saudade - vou-me embora de mim
 

Em 2020, o músico Saulo von Seehausen lançou seu primeiro disco através do projeto saudade.

Jardim Entre os Ouvidos entrou na lista com os 50 Melhores Discos Nacionais daquele ano e chamou a atenção até de Guilherme Arantes, que compartilhou a seleção do TMDQA! e destacou a obra de Saulo.

No álbum, saudade mostra um lado pra lá de introspectivo casado a uma sonoridade densa e que reflete suas experimentações por conta própria após anos de trabalho com a banda Hover.

Nova Música do saudade

Agora, Saulo está em uma nova fase.

O lançamento do single “vou-me embora de mim” deixa isso bem claro e mostra um artista em expansão, uma pessoa que cresceu, amadureceu e, principalmente, absorveu elementos de outros pares para somar em uma caminhada pra lá de frutífera.

Como resultado, temos uma canção que antecipa a sonoridade que teremos em seu novo álbum e lembra nomes da música brasileira nos Anos 70, 80 e 90, tudo com uma identidade muito própria que vem marcada por traços de Saulo como o timbre da sua voz e os arranjos das suas canções:

É o tipo de música para ouvir no carro, com os vidros abaixados, nessa pegada de viagem.

Ao se inspirar no episódio The Wedding Bride, da série How I Met Your Mother, saudade entendeu que todas as pessoas vêm acompanhadas de suas bagagens, seus passados.

O músico ainda afirmou:

A ideia da música é pegar o que você aprendeu, fazer as malas e partir para uma nova vida, sem querer ficar sempre preso nos mesmos gatilhos e crises. Mudar de cenário, amadurecer, encontrar novos problemas que você vai até gostar de ter que lidar.

Entrevista

O TMDQA! bateu um papo rápido com Saulo, e ele falou sobre as suas influências e motivações para os próximos passos:

TMDQA!: Tua sonoridade vem mudando em pouco tempo de carreira solo e já é perceptível que do primeiro disco pra cá, muita coisa diferente entrou no teu radar. Que influências você trouxe para esse novo som?

saudade: Acho que a pandemia me fez sentir tanta falta do convívio social que eu ouvi 100% de música animada nesse período, o que é meio inédito na minha vida. Entrei numa vibe de ouvir “músicas de ouvir em grupo”, sabe? Músicas mais contagiantes, mais expansivas, mais animadas mesmo. Isso certamente me influenciou na escrita.

Pra citar alguns artistas: Jorge Ben, Tim Maia, Ivan Lins (disco Modo Livre, meu preferido), L’Imperatrice, Roosevelt e uma banda holandesa que estou viciado que chama Kraak & Smaak.

TMDQA!: Como tem sido esse processo de retomada criativa após você ter experiências tão distantes quanto lançar um disco pra lá de elogiado e enfrentar uma pandemia logo depois?

saudade: Tem sido revigorante, na verdade. A falta de perspectiva que a gente viveu no ano passado foi uma coisa bem difícil de lidar. A sensação de que estamos (mesmo que aos poucos) voltando é muito boa. O jardim entre os ouvidos ter sido lançado em meio à pandemia foi ruim no aspecto de poder tocar e divulgar o disco – e talvez por ser um disco super denso, um timing meio complexo de mais gente embarcar nele -, mas acho que ele de certa forma pertence ao que estávamos vivendo. Acho que discos são mesmo retratos de um tempo e ele está lá, retratando instrospecção, fuga do mundo real através do mundo lúdico da música… Coisas que muita gente se identificou.

TMDQA!: O que podemos esperar do futuro próximo do projeto? Essa canção faz parte de algo maior?

saudade: Estou trabalhando num disco novo, pra início do ano que vem. Essa música não faz parte dele, mas ela é bem importante porque ajuda a costurar uma transição de fases entre os álbuns. Posso dizer que em 2022 vai ter muito lançamento!

Você pode ouvir a nova canção de saudade na playlist TMDQA! Radar, que inclusive traz o artista na capa.

   
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