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Foto: DIvulgação
Ouça a nova música de Juliah!    

AVISA QUE É ELA!

Após quase um ano de desenvolvimento, finalmente temos o disco de estreia da cantora Carol Biazin inteiramente disponível nas plataformas. Isso porque o álbum Beijo de Judas foi lançado inicialmente com apenas seis faixas. As outras quatro, que completam o lançamento, foram lançadas aos poucos, ao longo dos últimos meses, no formato de singles. Interessante, né?

O ano de 2021, no geral, ajudou Carol a se consolidar como uma grande nova estrela do pop nacional. Se duvida, basta perceber que seu nome se manteve em alta ao longo do ano inteiro, seja em sua parceria com Gloria Groove (“Rolê“, lançada em Abril) ou na dobradinha com Luísa Sonza (“Tentação“, lançada em Julho). Ambas são frutos da narrativa de Beijo de Judas, um verdadeiro “disco vivo”.

Fechando com chave de ouro essa era, a cantora lançou nos últimos dias a última “canção secreta” contida no álbum. “Raio X” é uma parceria com Dilsinho, um dos maiores nomes do pagode atual, e mostra a versatilidade de Carol, que transita facilmente por diferentes esferas musicais. Não à toa, ela foi a primeira Artista do Mês do TMDQA! com um álbum estreante.

 

“No final, deu muito certo”

Há algum tempo Carol tem mostrado todo seu talento e não foi de repente que passamos a prestar atenção em seu trabalho. Ela ganhou destaque nacional ao ter sido finalista da sexta temporada do reality show The Voice Brasil em 2017. A partir dali, lançou de forma independente, conquistou uma gravadora grande e disponibilizou parcerias com outros grandes nomes como Luccas Carlos, Zeeba, Vitão e mais.

Tivemos a oportunidade de conversar com ela sobre tudo do atual momento de sua carreira, desde o desenvolvimento de seu “disco vivo” até a sua versatilidade e sua rápida ascensão.

Confira abaixo:

TMDQA!: O R&B e o pagode possuem algumas semelhanças estruturais. Logo, essa parceria parece mais do que simbólica. De onde surgiu a ideia de recrutar Dilsinho para essa faixa?

Carol Biazin: Cara, essa música eu escrevi em Abril de 2020, há muito tempo. Quando eu fiz o refrão, na hora eu pensei que estava com a cara de um pagode. Parecia muito alguma música para o Dilsinho cantar. Aí fiquei com isso na cabeça. Mandei para o meu empresário essa sugestão e a gente tentou fazer acontecer na época, mas não conseguimos entrar em contato. Depois de muito tempo, depois que o álbum já tinha saído, a gente conseguiu mostrar a música para ele. Ele gostou e sugeriu de nos encontrarmos e nos conhecermos pessoalmente. Nos encontramos pouco depois de eu ter gravado “Tentação”. Além de ser talentoso demais e de ter referências parecidas com as minhas, ele ainda é gente boa demais. Foi amor à primeira vista.

Realmente, como você falou, o R&B e o pagode têm muito a ver estruturalmente. Os acordes e as cadências são muito parecidos. Então, acaba que tudo casa muito bem. Se a gente acelerar um pouco a “Raio X” e colocar um pandeiro e outros elementos, ela vira um pagode. A maior diferença ficou na produção mesmo, né? A gente trouxe mais para o meu lado, mas acaba que tem tudo a ver com ele. Mas a temática da letra remete bastante ao pagode: “olha o gatilho que você me deu”, “agora eu sinto a sua falta e esse sintoma nunca passa”… Ao mesmo tempo, a gente canta “você me olha feito um raio X, tenta encontra o que eu nunca vi em mim”. São umas misturas doidas que acabam mesclando mundos. No final, deu muito certo.

 

“Eu tinha um pouco de pé atrás sobre ter tantas colaborações”

TMDQA!: Por que “Raio X” foi a última canção a ser divulgada? Por acaso, é a mais “acústica” de todo o projeto, certo?

Carol: É meio doido porque a gente veio de “Rolê” [part. Gloria Groove], que é uma música completamente diferente. Para mim, acaba não sendo tanta surpresa, porque eu me conheço e sei que para mim é normal ir do 8 para o 80, musicalmente falando. Em um momento, estou mandando a pessoa se foder e em outro estou cantando coisas românticas. Mas eu gosto de surpreender e o Beijo de Judas acaba falando um pouco sobre isso, sobre não ser colocado em caixas e conseguir estar em vários lugares. Hoje, eu me vejo como uma artista que consegue transitar por outros gêneros musicais e, ainda assim, as pessoas sabem quem sou.

