Paul McCartney e Ringo Starr
Foto: Reprodução/Instagram

Não há fã de Beatles que não conheça o grande clássico “Dear Prudence”. A segunda faixa do lendário White Album ganhou status icônico por sua beleza quase incomparável mesmo dentro de uma discografia recheada como a do Fab Four, mas até hoje essa canção traz um mistério nunca resolvido efetivamente.

O canal do YouTube You Can’t Unhear This recentemente abordou essa questão em um vídeo espetacular, que explica o que passou a ser conhecida como A Teoria Ringo. O nome, claro, faz referência ao baterista Ringo Starr — e ele é, talvez juntamente com Paul McCartney, o personagem central de toda essa polêmica.

Como muitos já sabem, Starr chegou a deixar os Beatles por um curto período de tempo logo no início das gravações do White Album. Na ocasião, o músico se via desgastado por, entre outros motivos, ter que estar sempre se adaptando às ordens dadas pelos companheiros de banda para suas próprias partes no estúdio, o que o levou a tirar alguns dias de folga e viajar.

Nesse período, também é bastante sabido que o trio remanescente — que ainda incluía, claro, George Harrison e John Lennon — gravou a marcante “Back in the USSR” com Paul assumindo as baquetas. Mas é em “Dear Prudence”, faixa que aparece logo em seguida na tracklist do álbum, que a coisa deixa de ser tão clara.

O mistério da bateria de “Dear Prudence”, dos Beatles

Como você pode ouvir pelo player abaixo, a faixa isolada de “Dear Prudence” é fundamental para perceber tudo que dá origem a essa polêmica. Como o youtuber conta, desde o início da música até por volta de 2 minutos e 45 segundos, a linha de bateria é simples, reta — bem semelhante ao que se esperaria de Paul, um multi-instrumentista que não é exatamente focado na bateria.

No entanto, quando atinge-se a marca citada acima, temos um dos momentos mais marcantes da música. Adicionando à camada de psicodelia e experimentalismo que dá o tom da canção e servindo como uma luva para explicitar o aumento de dinâmica, a bateria passa a ser muito mais intensa, com diversas viradas ao melhor estilo do que Ringo Starr ficou famoso por fazer.

Continua após o vídeo

Logo depois de ouvir a faixa isolada no vídeo acima, você também confere os vocais isolados e é aí que entra todo o mistério. Dadas as limitações da época, a gravação das vozes acabou contendo um vazamento da parte instrumental e, na parte em que deveria entrar a série de viradas mais experimental, o que temos é… a mesma linha simplista e reta da primeira porção.

Por conta disso, e dado o curto intervalo de tempo entre a gravação de “Back in the USSR” sem Ringo (entre os dias 22 e 23 de Agosto de 1968) e o seu retorno oficial (em “While My Guitar Gently Weeps”, gravada em 3 de Setembro de 1968), a janela dos dias 28 e 29 de Agosto, onde “Dear Prudence” foi gravada, dá margem para uma interpretação que veio a ser conhecida como A Teoria Ringo.

A Teoria Ringo

Como o próprio nome diz, a teoria tem um objetivo simples: provar que foi Ringo Starr quem tocou essa segunda metade da bateria de “Dear Prudence” e não Paul McCartney.

Para isso, fãs do grupo tentam reunir provas há anos, e elas vão desde uma perceptível mudança na sonoridade da caixa usada — o que indicaria uma regravação por cima da faixa original, que teria sido montada para soar como a percebemos na versão final — até referências ao próprio trabalho de Starr, que traz viradas parecidas em músicas como “Strawberry Fields Forever”, “Rain” e “Blue Jay Way”, como você pode conferir clicando abaixo.

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No entanto, um dos principais contra-argumentos é justamente de que, para uma banda com o tamanho dos Beatles, seria praticamente impossível que Ringo tivesse um retorno sem qualquer tipo de registro, seja ele através da memória de pessoas envolvidas ou algo mais oficial.

Da mesma forma, é facilmente possível descreditar a teoria de que Paul seria incapaz de tocar a parte em questão. O vídeo acima também traz exemplos que mostram a habilidade de Macca com as baquetas, e no fim das contas tudo se resume a uma questão estilística: a segunda parte da bateria de “Dear Prudence” soa, de fato, como algo que Ringo Starr faria.

No fim das contas, a resposta definitiva parece destinada a ficar restrita apenas àqueles que viveram esses momentos. Mas, quem sabe um dia? Por enquanto, o que resta é ouvir esse belíssimo clássico e entreter qualquer uma das possibilidades.

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