Kelton explora a musicalidade da solitude em ótimo novo disco minimalista; ouça

O artista brasiliense Kelton acaba de divulgar o disco "Ofício de Solidão", um trabalho que reflete sobre a solitude e explora sua musicalidade. Ouça agora!

Kelton
Foto por Thaís Mallon

O cantor, compositor, guitarrista e produtor musical brasiliense Kelton, que começou sua carreira solo com o disco Distraído Concentrado (2015), acaba de lançar o excelente álbum Ofício da Solidão.

O trabalho começou a ser feito em 2018, como um contraponto mais calmo ao seu recém-lançado Lacunar (2017), que tinha uma pegada mais próxima ao Rock. No entanto, o projeto adormeceu e finalmente foi terminado durante a pandemia, que serviu para intensificar o papel da obra, como ele mesmo explica:

Ofício da Solidão era pra ser um disco mais despretensioso, mas o surgimento da pandemia acabou intensificando o papel dele, que desde o início foi pensado pra ser experimentado com mais silêncio, um disco pra ser vivido fora da nossa rotina normal de trabalho, casa, festa, etc. Acho que era destino ele sair no meio dessa treta global.

Apesar do título falar de solidão, o músico não esteve sozinho no processo. Três das canções tiveram parcerias — “fronteira” tem co-autoria de Pierre Cunha, “ateus lençóis” conta com Guilherme Cobelo (Joe Silhueta) e “cor de terra” tem autoria de Paulo Ohana. Mais do que isso, a faixa “café amigo” é justamente uma celebração de como é bom poder ter com quem contar:

Essa música é dedicada à uma grande amiga minha, a Gabi. Por muito tempo essa música ficou na gaveta das canções inacabadas, até que um dia me bateu a lembrança de uma manhã em que eu voltava pra casa após uma noitada e acabei indo pra casa dela tomar café da manhã e curar a ressaca, aproveitando que ela acorda super cedo. A música fala dessas horas em que você pode contar com os amigos, nas baladas e principalmente nas ressacas.

Kelton acredita, ainda, que a faixa de abertura do disco (“fronteira”) serve como um belo resumo do conceito de Ofício da Solidão:

Pensar uma fronteira entre a palavra e o silêncio, um lugar onde até mesmo a sensação física do batimento cardíaco se torna apenas mais uma abstração de um universo vasto construído pela nossa imaginação.

Confira abaixo a obra na íntegra, bem como os clipes de “eu tento te inventar”, “cor de terra” e “coração pesado”, que possuem direção de Pedro Ivo Pinheiro. Esta última, inclusive, tem a participação de Tom Suassuna (Hungria, Cynthia Luz) no violino.

Kelton – Ofício da Solidão