a pena tá com o público, né?! Eu amo fazer isso, mas cada vez mais consciente de mim e do outro, como que cê sobe no palco, como que cê faz essa ponte. Então, eu tô muito animada, a gente tá ensaiando aí e vai ter umas surpresinhas. A gente vai se divertir. Eu acho que pra mim esse é o ponto alto: me divertir com o público e com uma amiga de longa data. Vai ser incrível!

TMDQA!: Eu ia perguntar, justamente, se em festivais você costuma depois cair no meio do público para curtir. Tem algum artista do line-up que você ainda não viu ao vivo e quer aproveitar a oportunidade para conhecer?

Mahmundi: Cara, completamente! A gente tinha esse momento antes da pandemia que você tava vendo as coisas ali e trabalhando… acaba virando um super ofício essa parada. Eu que tô fazendo isso há quase, sei lá, 10 anos, 11 anos, chega uma hora que você entende o negócio e aí vira um trampo: acordar bem, comer bem, tomar sopa, pra cantar. E aí, quando eu não tô nas minhas funções, eu tô lá vivendo o que eu deixei de viver, ver o que o público vê, eu amo.

Eu tô muito empolgada pro Sensacional. Tem as dobradinhas das meninas que eu já conheço, a Liniker com a Tulipa [Ruiz]… Eu acho que eu já vi tudo, assim, fuçando, nessa pista aí de ver muito show, mas eu acho que ver em BH que é a parada. É um lugar que eu amo, que eu sou apaixonada. Vivi minha época de Fotolog muito com meus amigos de BH. Então, voltar para BH, cantando, vai ser maravilhoso.

TMDQA!: BH tem uma cena de festivais fantástica: Sarará, Breve, Sensacional… Eu gosto bastante de ir para lá pra curtir shows assim.

Mahmundi: Você não é de BH?! Cê tem mó sotaque!

TMDQA!: Eu sou de Minas Gerais, mas eu sou de Juiz de Fora, algumas horinhas de BH. Mas quando surge oportunidade eu piso por lá.

Mahmundi: Ah, entendi. E desde sempre, assim… depois que eu fui entender o rolé de Minas, musicalidade, acorde, construção de narrativa, que é muito específica, que é tipo Brasília. Brasília tem muito isso também. É muito lindo, desde essa turma lá do Clube da Esquina até o Djonga, até a Marina Sena e tudo, não só de BH, mas esse circuitozão, a canção continua lá, da mesma forma, nessa alma muito mineira, muito particular, eu acho muito específico o rolé assim. E aí, quando junta todo mundo pra ir pra BH, que é, né, essa coisa modernosa, é divertido demais, eu amo.

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TMDQA!: Você voltou a se apresentar ao vivo com público no final do ano passado e têm rolado alguns shows nessa primeira metade de 2022. Como tem sido essa volta e como foi encontrar um público cantando as músicas do Mundo Novo, que já havia sido lançado há cerca de dois anos, mas que pros shows ainda é tão novo?

Mahmundi: Completamente! Esse álbum foi um álbum-cápsula, né? Não que eu estivesse prevendo alguma coisa, mas na minha cabeça tava existindo muito uma questão de mundo novo, de você repensar a vida, entender o processo de indústria, entrando mais [nisso]… eu falei, “Cara, eu vou contra as tendências, vou fazer um álbum de banda, [algo] que eu nunca fiz”. Inclusive, fiz com uma galera de BH, uma galera de música instrumental que são gênios, e a gente fez um disco todo amadeirado, ele é mais íntimo, ele é outro esquema, fora totalmente do digital, e eu nunca imaginei fazer ele em show, porque ele é mais low.

O próximo álbum, que sai esse ano, se Deus quiser, e a Universal já está me cobrando igual um agiota [risos], é completamente diferente. Ele é eletrônico, eu fiquei dois anos estudando para entender o que que tá acontecendo na cena de áudio. Deu uma mudança muito doida, né?! Então eu acho que, tocar esse álbum [Mundo Novo], tem algumas coisas que eu toco dele, mas eu prefiro que as pessoas vivam ele em casa. Eu falo isso muito com o Castello Branco, que é um amigo meu, cantor, que tem coisas que a gente faz para as pessoas viverem no momento delas e outras a gente já faz para elas compartilharem na rua e ficarem se esbaldando. Então vai ter um pouco de cada coisa assim pros próximos shows e, definitivamente, o álbum que tá vindo aí.

