Roger Waters adia pela segunda vez sua turnê
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O lendário Roger Waters, do Pink Floyd, teve duras palavras ao se pronunciar sobre a invasão da Rússia à Ucrânia.

Enquanto muitos poderiam pensar que o baixista e vocalista estaria alinhado com os ideais russos pela sua ligação à esquerda e a imediata associação do país comandado por Vladimir Putin à União Soviética, Roger deixou bem claro que tomará outra posição e aproveitou para fazer uma reflexão justamente sobre essa conexão.

Em um texto publicado no site Scoop e traduzido para o português pelo site Igor Miranda, o músico fez uma espécie de mea culpa da esquerda por (em parte) ainda acreditar que a Rússia mantenha seus ideais socialistas:

Descobri algo após rolar na cama a noite toda. Nós, da esquerda, muitas vezes cometemos o erro de ainda olhar para a Rússia como uma iniciativa um tanto socialista. Claramente não é. A União Soviética acabou em 1991. A Rússia é o paraíso de um gângster capitalista neoliberal não adulterado, modelado durante o tempo de sua horrível reestruturação sob Boris Yeltsin (1991-1999) nos Estados Unidos da América.

Waters ainda descreveu Putin como um “líder autocrático e possivelmente desequilibrado”, afirmando que ele está desrespeitando a Carta da ONU e o direito internacional da mesma forma que “presidentes recentes dos Estados Unidos ou primeiros-ministros da Inglaterra”, exemplificando sua fala com os nomes de George W. Bush e Tony Blair.

Roger Waters se pronuncia sobre invasão da Ucrânia pela Rússia

Em seu texto, Roger também fala sobre como é dever dos “ativistas anti-guerra, amantes da liberdade e cumpridores da lei” ficar “lado a lado com todos os nossos irmãos e irmãs por todo o mundo, independentemente de raça, religião ou nacionalidade, em busca de uma paz absoluta”.

Ele destaca a importância, inclusive, de dar apoio ao “povo russo e [ao] povo ucraniano”, já que ambos são afetados pela guerra, e ainda lembra de outros conflitos pelo mundo ao citar o “povo palestino, o povo sírio, o povo libanês, os curdos, os afro-americanos, os mexicanos, os habitantes da floresta equatoriana, os mineiros sul-africanos, os armênios, os gregos, os inuit, os Mapuche e os vizinhos Shinnecock”.

Para fechar o texto, Roger Waters pede que parem de “despejar armas de guerra na Europa Ocidental”, destaca comentários racistas feitos por repórteres ocidentais quanto ao conflito e pede que as decisões não sejam “[deixadas] para os gângsteres”. Você pode ler o texto na íntegra abaixo ou clicando aqui.

Carta de Roger Waters sobre Rússia x Ucrânia

Descobri algo após rolar na cama a noite toda. Nós, da esquerda, muitas vezes cometemos o erro de ainda olhar para a Rússia como uma iniciativa um tanto socialista. Claramente não é. A União Soviética acabou em 1991. A Rússia é o paraíso de um gângster capitalista neoliberal não adulterado, modelado durante o tempo de sua horrível reestruturação sob Boris Yeltsin (1991-1999) nos Estados Unidos da América.

Não deve surpreender que seu líder autocrático e possivelmente desequilibrado, Vladimir Putin, não tenha mais respeito pela Carta da ONU e pelo direito internacional do que os presidentes recentes dos Estados Unidos ou primeiros-ministros da Inglaterra tiveram (por exemplo, lembre-se de George W. Bush e Tony Blair durante a invasão do Iraque). Eu, por outro lado, me importo com o direito internacional, a Carta da ONU e a Declaração Universal dos Direitos Humanos e posso afirmar inequivocamente que se elegível para votar na Assembleia Geral de 2 de março, eu teria votado com os 141 embaixadores que apoiaram a resolução condenando a Rússia por sua invasão da Ucrânia e exigindo que ela retirasse suas forças armadas.

Gostaria que a Assembleia Geral tivesse poder, mas infelizmente não tem, o que significa que é ainda mais dever de todos nós – ativistas anti-guerra, amantes da liberdade e cumpridores da lei – ficarmos lado a lado com todos os nossos irmãos e irmãs por todo o mundo, independentemente de raça, religião ou nacionalidade, em busca de uma paz absoluta. É claro que isso significa estar ao lado do povo russo e do povo ucraniano, do povo palestino, do povo sírio, do povo libanês, dos curdos, dos afro-americanos, dos mexicanos, dos habitantes da floresta equatoriana, dos mineiros sul-africanos, dos armênios, dos gregos, dos inuit, dos Mapuche e meus vizinhos Shinnecock, para citar apenas alguns.

Tem sido monstruoso ouvir repórteres brancos ocidentais (como Charlie D’Agata, da CBS News) lamentando a situação dos refugiados ucranianos alegando que ‘eles se parecem conosco’, ao abordar o que eles devem presumir ser o público branco ocidental e que o o conflito na Ucrânia é excepcional porque ‘não é o Afeganistão ou o Iraque’. Isso é ultrajante. A implicação é que seria de alguma forma mais aceitável fazer guerra contra pessoas cuja pele é morena ou negra e expulsá-las de seus lares do que contra pessoas que ‘se parecem conosco’. Não é. Todos os refugiados, todas as pessoas que lutam, são nossos irmãos e irmãs.

Nestes dias difíceis, devemos resistir à tentação de jogar gasolina no mocinho/vilão e atirar fogo; exigir um cessar-fogo em nome da humanidade; apoiar nossos irmãos e irmãs que lutam pela paz internacionalmente, em Moscou, Santiago, Paris, São Paulo e Nova York, porque estamos em toda parte; e parar de despejar armas de guerra na Europa Oriental, desestabilizando ainda mais a região apenas para satisfazer o apetite insaciável da indústria internacional de armamentos.

Talvez devêssemos levantar nossas vozes para encorajar a ideia de uma Ucrânia neutra, como tem sido repetidamente sugerido por sábios de boa fé por muitos anos. Em primeiro lugar, é claro, os ucranianos devem exigir um cessar-fogo; mas depois disso, talvez os ucranianos aceitassem tal acordo. Talvez alguém devesse perguntar a eles. Uma coisa é certa: isso não pode ser deixado para os gângsteres. Deixados por conta própria, os gângsteres vão matar a todos nós.

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