Egor Kamelev / Pexels

Novas pesquisas indicam que a psilocibina — composto psicodélico presente em alguns cogumelos — pode ajudar as pessoas que sofrem de transtornos depressivos. Um estudo da Universidade da Califórnia em São Francisco e do Imperial College London reforçam evidências já apontadas em experimentos anteriores.

Uma das pesquisas observou que os pacientes submetidos à terapia de psilocibina apresentaram mudanças perceptíveis nos padrões cerebrais associados à depressão, inclusive quando colocadas diante de um grupo de controle. Essas pessoas também relataram uma diminuição nos sintomas depressivos ao lado das alterações neurológicas.

Além disso, essas mudanças pareciam durar pelo menos até três semanas após a segunda dose, quando o estudo terminou.

Estudo mostra eficácia de cogumelos contra depressão

Publicado na segunda-feira (11) no Nature Medicine, o estudo analisou ressonâncias magnéticas obtidas em dois ensaios clínicos envolvendo 60 pacientes. No primeiro, todos eles sabiam que estavam ingerindo psilocibina. O segundo, por sua vez, tinha pacientes com um quadro depressivo moderado que foram divididos aleatoriamente.

Desses dois grupos, havia quem consumira o psicodélico e aqueles que tomaram um antidepressivo inibidor seletivo da receptação de serotonina. Em ambas pesquisas, os voluntários fizeram acompanhamento psicoterapêutico.

Os resultados dos exames, tanto os realizados antes quanto depois do tratamento, mostraram que a substância reduziu as conexões nas áreas cerebrais ligadas à depressão. No entanto, houve um aumento perceptível dessas conexões em outras regiões da massa cinzenta.

Ou seja, os resultados sugerem que a psilocibina atua de forma diferente no cérebro com relação aos antidepressivos convencionais. A observação é que o órgão torna-se mais fluido, flexível e menos propenso a padrões de pensamento negativo.

Benefícios são observados há décadas

Alguns estudiosos observam os potenciais benefícios da psilocibina desde 1970. No entanto, foi apenas nos últimos anos que as autoridades de saúde e governos têm sido mais abertos com esse tipo de pesquisa.

“Em estudos anteriores, vimos um efeito semelhante no cérebro quando as pessoas foram examinadas enquanto tomavam um psicodélico, mas aqui estamos vendo semanas após o tratamento para a depressão, o que sugere uma transferência da ação aguda da droga”, disse o autor-sênior do estudo, Robin Carhart-Harris, em nota divulgada.

Tais descobertas parecem procurar uma alternativa para os tratamentos convencionais da depressão, e essa opção pode ser, justamente, a psilocibina. Autores da pesquisa observam que mais estudos precisam ser realizados sobre quanto tempo essas mudanças e benefícios podem durar nos pacientes. Cientistas também alertam que esses medicamentos não devem ser usados ​​sem a supervisão de profissionais de saúde mental.

Promissor, hein?

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