TMDQA!: Maravilhoso que você já adiantou informações sobre um novo álbum, e é uma das perguntas que eu tinha aqui. [risos] A sua trajetória sempre foi marcada por redescobertas e liberdade em experimentar e mostrar suas habilidades de diferentes formas. No início bastante sintetizador, flerte com eletrônico, depois veio essa coisa mais banda. E, no último single, com Rubel, teve mais o acústico… e, agora, você já tem uma ideia de pra onde isso tá caminhando [no próximo álbum]. Como é trabalhar com essa liberdade e poder brincar com sonoridades a cada lançamento?

Mahmundi: Hoje eu acordei aqui no Rio de Janeiro, tá um solzão. Eu consegui, finalmente, uma cobertura — não é uma “cobertuuuura”, assim, mas é uma casa, que era uma casa de caseiro e alguém decidiu que seria uma cobertura, então ela é meio irregular e eu amo. Posso fazer barulho, eu posso brigar, fazer churrasco [com som] alto… Eu fico muito grata pela vida que eu tenho, apesar de todo caos, e de ter construído esse lugar de poder ficar testando coisas. Viver num mundo onde você pode, como indivíduo, exercer o que você gosta. Eu consegui construir o lugar que eu queria e fico muito honrada e muito feliz porque o público compra o meu barulho.

Essa história com Rubel, eu falei com ele, “Amigo, eu quero fazer uma música que eu imagino você cantando” e eu vou cantar porque o single é meu, mas essa história do violão, uma coisa meio Kings of Convenience, essa energia… é difícil fazer folk no Brasil porque é muito quente, né? O clima e o folk, eles não batem. Aí a gente tentou chegar nesse híbrido. Então são sempre pesquisas. Eu nunca fui boa de estudar, parei no segundo ano depois de muitas reprovações, mas eu sabia que a arte era o lugar onde eu precisava construir esse imaginário para testar. Então os meus álbuns são muito assim. Não sei se respondi sua pergunta, eu falo muito.

TMDQA!: Apesar de eu estar aqui como jornalista, também sou da área das artes, então entendo perfeitamente essa vontade e a importância de poder ter o seu tempo, e poder criar, experimentar… não tem que ficar só entregando o que o povo quer.

Mahmundi: É! E tudo bem também, eu já tentei e vou continuar tentando. Agora tô com estúdio, então, pra mim, trabalhar numa padaria em que o público gosta de receber pão de queijo, misto quente… acho ótimo, eu não sei fazer, mas talvez meu próximo passo é colar com produtoras que fazem trap, porque as meninas mandam muito bem, eu não quero ficar gastando horas do meu dia fazendo isso, é melhor colar com uma mina foda que sabe fazer e a gente agrega. Isso é uma coisa que aprendi também nos últimos tempos. Então, para mim, esse processo de voltar a produzir tem a ver com essa alma que é colaborativa mas ao mesmo tempo artística que a gente não pode perder.

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TMDQA!: Minha próxima pergunta é justamente sobre colaborações. Porque, ao longo da sua carreira, você gravou, compôs e produziu com diversos artistas, só que, dentro dos lançamentos da Mahmundi, feats não são tão comuns. Isso é uma coisa que você pretende experimentar mais? Esse single com Rubel foi um primeiro passo ou foi uma exceção?

Mahmundi: Eu fiz um feat com a Liniker que eu só fiz os coros e ela ficou, “Como assim, amiga?”. Eu gosto de ser um feat colaborando de outras formas. Eu acho que tem o convencional, que é você chamar alguém e tal, tem a coisa do resultado, qual é o artista que funciona pra sua música… se eu entrasse numa de chamar alguém do sertanejo pra fazer um feat, seria por outra coisa. Eu acho que é isso, esse caminho de estudar um feat, eu que produzo, eu sou chatíssima, Leão com Capricórnio, enfim…

Mas é isso, eu gosto de linkar com feats que já fazem sentido pra canção, pra vida e tudo mais. Mas você me deu uma boa ideia, o pessoal da Universal vive me cobrando, vai que eu entro numa era feats aí, vou dizer que você que indicou.

TMDQA!: No último álbum você explorou o lado intérprete, agora já faz um álbum só de feats!