O Beijo de Judas foi uma crescente. Eu cresci muito dentro depois do lançamento. Eu já sou outra pessoa, com outra visão. Para encerrar o disco, até agora não tinha sido uma coisa muito programada. A gente tinha vários feats no álbum e sabia que eles virariam singles. A gente tentou fazer a estratégia de forma a casar com o planejamento do outro artista também. “Raio X” ficou por último. Não foi uma escolha, só que acabou sendo e acabou fazendo sentido, porque se não fosse assim, o Dilsinho não teria entrado. Acho que o mundo deu uma ligada nos pontos, meio que de propósito.

Carol Biazin e Dilsinho
Foto: Lana Pinho

TMDQA!: Acho legal que isso prova realmente a sua versatilidade enquanto artista. Você não é você não é só a Carol que é um dos maiores nomes do pop brasileiro. Você também está trocando com vários artistas, fazendo o seu “networking” e mostrando diferente narrativas já no seu disco de estreia. Isso é uma forma até de abrir mais portas para você.

Carol: Total! É bem isso mesmo. Por isso que eu amo colaborar. Acho que feats são uma coisa que eu não vou parar tão cedo de fazer, porque agrega muito. Você aprende muito com outra pessoa também, com essa troca de energia. Esse álbum inteiro me provou muito isso. Eu tinha um pouco de pé atrás sobre ter tantas colaborações, mas vi que isso só agrega, sabe? Só me leva para outros lugares que talvez eu não alcançaria tão cedo assim. Esses nomes tão grandes me abraçando e me ajudando logo no meu álbum de estreia. Isso é uma provação para mim de que estou fazendo algo muito certo.

 

“… um novo momento está por vir”

TMDQA!: “Raio X” veio acompanhada por um clipe muito interessante, que ganha os nossos corações por conta de sua simplicidade. Como esse conceito de contrastes, entre o preto e o branco, foi pensado? Como isso dialoga com a música em si?

Carol: Esse clipe foi um parto [risos]! O Dilsinho mora no Rio, então ou ele vinha para cá para fazer o clipe ou a gente iria para lá. Certamente, ficaria mais fácil se ele viesse para cá. Em uma quinta, acho que dia 10, nos avisaram que ele estaria aqui no dia 16 para poder gravar o clipe. Depois disso, a agenda dele estava toda lotada. Tínhamos basicamente cinco dias para encontrar um diretor e um roteiro executável. Eu já tinha um roteiro para “Raio X”, mas era um roteiro caro e bem complexo, com muito mais informação. Eu falei para darmos um jeito e simplificarmos as ideias.

Fui atrás de um diretor, que foi o Mario [Cezar Menezes], que também fez “Beijo de Judas”. Ele topou e fechamos o roteiro dois dias antes da gravação. Enquanto isso, o pessoal já foi buscando locação e direção de arte. Nossa ideia era não ser um clipe romântico, que fosse o que o clipe falava ao pé da letra. Então, fizemos uma espécie de evolução própria. Eu me encontro no começo no clipe, mas não sabia que estava me encontrando.

Ao decorrer do vídeo, eu apareço na escuridão, meio perdida. Usamos como referência o pedaço da letra que diz que “tento encontrar o que eu nunca vi em mim”. Acontece que, depois de um ano, hoje eu vejo o que eu tenho em mim. Eu sou meu próprio raio X. Depois tem a cena em que um fecho de luz abre no meu rosto e me vejo naquele plano branco, quase como se fosse uma deusa, uma divindade. Mostra minha evolução e fecha a narrativa do álbum, quase que anunciando que um novo momento está por vir.

 

“Eu não sou mais a Carol com dúvidas”

TMDQA!: Carol, após meses de divulgação, finalmente temos todo o seu disco na rua. Parabéns por isso! Considerando que essa divulgação do “Beijo de Judas”, aos poucos, possivelmente foi diferente do que foi feito com os discos que influenciaram você, como foi ver esse processo? Como foi ver o disco ir tomando forma e “crescendo” cada vez mais no seu público?

Carol: Na real, isso é muito doido, porque Beijo de Judas teve poucas faixas que não se tornaram singles. “Desgrama”, “Sempre Que Der” e por aí vai. A gente realmente conseguiu cumprir com o nosso objetivo que era dar o devido espaço que todas as músicas merecem. Foi como se fossem filhos mesmo. Todos precisam de atenção e não existe um favorito. Mas é óbvio que a gente sabia que teriam músicas que furariam mais bolhas, como foi o caso de “Tentação”. Essa música furou muitas bolhas, por ter a Luísa [Sonza] e por ser um clipe tão picante e sensual. Leva para aquele lugar da fofoca que o Brasil ama [risos]. A gente teve muitas estratégias.

A sensação que dá é que parece que construímos tudo junto, sabe? É um álbum vivo mesmo, como você falou. Ele vai criando vida. E foi tudo muito legal porque todo mundo foi vendo o meu crescimento desde o primeiro lançamento até esse último agora com o Dilsinho. Quando eu me olho nesse clipe eu reparo a minha diferença. Me vendo no primeiro clipe do álbum, eu tenho a sensação de que agora sei onde quero chegar. Eu não sou mais a Carol com dúvidas e acredito muito mais em mim hoje. Foi um álbum de afirmação, que acendeu uma faísca maior em mim em relação à música.

