Negro Leo fala sobre os “leks” em novo disco; ouça
Foto: Igor Marques / Divulgação

Negro Leo, um dos mais prolíficos e inventivos artistas de sua geração, ganha um registro reflexivo como história em progresso de algo imutável.

A arte de Leo é abraçada por uma visão literária em “Deixa Queimar”, livro escrito por Bernardo Oliveira e que chega às lojas via Numa Editora. Com prefácio assinado por Juçara Marçal e projeto gráfico de Lucas Pires, o material inclui ainda fotos e entrevistas com Negro Leo.

Maranhense de Pindaré Mirim, Negro Leo viveu por anos no Rio de Janeiro e reside atualmente em São Paulo. Tocando com diversas bandas e formações, seu trabalho tem testado os limites da música popular, da canção e da relação entre som, música, palavra cantada, performance e elementos de subversão lek. Entre 2012 e 2021 lançou 12 discos — incluindo o novo Schwarzfahren, trilha sonora do filme que fez para o festival de Jazz de Berlim deste ano.

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“Quando comecei a escrever a história desse recorte da cena da música brasileira atual, reparei que o Leo era epicentro criativo em torno do qual giravam várias situações diferentes. Inclusive o Leo não foi só o epicentro, mas foi também um facilitador. Ele foi um cara que mediou de uma maneira tanto direta quanto indireta, essa expansão do selo QTV, do Quintavant e de toda essa cena. A gente não tem muita régua e compasso para medir como pensar essa pluriversalidade da obra do Leo, pois ele não é só músico, é cineasta, quadrinista, ele tem uma relação ambígua com a Tropicália, uma relação ambígua com o legado antropofágico, ele tá no samba, e ele tá no funk, ele tá no improviso livre, cada disco é um cosmos que ele levanta, uma pesquisa, é uma forma de trabalhar muito específica, e isso sempre me chamou atenção. Então a ideia era contar um pouco da história dele, falar da criação destas estratégias estéticas, discursivas, sensíveis, que ele vai desenvolvendo ao longo da sua trajetória”, reflete Bernardo.

Professor adjunto da Faculdade de Educação/UFRJ, Oliveira é pesquisador, produtor e crítico de música e cinema. Co-fundador e produtor do selo musical e produtora QTV e curador do Festival Antimatéria, faz parte do projeto Ciranda do Gatilho (2020, SESC-SP). Publicou em 2014 o livro “Tom Zé — Estudando o Samba”. Muito do seu trabalho e do selo foram impactados diretamente pela arte de Leo, cujos álbuns mais recentes foram lançados pelo selo QTV de Bernardo.

Uma das responsáveis pela edição do livro, Marina Mendes comenta: “Bernardo Oliveira é um professor e pesquisador ávido que sempre admiramos, além de ser amigo querido nosso e um parceiro em outras empreitadas. Compartilhamos do amor por muitos assuntos, especialmente pela música e literatura. Por isso o livro ’Deixa Queimar’ veio até a Numa da maneira mais natural possível: com um telefonema, o projeto já era realidade e empolgava os envolvidos. Além do mais, somos fãs do Negro Léo, acreditamos que ele é um artista contemporâneo importantíssimo pra música brasileira e estamos muito felizes de colocar o livro no mundo para contribuir com o debate”.

O livro está disponível no site da Numa Editora e você pode encontrá-lo aqui.

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