moonfall paisagem
Foto: Reprodução/Vanity Fair

O diretor Roland Emmerich é um artista com estilo muito característico — algo fácil de ser observado quando se pega o histórico das suas produções, especialmente Independence Day, 2012 e O Dia Depois de Amanhã. Catástrofe é com ele mesmo, mas há um problema quando o próprio filme é o desastre.

Moonfall – Ameaça Lunar acompanha uma série de personagens que têm a missão de sobreviver a uma tragédia: uma força desconhecida faz com que a Lua saia da sua órbita e venha em direção à Terra, dando aos protagonistas poucas semanas para sobreviver e reverter o cenário assustador.

A premissa é até interessante, mas os rumos escolhidos por Emmerich para contar essa história são questionáveis, para dizer o mínimo. Ele dirigiu, coescreveu e coproduziu o filme, inseriu aspectos presentes em praticamente todas aquelas obras citadas anteriormente e acabou transformando Moonfall em um grande monstro cheio de retalhos que não se encaixam muito bem uns nos outros.

Com uma pessoa centralizando tantas funções importantes, ideias ruins acabam passando porque é ela quem decide tudo no final.

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patrick wilson e halle barry em moonfall
Foto: Reprodução

É curioso porque o senhor Roland Emmerich há pouco tempo estava criticando grandes estúdios que não fazem nada original e acabam atrapalhando a indústria devido à falta de inovação e ousadia. Ele chegou a citar diretamente Marvel, DC e Star Wars nessas críticas.

No fim das contas, ele também não foi nada original e repetiu fórmulas já ultrapassadas para contar uma história que não é atraente nem mesmo para os fãs de ficção científica mais tolerantes.

A confiança na boa vontade do público para relevar algumas soluções mirabolantes e passagens de tempo sem sentido é grande demais. Tudo isso é aumentado quando a Lua se aproxima da Terra e começam as alterações climáticas e gravitacionais: as leis da física são simplesmente ignoradas, apesar de algumas delas serem utilizadas para justificar uma ou outra decisão.

Nem os bons atores escalados conseguem contornar esses problemas. Patrick Wilson e Halle Berry têm atuações razoáveis e definitivamente não são o ponto mais fraco da produção. Ambos têm potencial para entregar muito mais; porém, sem um roteiro de qualidade para auxiliar fica mais difícil.

Aliás, na falta de um roteiro, o mínimo que se espera é um espetáculo visual. Aqui, nem isso acontece e as belíssimas fotografias com a Lua perto da Terra se perdem por causa da dificuldade de estabelecer uma proporcionalidade entre corpos celestes e seus efeitos. As consequências dessa proximidade parecem aleatórias e novamente fica a sensação de uma boa oportunidade sendo perdida.

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moonfall paisagem
Foto: Reprodução

Se Moonfall – Ameaça Lunar tivesse estreado nos anos 1990, certamente a aceitação seria maior. O problema é que o cinema é feito de ciclos e Roland Emmerich parece ter ficado preso em um que já ficou para trás.

Um exemplo disso é o grande destaque dado a um personagem conspiracionista. Ele é o que chamam de “megaestruturista”, pessoas que acreditam que alienígenas criaram grandes estruturas espaciais com tecnologias avançadas para coletar energia, mapear vida inteligente e explorar possíveis zonas habitáveis universo afora. No caso, a Lua seria uma dessas estruturas artificiais.

Colocar um nerd que acredita em teorias da conspiração como um dos heróis de um filme de ficção científica em pleno século XXI demonstra como alguns setores de Hollywood ainda estão desconectados do mundo que os cerca.

Em janeiro de 2021, os EUA sofreram um ataque terrorista no Capitólio em uma tentativa de golpe incentivada justamente por pessoas que acreditam nessas coisas. Em novembro do mesmo ano, centenas de pessoas se reuniram na cidade de Dallas para presenciar a “ressurreição” de John Kennedy Jr, que morreu em 1999 e voltaria para reconduzir Donald Trump à presidência.

As teorias da conspiração não são mais tão engraçadas quanto eram 30 anos atrás. Hoje, elas se espalham rapidamente via internet e colocam instituições em risco. O desespero por respostas leva ao fanatismo e, se Hollywood não consegue entender a influência que o entretenimento tem na vida dos seus consumidores, pode ser que os filmes virem outra fonte de suposições bizarras sobre o funcionamento do universo, transformando ficção em realidade de uma forma nada legal.

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