Mahmundi: Pra quem nunca fez feat, fazer um álbum com 10 feats, cê imagina? [risos]

TMDQA!: Eu vou querer meu nome nos agradecimentos! [risos] Inicialmente, você gostaria de ser produtora musical e a sua voz acabou entrando no jogo como parte de realizar esse desejo, produzindo suas próprias músicas. Ao mesmo tempo, esse processo de compor e cantar é se expor, mostrar seus amores, suas dores, saudades… essa parte de se abrir e compartilhar suas vivências com os ouvintes foi um desafio ou algo natural para você?

Mahmundi: Cara, não. Eu tenho uma relação muito [forte] com a música, sou muito apaixonada por música, um pouco demais, até, então tudo que vem da vida eu fico tentando sempre musicar. Então, falar das relações, falar dos amores… e tem alguma hora também que não são nem mais os seus amores, né?! Algumas coisas são minhas, outras já são dos outros, outras são letras que eu recebo e vou musicando.

É um processo que vai se redescobrindo, de repente você vira cover de você no processo, então você tem que estar o tempo inteiro repensando e [buscando] falar de outras coisas. Tem um monte de caminho, mas eu gosto de falar de amor porque ele não tem validade, os perrengues são os mesmos, as bobeiras são as mesmas. A gente tá sempre patinando nessa saga de ser amado, né?!

TMDQA!: E sobre processo de composição? Porque você começou, acredito, muito sozinha, dentro de casa, gravando, produzindo, e agora você tá com uma grande gravadora, colaborações… mudou muito esse processo ou as músicas ainda nascem da mesma forma?

Mahmundi: É isso. Eu entrei nesse ramo de composição, de fazer soundcamp, que é juntar compositores pra produzir pra artistas grandes, então isso abriu muito a minha cabeça. Tinha-se muito um debate do. “Ah, o artista só vai lá cantar, tem 50 pessoas produzindo”, beleza, é isso, talvez ele seja um crooner, uma crooner. E aí tem essa coisa também de não dar limite, né?! Esse preconceito um pouco que a gente tem com os novos formatos de compor e de produzir… eu fico sempre ligada, porque a gente fala, “Ah, bolsonarista é conservador”, mas eu posso me tornar conservadora também com essas coisas, sabe?

Então o meu processo criativo varia muito hoje em dia. Antigamente, eu produzia um áudio e ia para a praia, 2 horas de ônibus, ficava ouvindo aquilo pra dar uma letra. Hoje em dia, eu escrevo alguma coisa, passa dois dias eu musico pra abandonar a ideia do que eu tava imaginando e voltar com outra história. Os processos, eles precisam ficar se renovando e pra mim tem sido importante ficar explorando.

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TMDQA!: A gente sabe como, da maneira que nossa sociedade foi moldada, mulheres e, principalmente, uma mulher negra, periférica e lésbica, precisam correr muito mais para ter as mesmas oportunidades que um homem e mesmo assim não estão livre dos julgamentos e desconfianças sobre suas plenas capacidades. Você primeiro teve que mostrar todo seu talento como cantora, compositora, instrumentista, pra hoje ter a oportunidade de trabalhar como produtora de outros artistas. Você tem enfrentado esses olhares, esse “pé atrás”, ao trabalhar como produtora pra outras pessoas?

Mahmundi: Olha, tá acontecendo uma coisa muito maneira na minha vida, que é finalmente perceber que você não precisa prestar conta para gente que você não se importa, o que é maravilhoso. Eu tinha muita essa necessidade, de precisar disso, mas eu não sabia que não era só pelo fato de eu ser uma romântica; tem racismo, tem homofobia, tem um monte de coisa que não tem nada a ver comigo. Depois que eu entendi que isso não tem a ver comigo, eu falei, “Eu vou continuar trabalhando”.

E é isso, você vive no mundo capitalista, você vive num país muito doido, então obviamente que essa questão do dinheiro é importante. A gente não nasceu rico. Eu achava que meu sonho era tá nos grandes lugares, com as pessoas, mas não importa, você nunca vai ser. Elas nunca vão te legitimar, então foda-se, eu tô juntando meu dinheiro e aí, a partir disso, eu posso hoje fazer uma residência em Nova York e se as pessoas não me aceitarem lá o problema é delas. Eu vou viver essa experiência, sabe?