TMDQA!: Esse método de ir construindo o álbum aos poucos ajudou também as pessoas a não “esquecerem” de você. O nome Carol Biazin não saiu da mente das pessoas, porque era música atrás de música.

Carol: Sim! E a gente não pode esquecer que foi a primeira faixa do álbum, a “Beijo de Judas”, que puxou tudo, né? Quando a gente lançou as outras seis faixas, foi uma parceria com a Boca Rosa. Então, além dos vídeos, a gente tem essa parceria com ela. Na capa do disco, o batom é uma linha Beijo de Judas feita com ela. A gente fez muita coisa nesse álbum. Realmente foi uma parada meio louca, que eu não sabia que era possível.

 

“Você precisa estar sempre se aprimorando e evoluindo”

TMDQA!: Qual a diferença principal entre a Carol lá do início, da época do The Voice, com a Carol de agora, aclamada por todos como uma nova pérola do nosso pop?

Carol: Meu Deus! O The Voice foi há quatro anos, só que parece que faz muito mais tempo. Parece que eu já atravessei continentes. A sensação que eu tenho é que mudei muito. Tem gente que nem me reconhece do The Voice do tanto que eu mudei. Eu tinha 20 aninhos. Eu era um neném ainda e não sabia de muita coisa. Antes eu pensava na música pela música só, que é isso que eu sei fazer e que não preciso de mais nada. Hoje eu sei que as coisas precisam ser 360º, com você estando envolvida em todos os quesitos da sua carreira.

No The Voice, eu me sentia indestrutível. Eu estava indo para a final com uma galera grandona me dando “sim” e com a galera votando querendo que eu ficasse no programa. Acabei levando um banho de água fria, porque não é assim que funciona. Então, eu tive que ralar muito depois do The Voice. Foi um aprendizado de entender que a vida nunca está ganha. Você precisa estar sempre se aprimorando e evoluindo, agregando pessoas ao seu trabalho.

TMDQA!: De vez em quando, você se depara com vídeos daquela época? O que você pensa ou lembra quando os vê?

Carol: Eu nunca imaginei que poderia ter os clipes que tenho hoje, por exemplo. Eu imaginava na minha cabeça, é claro, mas uma coisa é imaginar e outra é poder executar e me ver conseguindo fazer tudo isso. Corremos muito para fazer os lançamentos acontecerem. Então, sinto que dei um salto muito grande. É bom ver os vídeos porque vejo como evoluí como cantora, já que nunca parei de cantar e estudar referências. Acho que foi uma evolução geral. Não teve um quesito meu em que eu acho que não evoluí.

 

“Eu acho que ninguém vai estar preparado”

TMDQA!: Voltando à questão do disco, ele tem sido divulgado desde o fim de 2020, como se fosse de fato um “disco vivo”. Nesse tempo, você provavelmente teve outras ideias musicais, certo? Pode adiantar alguma coisa?

Carol: Já tenho várias [risos]. É engraçado porque eu fico desesperada achando que não vou conseguir superar uma tal música, só que sempre rola. Eu já tenho músicas que são minhas favoritas que não são do Beijo de Judas.

TMDQA!: Alguma parceria em mente ou já em produção para essa nova fase?

Carol: A gente não tem ainda nenhuma parceria confirmada ainda, mas existem algumas que sei que vão rolar. Vitor Kley é um que está me enrolando [risos], mas quando a gente se encontrar vai ser quase uma explosão nuclear. Priscila [Alcântara] é outra. A gente está sempre se beliscando sobre fazer algum feat. Eu também tenho muita vontade também de fazer algo com a Ludmilla, nem que seja só sentar para escrever música, porque acho ela uma grande compositora. Queria trocar essa energia com ela. Tem muita coisa, mas acho que, de spoiler, essa nova fase que está por vir vai ser mais “para cima”, até um pouco mais “safadinha”, mas safadinha do meu jeito, porque eu nunca sou muito direta ao ponto. Sempre solto uma poesia ali e todo mundo entende o que estou falando.

TMDQA!: Parece que o fim da divulgação do disco casou certinho com o começo efetivo da flexibilização dos eventos e da perspectiva de melhor diante de toda a situação. O que será dos shows ao vivo da Carol Biazin, já com todo esse repertório sensacional?

Carol: Eu já estou montando o show, para falar a verdade. Eu acho que ninguém vai estar preparado. Eu não quero falar muito porque quero muito que, quando as pessoas cheguem no show, elas fiquem impressionadas. Mas é algo que está bem próximo. A gente já tem show marcado!

   
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