Flea e John Frusciante, do Red Hot Chili Peppers
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Quando se fala em guitarrista do Red Hot Chili Peppers, é impossível não pensar em John Frusciante.

Claro que a banda já teve diversos outros músicos cumprindo essa função, mas foi com ele que surgiram os maiores hits e a maior identificação do público. Ainda assim, John sempre teve problemas com a fama e com o vício em substâncias que lhe obrigaram a deixar o grupo mais de uma vez — seu retorno mais recente, inclusive, veio como uma surpresa em 2019.

Apesar de tudo isso, o RHCP conseguiu seguir suas atividades sem Frusciante e o baixista Flea falou sobre como isso foi possível em uma entrevista ainda da época em que Josh Klinghoffer havia assumido o posto. Ele explicou que não foi fácil decidir continuar, mas contou todo o seu processo de pensamento:

Sabe, é engraçado como quando você se depara com circunstâncias diferentes da vida, você não sabe como você vai se sentir até que as circunstâncias se apresentem. Porque eu me lembro de pensar, antes do John sair, que isso poderia acontecer. Que ele poderia sair. Porque as coisas estavam sendo meio disfuncionais, a comunicação…

Eu não se previ isso, mas eu senti que algo estava por vir. Eu não sabia o que era. As coisas não estavam fluindo de um jeito simples e unificado — mesmo que eu achasse que a nossa arte estava em um nível muito alto, sabe? Mas eu pensei comigo mesmo. Eu me lembro de pensar, nos meus momentos de meditação, que se o John saísse eu não iria querer continuar fazendo isso. Seria ridículo fazer isso sem ele.

Mas quando ele chegou a mim e disse, ‘Pra mim chega, eu não vou mais fazer isso’, o meu primeiro pensamento, no meu cérebro, foi esse de, ‘É isso, não tem como nós continuarmos mais.’ Mas depois que ele disse isso, lá no fundo, eu senti algo a mais que logo depois veio aos meus pensamentos, especialmente depois de um tempo afastado.

[O que eu pensei foi que] eu realmente amo essa banda. Tipo, eu amo tanto o Anthony [Kiedis]. Sabe, tipo, de maneiras que eu nem… Sabe, às vezes algumas coisas são divinas. E você não consegue, na verdade, dar uma expressão lógica a elas o tempo todo. Mas eu sabia que esse senso de família e profundidade que nós tínhamos — todos nós, o Chad [Smith] também… Sabe, é a nossa coisa, que nós começamos a fazer quando éramos jovens. Eu sou só grato. A gente não precisa fazer isso, entende? Tipo, a gente não precisa fazer isso. A vida nos dá tantas oportunidades, mas é tipo, nós amamos isso.

Graças a essa decisão, os Peppers nos presentearam com os discos I’m with You (2011) e The Getaway (2016). E, quem sabe? Talvez o retorno do icônico guitarrista só tenha acontecido graças à persistência dos outros músicos!

Veja o vídeo com esse trecho de entrevista abaixo, com legendas em português.

Por que o Red Hot Chili Peppers continuou sem John Frusciante?