Feira de Música Campão Cultural
Foto: Vaca Azul

Desde que a pandemia da COVID-19 começou, o principal fator que perdemos tanto nas nossas vidas pessoais quanto profissionais foi o contato humano.

Na música, ele é visto das mais diversas maneiras, tanto que o nosso setor foi um dos mais afetados pelo Coronavírus, e desde os shows até os festivais, estamos ansiosos para que possamos realizar trocas presenciais o mais cedo possível.

Entre tudo que também perdemos durante o período de quarentena estão as feiras de música, e aos poucos elas começam a voltar pelo Brasil para prestar um papel importantíssimo no desenvolvimento de cenas, artistas e bandas.

Primeira edição do Campão Cultural

Quem debutou em 2021 foi o Campão Cultural, evento realizado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, que plantou uma semente para que o estado passe a entrar na rota das grandes feiras.

Local imprescindível para qualquer artista que esteja desenvolvendo sua carreira, uma feira de música proporciona debates, palestras, workshops e o mais importante: conexões com pessoas que estão fazendo há um bom tempo e compartilham suas experiências.

Foi justamente esse o caso do Campão Cultural, que contou com a correalização da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campo Grande e da Prefeitura Municipal, com realização da Fundação de Cultura do MS, Secretaria de Estado de Cidadania e Cultura e Governo Estadual.

O TMDQA! foi convidado para estar por lá acompanhando tudo de perto nos últimos dias e tanto Tony Aiex (editor-chefe do site) como Aline Krupkoski (social media do site) deram palestras a respeito de Comunicação e Identidade Visual, respectivamente.

Trocas de Ideias

As trocas aconteceram na Esplanada Ferroviária, local no Centro de Campo Grande que inclusive conta com um monumento marcante que mostra um trem subindo rumo ao céu.

Era ali que passavam linhas ferroviárias importantes na capital sulmatogrossense e é ali hoje que funcionam tanto órgão de cultura da cidade quanto a simpática feira gastronômica, onde é possível comer deliciosos quitutes orientais nas mais diversas barraquinhas.

Com uma curadoria certeira, o Campão Cultural trouxe agentes da indústria da música como organizadores de festivais, donos de gravadoras, curadores de outras feiras e pessoas que definitivamente podem se conectar a novos artistas para espalhá-los pelo Brasil.

Nomes como Barral Lima, Laura Damasceno, André Lima, Anderson Foca, Letz Spíndola, Simone Marçal e mais estiveram presencialmente em Campo Grande com o objetivo de construir pontes, e elas definitivamente foram feitas.

Cultura Local

Feira de música em Campo Grande
Créditos: Vaca Azul

Além dos convidados de fora, ainda tivemos aulas sobre a cultura local e a cena do Mato Grosso Do Sul.

Rodrigo Teixeira, músico e entusiasta da cultura do estado, deu uma verdadeira aula sobre as origens das canções de lá e da influência paraguaia no som. Em sua apresentação, ele foi desde a época das capitanias hereditárias até décadas recentes para mostrar como a Guerra do Paraguai e outros tantos elementos moldaram uma cultura rica em misturas.

Em outros dois paineis, discutiu-se muito a respeito da cena local, suas virtudes e seus problemas, e os convidados de fora do estado puderam entender e apreciar o que acontece na música do MS hoje, além de opinar a respeito de possibilidades para o futuro, justamente o objetivo de encontros como esse.

Artistas Locais e outras atrações

É claro que as feiras de música não ficam apenas no terreno “acadêmico”, e por lá tivemos a oportunidade de ver diversas bandas apresentando seus materiais.

Entre os nomes locais, assistimos ao grupo Atitude 67 colocando todo mundo pra dançar, a divertida Vozmecê, a multi-instrumentista Ju Souc, o sound system do Rockers Sound System, o jazz contemporâneo do El Trio e o lendário Grupo Acaba, que há mais de 50 anos leva ao mundo a música do Pantanal.

Ainda presenciamos o aclamado rapper mineiro Djonga levando uma multidão à loucura e os paulistanos do Bixiga 70 levando toda sua técnica ao Centro-Oeste. Já o workshop de novas bandas com Barral Lima evidenciou talentos locais, como o ótimo Projeto Casulo. Ao final, vieram apresentações de Duda Beat e Potyguara Bardo, mostrando que, além de tudo, o Campão Cultural é plural.

Para além da música, o festival teve apresentações de grupos de dança, como o aclamado Grupo Corpo, de Minas Gerais, que mostrou os espetáculos “Gira” e “Primavera”. O grupo gaúcho de teatro De Pernas Pro Ar ocupou uma das praças da cidade com a impressionante performance de “Automakina”.

Futuro

Não nos cansamos de dizer por aqui que eventos assim são dos mais importantes para qualquer um que vive ou quer viver o mercado da música.

O Campão Cultural tem pontos a serem corrigidos, mas acertou muito mais do que errou logo na sua primeira edição, começando com o pé direito. Agora, não pode parar.

Se mantiver a sua programação e acontecer anualmente, entra na rota das feiras de música pelo Brasil e tem todo potencial para se equiparar a grandes eventos que já acontecem nas outras regiões do país, como FORMEMUS, FIMS, SIM São Paulo, Coquetel Molotov, Se Rasgum e tantos outros.

Desejamos vida longa!

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