Carlinhos Brown no show dos Tribalistas
Foto: Fabiano Leone
Ouça a nova música de Juliah!    

Em 2001, o Rock in Rio teve uma de suas edições mais marcantes, com nomes como Guns N’ RosesOasisFoo Fighters Silverchair levando o público à loucura. O mesmo aconteceu — mas de um jeito negativo — durante a apresentação de Carlinhos Brown, que foi escalado no dia mais pesado do evento.

Naquela ocasião, Brown foi vaiado e atacado com garrafas enquanto cantava para um público sedento pelas outras atrações do dia — que incluíam o próprio Guns e o Oasis, além do Papa Roach e uma parceria entre Ira! & Ultraje a Rigor.

Agora, 20 anos depois, Carlinhos falou com a Folha sobre esse dia que se tornou um marco da música brasileira. Para ele, o episódio foi “um dos primeiros cancelamentos” da história e está, sim, diretamente relacionado ao racismo:

Precisamos de tempo para observar o que são as coisas. E o cancelamento talvez seja a síntese [daquele episódio]. E dentro do cancelamento tem tudo. Tem racismo, preconceito contra o gênero, contra a música.

[Mas] que bom que houve aquele choque porque a gente sabia que, no Rock in Rio, a palavra Rock, suas quatro letras, era maior que Rio. Mas a gente também estava dizendo que o Rio é enorme. A música brasileira precisava ser mostrada.

Ainda nesse papo, Brown ressaltou que tem vontade de “fazer aquele show de novo”, explicando que tem um mentalidade muito diferente hoje. Naquele momento, o artista conta que tinha “expectativas gigantes” e era um “artista muito mais frágil”:

Já estava com música estourada — já tinha criado, com meus amigos, o axé music. Mas eu era frágil com inocências antropofagistas. Me vestia como índio, não queria me vestir como o cara do rock’n’roll.

Será que vem aí em 2022?

Carlinhos Brown no Rock in Rio 2001

Você pode relembrar o triste episódio de agressões a Carlinhos Brown no Rock in Rio de 2001 clicando aqui.

   
Compartilhar