Eu comecei a entender que, graças ao capitalismo — olha, perigosa [essa fala, mas] eu sei que vocês estão entendendo —, graças a essa autonomia que o dinheiro traz, eu comecei a me desvencilhar, porque num país como o Brasil, que é extremamente violento, você não vai ser aceita. E produção musical foi meio isso. Eu entendi que a indústria tem algumas coisas que são meio inéditas pra eles, desde Spotify até como se molda um artista, eu comecei a inventar.

Eu acho que eu sou uma artista inventada, como Letrux também, que eu amo muito. Somos uma geração de pessoas que se inventaram, inventaram o som; a Liniker, a Linn [da Quebrada], minhas amigas que eu admiro para caramba, e a gente tem que bancar isso, desde fazer foto todo dia, desde estudar. Então, quando tem essa coisa de, tipo, “Sou uma mulher preta periférica”, show, já entendi. Já entendi, também, que se eu ficar nessa eu viro um produto desse nicho, não quero porque esse nicho também me limita. Então, sou preta? Beleza, eu sou mesmo, já entendi, mas se isso vira um comércio e vocês querem me jogar nos festivais ou fazer publi só com isso, também não caibo aqui, porque isso me limita pra próxima fase de como as outras pessoas me veem.

É uma saga meio de hackeamento, meio de bandidagem. Foi duro chegar a essa conclusão, mas eu tô muito feliz, porque pode acontecer o que houver, eu tenho minha paz. Já entendi que dá para viver no Brasil com miojo e Coca-Cola, porque já comi muito, então não vou morrer… e o dinheiro da Internet, né?! Porque tem que pagar a Internet. [risos]

TMDQA!: Item essencial hoje em dia! Partindo pro final, como produtora musical, eu acredito que você seja uma grande nerd de música. Você teve até, recentemente, o Mahmundi FM, apresentando música pra galera em live… você poderia compartilhar com a gente alguns artistas que você conheceu recentemente e tem rolado nas suas playlists?

Mahmundi: A história da rádio, [eu] tava um dia tomando uma cachacinha aqui, entrei, fiquei fazendo isso, amei fazer. Só que de repente é isso, sexta e sábado eu tava todo dia lá, e aí começou aquela coisa de direitos autorais de música e aí eles começaram a derrubar as minhas tracks. Eu recebi uma notificação de uma gravadora falando, “Oh, amor, cê vai perder sua conta”. Mas tô tentando negociar com eles para eu fazer isso, esse é o lobby do relacionamento, o Instagram não sabe nem quem eu sou, sou só um número lá.

Mas eu amava muito e eu tenho voltado a pesquisar esses artistas de novo, tenho ouvido muito trap, na real. O que eu posso indicar agora é o álbum novo do Filipe Ret, que eu tô viciada, e N.I.N.A do Porte. N.I.N.A que é uma artista de drill que tá surgindo, que eu conhecia há um tempo, ficamos amigas e eu aposto muito nessas meninas, na LARINHX, na Ebony… Essa é uma cena que me curou, de fato. Engraçado isso, porque eu sempre achei que eu precisava tá em outros lugares e o lugar que eu amo tá, que eu sempre gostei de tá, é na rua, que é o lugar onde as pessoas falam que é perigoso, que tem bandido… só que eu sou da periferia. Então, abandonar isso pra viver um sonho hipster da zona sul é terrível. Aí você volta com o rabo entre as pernas falando, “Eu gosto mesmo de andar de moto, eu gosto de tá na rua” e o trap e essas vozes femininas me curaram muito, me deram forças. Acho que eu devo, inclusive, essa minha fase pra elas e elas sabem disso.

TMDQA!: Mahmundi, agradeço muito, novamente, por essa conversa, adorei bater esse papo com você, e deixo esse espaço aberto para você mandar um recado para os leitores do TMDQA!.

Mahmundi: Eu quero só que as pessoas vivam a vida delas aí, felizes, que a gente consiga ser feliz da nossa forma. Se vocês tiverem séries pra indicar também…

TMDQA!: Mandem sérias na DM da Mahmundi!

Mahmundi: Manda série na DM da Mahmundi! E eu acho que é isso, desejo que todo mundo consiga viver esses próximos meses plenamente, não esquecer que existe uma vida individual aí, pra não ficar pegando pilha de bagulho de Lula, de Bolsonaro. Cara, independente de quem estiver [na presidência], claro que isso influencia bastante, mas a saga individual é importante para você ter força até para lidar com essas coisas, não abandonar seu destino. Então eu desejo pros leitores que eles vivam a vida deles no mundo real. Beijos pra vocês, mores!

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